Por que é tão difícil ser feliz?

Esta talvez seja a pergunta mais realizada no interior de cada ser humano e também a mais difícil de ser respondida.

A felicidade é um sentimento complexo, a maioria das pessoas já sentiram em algum momento da vida. Ser feliz é quando o que estamos experimentando em nosso interior é tão bom, capaz de nos preencher com todos os sentimentos prazerosos de alegria, amor, entusiasmo, realização, paz… Todos de uma só vez.

Então por que é tão raro senti-lo? Será que estamos fadados a sermos infelizes? Por que a vida parece tão difícil e cheia de contrariedades? Por que na maioria dos dias nos sentimos o oposto desse sentimento tão completo? Seria uma utopia? Será que a felicidade realmente existe? Eu mereço ser feliz? Alguém merece?

Responder perguntas tão intensas não é um trabalho fácil. A começar porque cada um sente, compreende, vive esse sentimento a sua maneira. Mas existe algo comum entre todas as pessoas, e por isso mesmo seja mais fácil tentar compreender o porquê de todos esses questionamentos.

Quando analisamos a forma que nós vivemos (no que se refere a pensamentos e comportamentos) é possível entender o que parece incompreensível.

A maioria de nós, seres humanos, vive sem questionar sua própria vida, não se conhece, não sabe porque se comporta de um jeito ou de outro, não reconhece erros, não se coloca no lugar do outro, não medita sobre suas atitudes, não sabe lidar com limitações, não controla suas ansiedades, vive no passado ou no futuro, não sabe controlar as emoções, não sabe se relacionar com as outras pessoas, não valoriza as pequenas coisas da vida, vive querendo ter o que não tem, não sabe quem é e nem porque está nesse planeta…

Precisamos entender antes de tudo que se perder é se achar. O caos é necessário para a evolução da vida, mas não podemos nos acostumar a ficar na bagunça psíquica para sempre! Enquanto não aprendermos a buscar sentido para nossa vida a felicidade parecerá um filme de ficção.

É possível ser feliz com o que somos e com o que temos hoje, mas para isso precisamos sair da inércia da mesmice, de achar que a vida é assim mesmo, quantas vezes dizemos “não está fácil pra ninguém”, e por isso ficamos onde estamos, sem entender pelo menos o que precisamos fazer e por que estamos aqui.

Questione-se mais, tenha dúvidas, mergulhe profundamente na sua existência, se conheça, reconheça suas limitações e suas qualidades, aprimore a sua força, enriqueça sua saúde emocional. É triste demais ser uma pessoa superficial, que parece bem adaptada a nossa sociedade que já se perdeu faz tempo. Aprenda a se rebelar, se todos estão seguindo um caminho, dê meia volta e siga o lado oposto, a chance é enorme de que a grande massa social esteja sendo manipulada. Porque se você não pensa, alguém pensará por você. Olha o perigo!

Seria muito bom dar dicas de faça isso ou aquilo, ter respostas prontas para que ainda hoje pudesse sentir a felicidade, mas eu não posso. O destino de cada um é a felicidade, mas depende de cada pessoa mergulhar cada vez mais profundamente dentro de si, fazendo perguntas e encontrando suas próprias respostas.

A felicidade existe sim, mas ela exige força e coragem para desbravar caminhos desconhecidos e intermináveis dentro de nós. Mergulhar em nossas profundezas é preciso, mas morrer afogado não!

Lista de desejos para o novo ano

Todo mundo pensa ou realmente faz uma listinha de desejos para o novo ano que se inicia. Hoje resolvi fazer uma lista que não vale apenas para mim, mas é um pouquinho de todos, talvez de alguns desejos esquecidos com o tempo ou alguns difíceis de serem realizados, mas que vale a pena pensar neles.

Para o novo ano desejo tolerância. Não sei se é a realidade da nossa sociedade, ou a falta de tempo, enfim, só sei que as pessoas estão intolerantes umas com as outras. Não tem mais paciência em ensinar ou aprender. Não dão preferência no trânsito, ou não cedem uma vaga ou um lugar. Não toleram os erros alheios e nem tudo aquilo que é diferente.

Desejo também abraços e beijos. Não estou falando dos amantes que demonstram tão facilmente seus gestos, estou falando entre pais e filhos, entre filhos e pais, entre irmãos, entre netos e avós, entre a família, entre amigos, entre desconhecidos, entre pessoas que são empáticas e oferecem o que tem de melhor, o afeto. Abraços fraternos e beijos carinhosos, o mundo carece disso!

Outro desejo que não pode faltar é alegria. Eu sei que com todas as dificuldades que estamos passando, crises, guerras, violência, corrupção, fome e miséria no mundo, a vontade de manter um sorriso nos lábios quase não existe. Fora as doenças e outras complicações. Porém, sem a alegria na alma corremos o grande risco de adoecermos completamente, sendo coniventes com esta sociedade que está doente há anos e não parece ter data para se recuperar. O olhar positivo sobre a vida muda nossa forma de superar qualquer problema. É importante ver o reverso da medalha, tudo tem um lado bom, melhor focar nele.

