Aquela sensação de estar fora da casinha

Não sei se é comum este sentimento, mas já ouvi de poucas pessoas que conheci, inclusive, eu mesma. Um incômodo, um desajuste, uma sensação de não fazer parte, de ter vindo de outro mundo, de não se encaixar ao contexto atual da nossa sociedade.

Até que descrever essa sensação parece mais fácil do que senti-la. Quando ainda era criança e posteriormente na adolescência, já sentia a diferença, nunca foi possível encontrar uma coleguinha que pensasse ou sentisse algo semelhante. Por vezes deixei toda essa angustia guardada em meu coração, acessando assim que podia, principalmente quando estava sozinha.

As outras crianças gostavam de educação física, dança, brincadeiras, eu gostava de escrever, desenhar e fechar os olhos imaginando histórias cheias de aventuras e finais felizes. A realidade sempre me pareceu tediosa, as pessoas sempre fazendo as mesmas coisas, não havia questionamento e nem mudança do fluxo. Ninguém afrontava o que já havia sido estabelecido. Tudo isso me parecia sem graça.

As pessoas queriam que eu cantasse, que eu dançasse, que eu tocasse instrumentos, que me vestisse como uma princesa, que fosse educada e gentil, que sorrisse, que sentasse direito, que comesse sem falar, que não me sujasse, que brincasse sentada e com bonecas, que jogasse bem vôlei, que fosse a aluna exemplar, que dissesse sempre “sim”, que eu esquecesse todo mal que me fizeram.

Eu sempre fui péssima na educação física, não tenho coordenação motora para dançar, não gosto de cantar e acho minha voz desafinada. Tudo que tentei aprender a tocar não aprendi. Não fui tão educada, não sentava com as pernas cruzadas, não comia sempre com a boca fechada, nem me comportava na igreja, por vezes beliscava uma coleguinha para vê-la chorar.

Não saia do carro se não quisesse ir numa festa, não comia o que não gostava e sempre me sujava escorregando morro abaixo. Sempre tive boas notas, apesar de pouco escrever nos cadernos, mas também fui para a coordenação por colar chiclete no cabelo de uma colega. E nunca fui capaz de esquecer o que os outros me fizeram de ruim.

Muitas vezes quis tentar me encaixar, mas foi em vão, como uma peça errada num quebra-cabeça eu não servia para o espaço que estava livre. Os livros me compreendiam mais que as pessoas. O silêncio me trazia mais respostas que as palavras vazias. Até que eu compreendi.

Aprendi que eu não estava errada, nem era uma estranha, muito menos uma alienígena, só era uma pessoa que não se encaixava nos padrões “normais”. Não precisei fazer todo mundo ser como eu sou, mas de aceitar que meu mundo interior é diferente da maioria. Só isso.

Por isso em vez de participar de um concurso de dança, eu escrevia poesias, em vez de desfilar, eu participava das feiras de ciência, enquanto as crianças se divertiam brincando no intervalo, eu ia para a  biblioteca ler livros que me levavam para além das fronteiras da pequena cidade que havia nascido.

Ninguém conseguirá fazer com que meus braços e pernas se encaixem numa caixa, sempre estarei fora das margens. É difícil às vezes ver que a maioria nada a favor da correnteza, e eu contra. É perturbador compreender a natureza humana quando a maioria não sabe ainda que é um ser humano. Me angustia muitas vezes o silêncio de quem deveria gritar, a ausência de quem deveria estar, a superficialidade de quem deveria ser.

Porém, eu não posso mudar as outras pessoas, não posso tornar todos os políticos honestos, não posso acabar com a miséria e desigualdade social, nem posso extinguir as guerras entre as nações e nem mesmo fazer com que cada pessoa saiba o porquê de estar aqui, agora, vivendo. Então cuido de mim, do meu eu, de quem eu me tornei. Busco fazer bem as perguntas e talvez ter uma vida inteira para responder. Posso e devo parecer estranha, pouco convencional e até mesmo maluca, mas ainda assim, essa sou eu.

Não vivo como a maioria vive, e ninguém faz ideia de como isso me deixa feliz. Agradar todas as pessoas pode ser mais pesado que muitas pedras por aí, então eu não estou disposta a fazer isso. Nunca fiz e nem pretendo, quem agrada todo mundo, quem vive sempre dizendo “sim”, “claro”, acaba se afastando dia após dia de quem realmente é.

É triste conversar com as pessoas e perceber esse vazio de si mesmas, falam de tudo, tecem teorias políticas, o preço do dólar, a vida dos astros de Hollywood, etc, mas não sabem quem são.