Desejo equilíbrio entre o corpo e a mente. Não adianta nada termos uma mente saudável, nos alimentarmos de pensamentos felizes, se não cuidarmos do nosso corpo. Precisamos nos exercitar, o corpo é uma máquina que também precisa ser calibrada, lubrificada e movimentada, caso contrário enferruja e começa a apresentar defeitos incorrigíveis. Praticar atividade física em qualquer idade traz o benefício da harmonia e principalmente a saúde.

Para o novo ano desejo esperança. Os dias, cada segundo a mais parece incerto e talvez duvidoso. A insegurança paira no ar, é importante ter a esperança, a fé de dias melhores, a certeza que as coisas vão melhorar. E para isso temos uma grande parcela, temos de nos comprometer a melhorar a vida, a nossa e de nossos semelhantes. Não adiante esperar que o novo ano seja menos terrível se não nos comprometemos a agir, transformando o meio onde vivemos.

Desejo realizações, desde as pequeninas às grandiosas. O sonho é o combustível da alma. Não ter objetivo de vida é viver como se não vivesse. Sonhe, passe para um papel, transforme tudo em realidade, seja persistente, tenha foco, tenha fé, acredite em você, vença os obstáculos, você é ilimitado, pode fazer muitas coisas boas, só depende exclusivamente de você. Acredite.

Desejo união, compaixão, empatia. Que nosso olhar seja sempre voltado para o coletivo. O que é bom para mim tem que ser bom para os outros, se existir segregação, se apenas alguns forem agraciados, algo está errado. Tenha esse senso de justiça, ajude àqueles que precisam de alguma coisa. Se coloque no lugar do outro, compreenda sua dor, seu sofrimento, sua angústia. A gente só dá aquilo que tem no coração, o que andamos oferecendo por ai?

Desejo a paz. Palavra tão pequena e tão significativa e que julgo dizer que poucos a tem, infelizmente. A paz é promovida nos nossos lares, com a nossa família, nos nossos ambientes de trabalho, nas igrejas que frequentamos, nos círculos de amigos que temos. E por que é tão escassa? Porque vivemos de fofoquinhas, intrigas, mesquinharias, ambições, invejas, calúnias, somente quando mudamos nossa forma de agir promovemos a paz para os outros e principalmente para nós mesmos.

E por fim, e nem por isso menos importante, desejo o amor. O amor de verdade, o sentimento inexplicável mas verdadeiro, forte, capaz de mover montanhas, de curar feridas, de aproximar os povos. O sentimento tão falado, tão popular, e no entanto, me parece desconhecido. Os pais dizem que amam seus filhos, mas não o educam, não lhe dão limites… Os filhos dizem que amam seus pais, mas quando adoecem não tem tempo para cuidar, para visitar, os internam e lá deixam, alguns até choram sua morte, outros nem isso! Os esposos dizem que amam suas esposas, seus filhos, mas não conseguem ser companheiros, não conseguem dar atenção, priorizam o trabalho, os vícios, os entretenimentos… As pessoas dizem que amam os semelhantes, mas se errarem de alguma forma, ou se forem apenas diferentes, se tiverem pensamentos contrários, podem ser mortos, violentados, maltratados por estas mesmas pessoas. E por ai vai…

Eu poderia desejar todas essas infinitas coisas que todos desejam e pedem como dinheiro, prosperidade, sucesso, fama, prestígio…. Mas todas elas não têm significado algum perto de todas as outras que descrevi acima. O ano pode lhe trazer tudo que todos desejam, mas os itens que descrevi depende de você, cada um é responsável pela sua felicidade, você é o autor da sua vida, tenha cuidado com o que se deseja porque pode se tornar realidade… Espero que deseje o que realmente importa, só assim todas as outras coisas lhe serão acrescentadas.

Feliz 2017!

O essencial fica

Quantos de nós por vezes questionamos a vida, por que momentos tão maravilhosos acabam rápido demais? Sentimos que lugares, pessoas, sensações, instantes, que nos fizeram grande bem estar tem uma curta duração.

Na verdade toda essa sensação é provocada por nós mesmos, pela nossa forma de viver a vida. Não sabemos viver. Priorizamos tudo aquilo que tem pouca ou nenhuma importância, esquecemos das que deveriam estar no item 1 de prioridade.

Esquecemos da nossa família, esquecemos dos nossos filhos, esquecemos dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos irmãos, dos nossos primos. Esquecemos dos amigos. Esquecemos dos animais e da natureza. Esquecemos simplesmente.

Lembramos de pagar as contas, de trabalhar, de juntar dinheiro, de comprar um carro, de comprar uma casa, de comprar um rancho, de comprar um apartamento, de comprar roupas, comprar… Adquirir… Juntar…Ter… Possuir…

“O essencial é invisível aos olhos” já dizia o Pequeno Príncipe. Tudo de mais importante na vida não dá para comprar num cartão de crédito. Não dá para juntar rios de dinheiro e pagar num futuro próximo. Não tem valor comercial, não tem fatura, não tem cifras.

O essencial é aquilo que sentimos, o que guardamos no coração, que provoca grandes sorrisos, que gera nostalgia, que nos preenche os dias. São as lembranças de momentos felizes. São as sensações de abraços reconfortantes e beijos carinhosos. São cheiros de comidinha feita pela mãe, de perfume do amor que estava longe. São sons de palavras doces, de músicas que remetem a pessoas queridas, a momentos alegres.

Eu sei que tudo isso que escrevi não gera nenhum frisson, estamos acostumados a viver no automático, de aparência, de esquecimento e frieza. O amor está fora de moda. As pessoas não se importam mais. Não valorizam uns aos outros. O que temos é mais importante do que somos. Tudo está virado do avesso. Falta empatia, falta doçura, falta respeito.

Os pais ensinam valores errados. A sociedade estimula a segregação. Os países querem guerra. As religiões distanciam as pessoas. A paz não parece existir. Nem as crianças que pareciam criar dentro das pessoas algum sentimento, não comovem mais. As pessoas querem ver matar e ver cair, e se puder ajudar melhor. É uma grande arena de todas as atrocidades, raras exceções alguns se chocam.

Eu pertenço a esse pequenino grupo. Me recuso a viver assim. Prefiro a exceção, prefiro as pessoas, prefiro o abraço, o aperto de mão, o olho no olho, os sorrisos, os laços, as amizades. Eu ainda prefiro o amor, a paz e a doçura. Eu prefiro ser uma sonhadora otimista que reconhecer que vivo num lugar onde não me encaixo. Nem em ideias, nem em valores.

Por isso é mais fácil ter mais momentos felizes do que esperar todas as sextas-feiras ou as tão sonhadas férias. Não espero o fim de semana para ser feliz, para fazer o que me dá prazer. Não espero conhecer outras pessoas, sou feliz com as que já tenho na minha vida. Prefiro criar laços duradouros, promover momentos únicos e garantir grandes e constantes alegrias durante todos os meus dias.

Só sei que o essencial fica. Vale a pena. Guardo comigo todas as experiências maravilhosas. No meu coração guardo lembranças valiosas, sem preço, raridades. E vou seguindo assim. Aproveitando o melhor que a vida me oferece, sem criar expectativas nas pessoas, mas tendo uma grande fé em Deus e na vida.

 

Dando tchau para quem não acrescenta nada na minha vida

Chegando o fim do ano e aquela vontade de renovar tudo só cresce dentro da gente não é? Fazemos listas com vários objetivos e sonhos para 2017, esperamos que seja melhor do que este, fato que eu acredito piamente que será, visto que este ano foi um daqueles que muita gente quer esquecer!

E como acontece? Arrumamos a casa, faxinamos as gavetas e armários, no coração a ansiedade do novo que já está quase ali batendo na porta. O fim do ano é o período que mais aprecio, os enfeites de natal, as pessoas andando alegremente pelas ruas, nem que seja para sair comprando na última hora, há uma esperança no ar, uma energia que emana de toda criatura… As luzes iluminam as árvores, as mensagens que chegam e nos emocionam, a família reunida. Ah eu amo o fim do ano!

Só que muita gente esquece de faxinar um lugar difícil de mexer… Não porque seja impossível, mas pode doer e machucar quando movemos os móveis, limpamos a sujeira e recolhemos os entulhos. Não, não é de uma casa que estou falando, mas dos nossos corações!

Como andam sujos, maltrapilhos, estropiados, massacrados, remendados… E o mais interessante que limpamos objetos, desfazemos de coisas, mas não harmonizamos o que realmente importa. No nosso coração fica uma represa, algo que guardamos e raramente deixamos escapar algum resíduo, isso é um perigo!

Andamos com roupas novas, nas cores branca, amarela, rosa, azul, verde, vermelha, que simboliza isso ou aquilo na virada de ano, mas por dentro não passamos de miseráveis, a deriva da vida, alheios ao mundo, empoeirados e enraizados nas nossas mesquinharias de sofrimentos que nada acrescentam e só minam o restinho de esperança dentro de nós!

Limpamos a casa, recebemos visitas, sorrimos em companhia de amigos, familiares e colegas, mas por dentro sentimos uma solidão que dói e aperta, que nos faz chorar sozinhos no banheiro.

Postamos fotos, conhecemos o mundo, despertamos a inveja alheia, mas por dentro somos mais pobres emocionalmente que muitas pessoas que moram na rua ou que vivem na miséria absoluta!

Mantemos nosso corpo maravilhosamente definido por fora e por dentro não somos capazes de olhar nossos olhos no espelho… Temos medo do que podemos ver… Temos milhões de amigos, mas quando mais precisamos não tem um para nos estender a mão… Temos uma mesa farta, mas por dentro estamos esfomeados de afeto!

E eu pergunto para quê, para quem? Claro que devemos cuidar do corpo, claro que podemos estar nas redes sociais, claro que podemos manter muitas amizades… A dificuldade está nas nossas relações, as pessoas se tornaram descartáveis, informatizamos o contato, não priorizamos o essencial, consumimos objetos e infelizmente até pessoas.