Não, não, obrigada! Prefiro ser a “diferentona”, a que nem sempre se comporta como a maioria, nem diz coisas que agradam a todos os ouvidos, nem é a amiga de todas as pessoas. Sou apenas eu, uma sonhadora, que voa toda noite por aí na busca eterna de encontrar sentido para cada dia da minha existência.

Um mergulho pelo novo

Toda vez que inicia um novo ano a gente fica com essa sensação e esperança que todos os nossos objetivos sejam realizados. É comum desejar coisas boas para nossos conhecidos e amigos, há uma renovação da fé, que parece ser universal.

Isso tudo é muito natural e acontece sempre, mas o que acontece então, se lá pelos meados do ano muita gente não levou a frente todos as metas que listou antes do ano acabar? Por que é necessário esperar o novo ano para de novo fazer uma reprogramação dos seus objetivos?

A resposta é muito simples. Perdemos o gás. Molhamos os pés na água fria do oceano de possibilidades e resolvemos voltar a sentar na cadeira, debaixo da sombra, longe da água, protegida do sol! Entusiasmo, é isso que nos falta.

Os sonhos são movidos por motivação, e nossa motivação movida pelo entusiasmo que temos pela vida. Então, se não tivermos entusiasmo, não teremos motivação e muitos menos iremos realizar nossos sonhos!

A questão então é como nos entusiasmar pela vida? Muitas são as dificuldades que iremos enfrentar pelo caminho, quem não tem medo do novo? Das incertezas? Das situações que fogem do controle? Todos nós temos, em medidas diferentes mas temos.

Não há outro caminho para quem quer seguir em frente se não for mergulhar, de corpo e alma no oceano que nos é oferecido. Veja o rio, ele também tem medo de se desaguar no mar, temendo seu desaparecimento completo, até que lentamente, se mistura às águas salgadas e se percebe maior, porque deixou de ser rio e se tornou oceano!

O entusiasmo vem com o mergulho, e mergulhar nada mais é que ser grato pela vida que se tem, por tudo mesmo, o que vivemos, o que nos fez crescer, o que descobrimos, o que aprendemos, o que ganhamos, o que perdemos, tudo!

E esse mergulho tem que ser diário e completo, não adianta ir lá molhar até o umbigo e sair correndo com frio, tem que ser submerso, intenso, vibrante. O frio vai passar, a temperatura se tornará agradável e será necessário abrir os olhos no fundo do mar e ver as cores e novas paisagens!

É assim que eu desejo um novo ano pra você, cheio de brilho nos olhos, paixão pelo que se faz, amor por todos, empatia pelas pessoas, pelos animais e pela natureza. Tolerância e respeito pela diversidade, união entre os povos, superação dos problemas, crescimento pessoal e acima de tudo evolução. Um verdadeiro mergulho num lindo oceano cheio de oportunidades e conquistas!

Um feliz ano novo pra você e pra mim também!

Um ser de falta

Quem nunca teve um pensamento assim: Quando eu tiver um carro… Quando eu me formar… Quando eu me casar… Quando eu tiver um filho…. Quando eu tiver uma casa… Quando eu viajar… Quando eu for promovido… Quando eu tiver uma estabilidade financeira… serei feliz.

Quando eu tiver um carro serei feliz. Quanto tempo dependendo dos pais ou mesmo de ônibus. Nada disso, agora sim, um carro para não depender de ninguém, só dele mesmo. Sentiu felicidade em sair da concessionária, acelerou, abriu os vidros, riu para o espelho, estava esplendido. Os dias seguiram e o carro já não era tão interessante, a cor sujava demais, a potência deixava a desejar e todos já tinham  trocado de carro e ele continuava com o seu fazia 8 meses! Que absurdo! Esse carro não servia mais, naquele mesmo dia ele foi ver anúncios, iria ser feliz quando trocasse o carro…

Quando eu me formar serei feliz. O dia da formatura é realmente uma lembrança maravilhosa para quem já viveu. Depois de anos passando por diversas dificuldades e superações o diploma fictício é entregue por um professor, alegria na festa, brindes e todos vão para casa. Um novo dia, hora de buscar a primeira oportunidade de trabalho na área. Não foi tão fácil como prometeu a coordenadora do curso. “Será que conseguirei um emprego que seja?” ele pensou aborrecido, “talvez devesse ter feito engenharia, tem mais mercado…”

Quando eu me casar serei feliz. A hora chegou, entrar na igreja vestida de branco, pessoas olhando, seu pai ao lado, tudo cheio de flores e as músicas que emocionam. Lágrimas de felicidade, risos, alegrias e encontros, uma festa animada, o dia amanheceu! Hora de ir pra casa, dividir a vida com uma outra pessoa, um estranho que deixa uma tolha molhada na cama. Cadê a sensação de euforia? Cadê o sonho de acordar todos os dias ao lado de um príncipe? “Meu Deus ele é um sapo!” pensa desconsolada ao ver o marido roncando ao seu lado na cama. Chateada ela vira de lado e tenta dormir, mas no seu íntimo acredita no que as pessoas lhe disseram “casamento não é fácil, mas quer casar casa, mas depois não diga que não te avisei! ”

Quando eu tiver um filho serei feliz. Que dia mágico quando viu “positivo” no exame de gravidez. Toda a expectativa de 9 meses, tudo arrumado, dia de ir para o hospital, o nome do bebê na porta do quarto. Que grande felicidade, nasceu! É uma menina! Todos se alegram e comemoram… Os dias passam, as cólicas vem, uma gripe daqui uma alergia de lá, hora de voltar ao trabalho, “tchau filhinha, hora da mamãe trabalhar, você vai gostar daqui, têm muita criança pra você brincar…”, “…Estou cansada filha, dorme pelo amor de Deus, outra hora mamãe termina a historinha que já te contei 70 vezes, preciso responder um e-mail…”

Quando eu tiver uma casa eu serei feliz. Hora de assinar o contrato no banco, até que enfim! Uma casa! Sonho realizado, meta atingida, meses juntando dinheiro, quanto sofrimento! Mas agora nada de aluguel, um teto para morar! Os dias passam, a prestação aperta e a casa é um pouco pequena. Talvez fosse necessário ter esperado mais, talvez comprar em outro bairro, com mais espaço, não pode ter um cachorro, que pena! Cadê o entusiasmo de quando entrou nessa casa pela primeira vez?

Quando eu viajar serei feliz. “Ter um passaporte cheio de carimbos isso sim é garantia de felicidade”, ele pensou! E em todos os destinos que foi realmente foi feliz, aprendeu muitas coisas e experimentou diversos sabores. Mas sempre voltou para casa. E mesmo em casa ou pelo mundo um vazio sempre o perseguiu. Uma solidão que não tem destino certo, só existe e pronto! E a garantia da felicidade onde está?

Quando eu for promovido eu serei feliz. Anos se dedicando a empresa, quase não viu o filho crescer, o celular nunca deu descanso e os e-mails passavam de 200 todos os dias, mas o reconhecimento chegou, foi promovido, aumento salarial e mais prestígio na empresa! Uau!!! Que felicidade! Durou um dia. O peso do cansaço tirou a cereja do bolo. Cobranças, menos tempo, mais atividades. E no seu íntimo ele pensou “ganhava pouco mas era mais feliz”, mas balançou a cabeça e seguiu em frente pois tinha outra promoção em mente!

Quando eu tiver uma estabilidade financeira eu serei feliz. Que alegria ver a conta cheia, anos de economia e uma vida regada de tudo de melhor que o mundo pode oferecer! Os melhores restaurantes, resorts, viagens, carros, vinhos… Mas uma coisa sempre incomodava, a falta de tempo. O trabalho foi duro e as escolhas sempre trouxeram consequências boas e ruins. Algumas coisas não deram para ver ou sentir, não deu tempo, porque tempo é dinheiro e precisava ganhar sempre mais! Parecia ter um ótimo padrão de vida, mas a felicidade mesmo não pode comprar!

Todos nós temos planos, sonhos e objetivos e isso é muito importante para que possamos dar sentido à vida, porém, o questionamento que faço são das nossas expectativas de felicidade. O que acontece quando alcançamos um objetivo de vida? Nos sentimos felizes claro, mas quanto tempo dura esse sentimento? Pouco não é, logo, rapidinho já estamos inserindo outro objetivo para suprir essa sensação de vazio.

Isso nos faz crer que a felicidade não está nas coisas e nem nos sonhos que iremos realizar. Essa sensação de falta sempre existiu desde de tenra idade dentro de nós. Vivemos ignorando-a, sem pensar muito com medo do sofrimento que esta verdade pode nos trazer.

Só assim conseguiremos compreender como encontramos pessoas que mesmo em meio a uma guerra, doença, falta de dinheiro, miséria, entre outros, são realmente felizes. Talvez seja porque as pessoas que mais sofrem são as que mais enxergam a vida e o que realmente importa nela. Essas pessoas conheceram a felicidade e as tem diariamente.