A crise não é só econômica, a sociedade está em crise, as relações estão em crise, uma hora devemos despertar ou sabe-se lá! E é por isso que neste ano vou fazer diferente, vou faxinar meu coração…

Vou varrer da minha vida quem não acrescenta nada, vou encaixotar e sair distribuindo o que dá para aproveitar, certa de que outras pessoas podem gostar… Vou tirar do guarda roupa as decepções, as tristezas, as mágoas como quem joga fora o que não serve à ninguém.

Vou jogar fora tudo que me faz sentir cansada, pesos desnecessários. Vou sair distribuindo o perdão, vou abastecer a geladeira de coisas gostosas. Quero um coração cheio de doce, de chocolate, de mel. Quero por flores nos vasos e jogar fora os jornais velhos, as revistas de outros anos e contas que não serão pagas. Vou desfazer dos entulhos.

Vou lavar bem o chão, esfregar bastante para sair a mesquinharia e o preconceito, nem que para isso tenha que me ajoelhar. Vou levantar o tapete e jogar fora a hipocrisia…

Vou tirar a poeira das lembranças felizes, vou jogar bom ar pela casa, vou trocar os lençóis das camas, mudar um coisa de lugar, pintar as portas de branco, trocar as cortinas amareladas e abrir as janelas para que o vento entre saltitante pela casa… Vou olhar pausadamente e nostalgicamente as fotografias dos meus queridos, vou entrar no quarto, respirar fundo e despertar o amor.

Não vai ficar nada do jeito que está, vai dar trabalho, vou ter que por muito cloro no chão, vou ter de lustrar os móveis, aspirar a poeira, recolher muito entulho, mas depois vou me sentir verdadeiramente renovada para o novo ano, para minha nova vida, para meu novo coração. Já posso até ver… Da janela aberta vou dar tchau para quem não acrescenta nada na minha vida…

O que uma tragédia pode nos ensinar

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Hoje acordei com meu marido falando sobre a queda de uma aeronave, tentei resistir e continuar dormindo, comecei a ouvi-lo atentamente, acordei e comecei a ler as notícias. A cada nova informação sentia uma nova angustia. Fato é que é quase impossível saber de algo assim e não se comover.

Eu sei que a morte é algo previsível, todos sabem que um dia chegará para todos que vivem nesse planeta, mas, contrária ao fato de que esta certeza é imutável, lá no fundo, no nosso inconsciente não aceitamos isso. Ela sempre será dolorosa, se for ainda um feto ou uma pessoa com 100 anos.

Quando a morte ocorre com pessoas mais jovens, isso se torna mais doloroso ainda, como se aceitássemos mais quando ocorre com uma pessoa de mais idade ou doente, sofrendo por exemplo, mas desse jeito que aconteceu, num momento feliz para um time e com muitos jogadores jovens, delegação, jornalistas e tripulação de outro país, choca demais a gente! É uma perda abrupta, violenta e irreparável.

Entristece a gente as vidas interrompidas, os sonhos que se acabaram, a dor de quem fica, a luta dos que estão gravemente feridos, a saudade da família. Hoje doeu mais em mim a esperança que muitos familiares tem de acontecer milagres e ver seus filhos, maridos, netos, sobrinhos, pais estarem vivos. Com certeza eu também teria, se fosse permitido ter como me apegar a um fio de fé que fosse.

E por mais que eu tenha pela profissão visto a morte de perto como quem trabalha nos hospitais, fica aquela sensação geral que a vida é muito frágil, e que cada dia deve ser vivido de forma intensa, porque não sabemos mesmo o que vem logo ali na frente… Como a gente perde tempo com bobagem, com questões pequenas, brigando, odiando, maltratando quando deveríamos amar mais, respeitar mais, cultivar diariamente afeto, ter sentimentos mais positivos!

E mais que isso, que o tempo suavizará tudo isso, tornando-nos resilientes e flexíveis para sobreviver apesar de todas as tristezas, tragédias e dores que passamos. Isso acontecerá para mim, para você e para todos que passam hoje por esta situação estarrecedora.

O sentimento é de perda, de luto, é preciso ter empatia, ter consideração, oferecer apoio e conforto, ajudar de todas as formas possíveis, será inevitável chorar, não se comover e muito menos se lamentar, até porque poderia ser qualquer um de nós, de nossos entes queridos, enfim.

Dá para ver num dia desses que dá para ter fé na humanidade, que existem sim mais pessoas de bem espalhadas por ai, em qualquer canto da Terra. Dá para sentir a solidariedade, a união dos povos, a empatia de se colocar no lugar do outro e sentir de verdade uma perda, porque antes de tudo, somos gente, e gente de verdade sofre por si e pelo sofrimento do seu semelhante.

Este texto não tem o objetivo de deixar ninguém mais triste, nem mais alegre, porque é difícil sorrir hoje, mas tem a finalidade de possibilitar uma breve reflexão sobre a vida. Como ela é um sopro leve que pode vir e ir embora quando quiser, sem data certa, sem despedidas… Que todos nós precisamos uma hora ou outra das outras pessoas (vejam eles, debaixo de chuva, frio de 5 graus, noite, feridos e alheios numa mata esperando socorro de pessoas estranhas!).