Felicidade existe, mas não vai ser nossas conquistas que a manterá em nosso íntimo. Pequenas doses diárias de alegria pode ser mais duradouras e constantes se conseguirmos ver em nós mesmos o sentido de estar vivo. Quanto mais nos conhecemos saberemos reconhecer os momentos que nos darão prazer e, consequentemente sentir a tão sonhada felicidade. Esteja atento, pode ser que seja feliz e não saiba disso, muitas vezes a gente procura fora o que está dentro.

Se o mundo fosse perfeito

A palavra perfeição nos dicionários significa “aquilo que tem qualidade máxima. Que não tem nenhum defeito. O mais bonito, o mais bem feito. Precisão, sem falhas, excelente, primoroso”, é claro que encontrar algo assim se tratando de seres humanos é impossível.

Mas e se o mundo fosse perfeito? Como ele seria? Depois dessa semana, de ver mais tragédias, mortes, situações que nos fazem questionar “por que o mundo está assim?”, cheguei a fantasiar esse lugar apenas com perfeição, talvez para fugir da triste realidade da qual faço parte. É sabido que os seres humanos buscam a fuga frente a qualquer dificuldade na vida, é mais fácil, nem por isso menos doloroso, mas é algo que todos fazem em diferentes momentos da vida.

Eu, como também sou gente, vendo por alto a atrocidade que um funcionário de uma creche fez com as crianças e professora em Minas, ateando fogo em seres tão indefesos, me fez querer fugir. Me neguei a ver os jornais, a ler as notícias na internet, tamanha a dor que senti por imaginá-las sofrendo, morrendo e a dor das suas famílias… Com certeza um sofrimento inenarrável. Triste demais. Não tenho palavras para descrever o que pode ter acontecido com este homem para tomar tal decisão.

Por isso quero hoje escrever sobre um mundo perfeito, irreal claro, mas nem que seja por esses minutos, quero me teletransportar para lá e se você quiser, leitor amigo, que venha comigo nessa viagem, que infelizmente depois teremos que regressar para o hoje…

No mundo perfeito ninguém iria ter que acordar cedo, a não ser que quisesse, poderia dormir sem temer o toque do despertador. Poderia se espreguiçar pela manhã, como um gato manhoso e só depois levantar para tomar um banho demorado e tomar um café da manhã daqueles que só temos em resorts.

No mundo perfeito todo mundo poderia usar a roupa que quisesse, sem ter que seguir regras sociais que classificam em social, esporte fino, esportiva, hippie, alternativa, blá blá blá… Se quisesse usar pijama o dia inteiro, ótimo! Pantufas seriam aceitas como sapatos de saltos!

No mundo perfeito o bonito seria o diferente, aquele que quisesse se diferenciar, mostrar algo único, nada relacionado apenas a estética. Cada pessoa buscando se conhecer ao ponto de se redescobrir e assumir sua vida, deixando para trás as imposições de alguns poucos que hoje pensam pela sociedade e a maioria segue sem ao menos questionar!

No mundo perfeito todas as pessoas teriam o que comer, o que vestir. Teriam moradia decente, água encanada, esgoto nas ruas e energia em suas casas. Teriam acesso a saúde de primeira qualidade. Ninguém morreria de fome. As cidades seriam limpas e seguras, as crianças poderiam andar tranquilamente de bicicleta nas ruas. Todos teriam onde estudar e realmente aprender. A distribuição de renda seria bem dividida.

No mundo perfeito as pessoas iriam gostar de ler, de aprender, de desenvolver a mente que, convenhamos, é o mais importante a se fazer. Os professores iriam ser respeitados, inclusive seria a profissão mais valorizada, visto que todos passam por pelo menos um em suas vidas. Eles teriam bons salários, não sofreriam ofensas e nem maus-tratos pelos alunos, nem teriam de educar os filhos dos outros, porque os pais seriam pais presentes.

No mundo ideal a natureza teria descanso. Poderia os animais viver felizes em seu ambiente sem temer a ação humana. Nenhuma roupa seria feita de pele de animais. Nenhum animal seria jogado nas ruas, todos teriam um lar, alimento e carinho de seus donos. Os lixos seriam reciclados e reaproveitados de diferentes formas. Os rios e mares seriam limpos. As árvores cresceriam por todos os lugares, as matas mantidas e preservadas. Uma convivência pacífica entre natureza e seres humanos.