Que possamos valorizar a vida, mesmo quando ela chega a seu fim. Para muitos o renascimento, não só dos feridos, mas de todos os familiares e amigos, de toda uma nação, de um mundo que hoje chora, mas com grande esperança de dias melhores, e eles virão. Ainda bem que uma tempestade não dura para sempre!

Mais amor por favor!

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Desde ontem o mundo está inquieto com o resultado das eleições americanas. Raras exceções, muitos acordaram com aquela náusea estranha no estomago de mau presságio. Um misto de angústia, medo, temor, inquietude e ansiedade.

Mais importante que o resultado dessa eleição, é repensar o que nós, como seres humanos estamos desejando quando elegemos um candidato assim. Sim, porque o discurso, por mais que agora não seja realizado, é a sua propaganda. O que andam oferecendo e o que estamos comprando?

Com toda esta repercussão negativa e surpreendente do resultado da eleição americana vi muitos artigos e muitos comentários de nós, brasileiros, opinando sobre ele. O que me assombra é ver que muitos de nós defendemos um discurso totalmente discriminatório, segregador e retrógrado.

Por que isso? Sei que apesar de todas as modernidades e avanços da ciência, nós seres humanos ainda temos dificuldade de viver em sociedade. Sofremos com as mazelas do mundo, mas desejamos imensamente ver a guerra e o ódio espalhados nos países vizinhos. Dormimos assistindo notícias terríveis e acordamos como se aquilo nunca fosse nos afetar. Somos imparciais ao sofrimento alheio, mas grandes defensores do mal quando queremos falar daquilo que parece estar distante.

A maldade está dentro de nós, quando achamos certo alguém discursar sobre o racismo, crueldade, segregação, intolerância e batemos palmas, somos iguais ou piores. A necessidade de empatia grita pelo céu da Terra!

Coloque-se no lugar, um minuto se quer, na pele daquele que sofre pela guerra, seja um sírio… Sem casa, com fome, com medo, fugindo do seu país e encontrando uma cerca, guardas armados e seu filho morto no colo… Por algum tempo imagine a dor do preconceito por ser negro, mulher, latino, homossexual, deficiente, pobre, cristão, mulçumano, umbandista, “diferente”…

E o mais incrível disso tudo é que sempre estaremos dentro de algum grupo que sofre e mesmo assim nos discriminamos, nos diminuímos. Falta reflexão, bom senso e muita empatia.

Subimos em cima de um monte de defeitos para apontar o outro nas suas pequenezas. Sem olhar para baixo. Sem olhar o abismo que criamos com os outros seres humanos. Outro dia assisti um vídeo em que a Lady Gaga comparou o ódio com uma serpente, que seu objetivo era jogar um contra o outro. Alimentando as diferenças entre as pessoas. Maquetes manipuladas pelo mal. Até quando?

Será que dá para viver uma vida inteira sem olhar para o lado? Sem olhar para as pessoas que sofrem? Sem imaginar que o lixo que jogamos fora não está fora porque vivemos no mesmo planeta que o lixo é jogado? Será até quando que pegaremos um animal para cuidar e depois jogaremos na rua quando cansarmos dele ou quando estiver doente? Até quando sentaremos felizes na nossa mesa e comeremos fartamente sem imaginar aqueles que passam fome no mundo?  Até quando? Até…

Esse discurso de apoio ao ódio me dá náusea mesmo, ver pessoas que conheço entrando nesse barco furado, nessa manipulação, nessa falta de conhecimento de si mesmo e de total falta de empatia pelo próximo, me entristece profundamente. Mas, sempre há esperança né? Eu prefiro acreditar que dias melhores virão, e que nada dura para sempre,  a não ser o amor, que é eterno.

Por que os feriados são essenciais?

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Não é novidade para ninguém que a nossa cultura valoriza a falta do tempo, quem nunca ouviu que não ter tempo é sinônimo de uma pessoa extremamente importante? Verdade é que uma vida ocupada demais não tem tempo para o que realmente vale a pena viver.

Quantos profissionais bem sucedidos, mas com relacionamentos em destroços? Quantos pais e mães bem sucedidos nas empresas que atuam e em casa seus filhos recebem migalhas de afeto? Quantas pessoas vivem assim? Inúmeras, existem frases para tornar “normal” tal atitude como “não podemos ter tudo” ou “sucesso no trabalho, azar no amor” e por ai vai.

Quando encontramos amigos, conhecidos e familiares, como quem diz “hoje vai chover”, recebemos a seguinte resposta quando questionamos porque estão sumidos “está faltando tempo” ou “o tempo anda corrido demais”… E vivemos esperando esse tempo surgir para reencontrar quem amamos, preocupar com quem realmente importa, rever os amigos, educar nossos filhos…

E ai vivemos para esperar a sexta-feira que indica que os outros dias serão de descanso, mas não serão! Porque logo perguntamos “o que vamos fazer nesse fim de semana?” e “Nesse feriado?” Tais respostas já indicam a ansiedade que nos parece nata. Temos uma incrível necessidade de preencher as pausas que a vida nos dá. Temos um medo absurdo de um encontro com nós mesmos e um horror a solidão!

A pausa não é só um intervalo que a vida nos impõe, mas é também um resgate do aqui, do agora, é um despertar da nossa escravidão inconsciente ao tempo psicológico. Nós sofremos pela nossa ansiedade, daquilo que ainda vai vir, sofremos por um futuro incerto, que pode ser bom, que pode ser ruim, ao mesmo tempo sofremos pela culpa do que fizemos, dos erros, sentimos arrependimentos, remoemos feridas, despertamos tristezas e amarguras passadas. Não perdoamos. Por isso ou estamos no futuro, ou estamos no passado, mas nunca no agora, esse é o nosso grande erro.

A vida necessita de pausas, veja os exemplos. A noite é uma pausa do dia, o inverno é uma pausa do verão, a morte é uma pausa da vida. Pausar é equilibrar o corpo com a alma, não é apenas para cumprir uma legislação trabalhista ou seguir um ritual bíblico, pausar é fundamental para nossa saúde. Quando algo está pausado significa que a vida vai ressurgir logo depois, como quem poda uma planta e em breve terá uma árvore frondosa.

Pare um minuto (se conseguir desligar o botão) e olhe em volta. O que você vê? O meio ambiente e a terra imploram por uma folga, os rios suplicam por um banho, as colinas estão com olheiras, as cidades necessitam de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado, os animais carecem de atenção e afeto, as pessoas rogam por ajuda, a vida postula que possamos fazer algo contra as mazelas desse mundo (fome, guerra, miséria, drogas, mortes, pedofilia, lixos…). E nós? O que fazemos?

Nos dias atuais a pausa é preenchida por diversão e alienação. Vamos deixar algo bastante claro: Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E essa nossa incapacidade de parar é algo preocupante. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições, tentando preencher o vazio que nós mesmos criamos.

Quem nunca chegou no fim de um feriado e teve a sensação de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos postadas no Instagram. Quantos de nós criamos uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho da infelicidade para os outros?

Tudo é tão vazio, fútil e descartável que dá medo! Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos. Isso me assusta!

Veja bem, parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair, mas de ser atencioso consigo mesmo e com sua vida. Lutamos contra o envelhecimento, mas quem nos mata (e envelhece) cada dia mais é a nossa vontade de preencher todo o tempo, que já é curto, com inúmeras atividades que só acumulam pesos desnecessários à nossa vida!

Importante como uma vitamina no corpo, a pausa é necessária. Através do silêncio, da serenidade, da meditação e da leveza podemos interromper algo que tinha sido iniciado para lhe dar como concluído. É a pausa que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido às nossas experiências de vida. As pessoas não sabem fechar os ciclos, por isso devemos aprender. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar. Bom feriado!

A vida é um Trem-Bala

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Tem dias que isso acontece. A gente questiona a vida, o tempo que voa, que passa rápido demais… As coisas que fez e principalmente as que deixou de fazer… Dá um aperto no peito porque cada segundo vai para sempre, o que fica são lembranças, boas e ruins…

Por isso não é necessário querer tudo na vida, há coisas, pessoas, bens e lugares que não vão entrar na nossa bagagem, nem nos nossos roteiros e muito menos em nossos corações. Há muita coisa que fica para trás.

Só não podemos deixar para trás o que é essencial, para depois não nos lamentarmos pela vida a fora, independente da idade que tivermos. Lamentar cansa, angustia, melhor é fazer dentro do limitado tempo que nos foi dado o melhor que pudermos, e isso inclui escolher bem tudo que iremos querer ao nosso lado.

É necessário valorizar nossa família. Não importa o grau de afeto, todo filho vai querer um abraço da sua mãe, todo pai vai querer um beijo do seu filho, mesmo que seu pai seja seu avô, mesmo que seu filho seja seu sobrinho. Não importa quem desempenha o papel, o importante é haver uma troca, porque necessitamos disso. Então se você tem os seus vivos, corra e abrace com carinho, diga o quanto os ama. Sem cerimônia, sem esperar a hora certa, porque certo mesmo é que a vida passa rápida demais.

Realizar os nossos sonhos é algo que não pode ficar para trás. Cada um tem uma lista, ou deveria ter, um a um deve ser realizado, mesmo os sonhos mais simples. Uma vida sem sonhos já está morta. Por isso faça um cronograma ou anotações e realize. Não desista pela dificuldade, nem pelo o que os outros dirão.

Valorize as coisas simples da vida. A chuva, as árvores, as nuvens, os sorrisos, os animais, as crianças, o mar, o vento, a calmaria, os pés descalços, os olhares, as covinhas de um sorriso…

Não deixe passar despercebido o que dá sentido à vida. Pegue seu filho no colo, conte historinhas para ele, sinta seu abraço, toque seus cabelos, sinta seu cheiro, veja enquanto adormece…

Ouça os mais velhos, escute as histórias de seus avós, saboreie o tempo deles que já está no seu fim, reconheça o amor passado pelo gesto simples de ter feito sua comida preferida.

Saia com sua mãe, abrace com carinho, toque sua face, diga o quanto a admira, presenteie com tudo de melhor. Ela é um presente divino, uma extensão do amor de Deus. Passe momentos olhando suas rugas e contemplando cada minuto para ter certeza que fez tudo por alguém que fez muito mais por você.

Ande de mãos dadas com seu pai. Sinta suas mãos grossas de tanto esforço por ter lhe dado o melhor que podia. Diga que o ama, não tenha vergonha. Dance com ele, deixe que coloque sua cabeça em seu colo e faça carinho em seus cabelos grisalhos. Seja um bom filho. Guarde essas lembranças.

Encontre seus irmãos, saboreie o tempo com eles. Relembre as histórias vividas juntos, sejam amigos, cumplices, parceiros. Sinta a felicidade por suas conquistas, ajude-os a crescer, ame seus sobrinhos, tenha-os como seus filhos também. Nunca sinta inveja ou fique anos sem conversar, é perda de tempo!

Ligue para seus amigos. Não desista de alguém por falta de tempo. O tempo anda curto para todo mundo, mas somos nós que determinamos o que fazer com cada segundo, quem vai ter a nossa prioridade. Esteja presente, faça falta, mostre consideração, saiba perdoar, tenha paciência e principalmente esteja lá quando ele precisar.

Ame sempre. Não importa se é um relacionamento de 50 anos ou de 2 semanas, ame. Viva intensamente a paixão, sinta saudade, faça cafuné, seja companheiro, esteja presente, elogie, reconheça. As pessoas entram em nossas vidas para somar. Esteja sempre aberto para amar, mesmo que isso possa fazer sofrer pelo decorrer da vida. As pessoas não são iguais, por isso permita-se.

A falta de tempo pode nos deixar loucos em alguns momentos, mas o importante é valer a pena cada segundo. Chegar ao topo do sucesso não é importante, mas o caminho que se levou até chegar lá. Uma conta bancária recheada no fim da vida não é garantia de ter um coração cheio de amor. Estar rodeado de pessoas não quer dizer que se tem amigos para todas as situações.

A gente não pode ter tudo na vida, mas podemos ter tudo que precisamos para uma vida feliz. O dinheiro não é capaz de comprar tudo e é insensatez correr contra o tempo para ter tudo, sendo que esse tudo não é nem metade do que é essencial numa vida inteira, então, guarde lembranças de amor, não bens materiais.

A vida é um Trem-Bala, quando menos esperamos ela se foi. E nós somos meros passageiros prestes a partir, então se hoje ainda há tempo, aproveite para fazer aquilo que está guardado em seu coração. Não deixe para depois. Quem sabe quando será a hora de descer no ponto final para sempre?

A luta das mulheres para ter a beleza eterna!

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Outro dia fui numa dermatologista e na consulta ela me falou algumas coisas sobre as mulheres, da vontade que temos de ter a beleza eterna, e, como não podia deixar de ser, fui para casa pensando nas suas palavras…

Como todas as mulheres também avalio meu rosto no espelho, também fico pensando no envelhecimento, nas mudanças da pele, do corpo depois que passei dos 30 então…

Porém, como minha médica disse têm coisas mais importantes do que se preocupar em esconder a idade, se matar na academia, fazer dietas loucas, ter uma barriga seca e lipada, rosto sem rugas, caber numa calça 38!

A maioria das mulheres lutam dia e noite para conseguir dar conta de tantas coisas, não nos contentamos em ser apenas mais um número, queremos a excelência, o reconhecimento, queremos tudo e um pouquinho mais. Isso não é diferente quando se refere à beleza.

Sonho seria envelhecer e não ver as ruguinhas nos cantos dos olhos, não ver sardas na pele, não ter manchas no rosto, não sentir o corpo cansado… Mas a vida segue, e o envelhecer é um processo natural do qual precisamos nos adaptar para não causar sofrimento desnecessário.

Muitas vezes estamos tão preocupadas em manter o corpo bonito, curvilíneo, que chame a atenção, malhado, lipado, turbinado, que seja admirado e nos esquecemos do nosso interior, que beleza existe em nosso ser? Que tipo de pessoa somos fora desse corpo? E se não existisse um padrão de beleza seríamos felizes com o corpo que temos?

Em outros momentos nos preocupamos tanto com as rugas, com os disfarces da maquiagem, com tantos outros produtos cosméticos, e nos esquecemos que cada ruga ali instalada fala um pouco de nós, dos nossos problemas vencidos, dos nossos sonhos atingidos, dos nossos sorrisos oferecidos!

E os regimes que fazemos? A verdade é que nunca estamos satisfeitas com o peso, as vezes acima, outros abaixo, mas no peso ideal nunca vi uma mulher dizer. Acredito que precisamos sim ter uma alimentação saudável, mas deixar de comer algo que gosta muito ou evitar por 300 dias um doce porque isso implicará numas gramas na balança, já é um exagero sem sentido!

No fundo nos preocupamos muito com o que os outros acham de nós. Numa sociedade doente como a nossa, que cobra uma beleza surreal, a base de muita cirurgia plástica e cosméticos 95% enganadores, quem aceita a si mesma é um ser diferenciado, digo até mais, evoluído!

Vida de mulher não é fácil, só quem é sabe do que estou falando, mas gente, a beleza feminina está na verdade do que somos, altas, baixinhas, magras, gordinhas, não importa, a essência, esta que vem de dentro, de um interior bonito, nutrido com amor, alegria, entusiasmo, paz, serenidade, doçura, esse sim molda esse corpo aqui de fora.

Por isso não se iluda, como disse minha médica, “duas coisas envelhecem a gente, o sol e o tempo”, mas o nosso interior, esse pelo contrário, dependendo de como vivemos, rejuvenesce a cada dia, basta saber viver…

Aproveite e esteja mais com sua família ao invés de “puxar ferro” na academia todos os dias. Saboreie um delicioso chocolate num dia estressante, coma a barra toda se precisar! Aumente seus relacionamentos saindo para comer com amigos e caia na gargalhada com eles. Aproveite um lindo dia de sol e faça um piquenique em algum parque (passe protetor acima de 60, rs). Vá trabalhar alguns dias sem maquiagem, deixe as pessoas conhecerem sua beleza real!

Enfim, não sei se conseguirá ser todos os dias, mas quando puder, seja você mesma, porque a beleza está nos olhos de quem vê. Talvez o problema não seja o espelho, mas as pessoas que estão à nossa volta nos cobrando uma coisa que infelizmente nem a vida pode nos oferecer.

O que o fantasma da “crise” está fazendo com você?

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Vou falar uma coisa para vocês, se a gente deixa, eles usam a crise como a desculpa perfeita. Prendem as nossas mãos, amarram os nossos pés, fecham a nossa boca, abrem a jaula dos nossos medos e minam os nossos sonhos.

Já reparou que tudo que acontece de ruim nos dias atuais é culpa da crise?! Mal a gente percebe, atiçam nossas inseguranças contra nós mesmos, até elas rosnarem feito cachorros loucos, babando raiva em nossa cara. E a gente começa a temer, a se esquivar, a retroceder…

Pelo simples motivo, porque a gente deixa, eles levam todos os nossos sonhos embora e os usam para fazer sabão. Nos governos, uns aumentam os impostos que o povo paga, outros reajustam os próprios salários para cima. E a gente deixa. E eles falam que é por causa da crise…

As pessoas estão morrendo nos corredores dos hospitais, quando conseguem entrar nele. A gente aceita e deixa. Os profissionais de saúde atendem mal, porque recebem mal, porque mal conseguem viver com o salário miserável que recebem, quando recebem! Todos querem uma solução, mas a resposta é sempre a mesma, é culpa da crise!

Nas ruas tem os que agridem, os que roubam, os que matam. A violência anda solta e desgovernada. E todos põe a culpa em quem? Na crise!

A educação está terrível. Não sei mais como vai parar o ensino no nosso país. Os jovens terminam o ensino médio mal sabendo escrever. Não sabem interpretar textos, não sabem conjugar verbos, não sabem fazer uma conta, não se interessam pela história, não sabem diferenciar cidade de país, mas a culpa é da crise! E a gente deixa e aceita.

O desemprego é um pesadelo, as pessoas buscam alguma oportunidade, mas a oferta de mão de obra está tão grande para poucas vagas, daí seria bom usar a criatividade e abrir um negócio próprio, mas ai vem eles e injetam o medo, criam a insegurança e desmotivam os poucos otimistas, tudo porque estamos em crise… Só porque a gente deixa.

Nas empresas, uns são demitidos e outros não. Mas os que ficam aceitam a condição de trabalhar por dez. A gente aceita o trabalho que infelicita a vida, aceita ser tratado com descaso, aceita a vida miserável, e a culpa sempre é da crise!

Deixa porque a crise quando se instala no coração da gente faz um estrago enorme. Faz de nós máquinas de sentir medo e moer sonhos. Coisa triste isso… Então a gente deixa ser levado por ela. Por medo, a gente aceita ganhar mal, comer mal, dormir mal, amar mal, viver mal porque “antes assim do que nada…”

Infelizmente a gente aceita qualquer desculpa fácil, cínica e vil para uns pagarem menos e outros trabalharem mais. A gente aceita e deixa. Poderia ser muito diferente. A gente poderia ter muitas saídas, quando tudo parece o fim, enquanto estamos acreditando que passamos pela maior crise do nosso país, pessoas estão enriquecendo todos os dias, outras estão abrindo seus negócios, outras estão experimentando viver fora, outros se desenvolvendo profissionalmente, outros se redescobrindo…

Mas a maioria deixa, aceita, acostuma, reclama… Deixa porque tem medo. Deixa porque não quer perder. Deixa porque não quer pensar. Deixa porque perdeu a esperança. Deixa porque ouve demais os outros. Deixa porque não é grato. Deixa porque não vê as oportunidades diárias. Deixa porque não acredita mais em si mesmo. Deixa porque mal percebe que já perdeu. A gente deixa. E tudo piora mesmo, mas a crise, coitada, não tem culpa!