Herança seria extinta. Ninguém teria necessidade de possuir nada, uma vez que todos teriam o que realmente necessitassem. Dinheiro poderia até existir, mas ele não indicaria ganancia, poder e soberba. Trocas seriam bem-vindas, se produzisse feijão poderia trocar por arroz ou café, por exemplo. Pão de queijo e chocolate poderia ser de graça, uma vez que faz bem para quem consome e gera um estado de felicidade instantâneo.

Todas as pessoas poderiam viajar, independente de qual meio de transporte. Todos conheceriam um pouco de tudo, desde a gastronomia às experiências culturais de todos os povos. A diversidade seria respeitada. As pessoas se sentiriam felizes pela história do povo da qual pertencessem. Não existiria países mais ou menos desenvolvidos. Na África aconteceria o encontro das Nações Unidas e todos os países seriam aceitos.

No mundo perfeito teriam representantes do povo, não sei se seria a democracia, mas ninguém receberia por isso. Cada pessoa teria sua profissão e sua renda e trabalharia para o povo por altruísmo. Seriam respeitados e admirados. A população teria orgulho de dizer que moravam em seus países e terem seus representantes. Não haveria corrupção. Todos pensariam no coletivo e esqueceriam de acumular dinheiro, por que o mesmo não teria o valor como conhecemos.

No mundo perfeito os países se respeitariam. Ninguém iria iniciar uma guerra contra outro povo, uma vez que todos fariam parte do mesmo grupo: dos humanos. Nenhum país iria jogar bombas contra outro, não iria expulsar pessoas de outras etnias, não iria ameaçar atear fogo ou xingar outro líder. As pessoas seriam civilizadas e educadas.

No mundo perfeito as pessoas poderiam confiar umas nas outras. Todos cumpririam a palavra dada, contratos não seriam necessários. Com certeza algumas profissões deixariam de existir, uma vez que entre as pessoas existiriam a união, o amor, o respeito, a paz e a dignidade. Talvez até eu tivesse de assumir outra função, psicólogos seriam necessários se as relações humanas ocorressem com amor? Acredito que não.

No mundo perfeito existiria a felicidade, o respeito, a generosidade, a doçura, a compreensão mútua. Nos jornais seriam noticiadas conquistas e grandes feitos. As crianças correriam felizes pelas ruas, não haveriam drogas e morticínios. A palavra racismo deixaria de existir nos dicionários. Ninguém morreria por ser da etnia x, pela orientação sexual ou por ser mulher, pobre ou qualquer outra “classificação” porque isso não teria importância alguma. Não existiriam casas para idosos, pois eles estariam com seus filhos e netos. Não existiriam orfanatos, presídios, nem seria necessário oferecer bolsas assistenciais ou cotas em universidades.

Haveria harmonia, equilíbrio, bonança, paz, amor e grande alegria na Terra. É duro ter que sair dessa fantasia e voltar para o agora, mas quem sabe, depois de experimentar vivenciar num lugar maravilhoso assim possamos fazer algo e mudar a realidade do agora? Boa sorte!

 

Quando só restar você

Muita gente desanima de continuar vivendo. Isso é mais comum do que se pode imaginar. Fatos acontecem, reviravoltas na vida, desilusões, relacionamentos doentios, doenças, perda de emprego e tantas outras coisas pequenas e grandes. A vida não mede a dosagem, não se preocupa com as consequências.

Quando isso acontece e acontece para todo mundo, cabe a cada um buscar uma força de superação dentro de nós mesmos. Isso é muito difícil. Animar, dar um sorriso, cantar uma linda canção… Parece tão simples não é? Mas não é quando o coração está triste, desanimado, desesperançoso.

De todos os fatos mais comuns, os relacionamentos são o que mais adoecem os seres humanos. Existe uma necessidade existencial de cada pessoa ser amada, quando isso não acontece, independente da idade, ocorre o adoecimento. Sentimentos como tristeza, melancolia, angústia, mágoa, raiva, cansaço e tantos outros se mantém como um vulcão prestes a entrar em erupção, unidos e revoltos por muito tempo podem levar a depressão.

Nesse último mês tantas pessoas falaram sobre o suicídio. Muita gente acha que é tão raro acontecer, mas acontece e acontece com frequência. Cada vez mais pessoas desistem da vida. O que é muito preocupante.

Se analisarmos friamente nossa sociedade e como vivemos nela já teremos muitas respostas. As relações estão superficiais, os pais não conseguem ou não querem ser pais. Os filhos carentes de atenção e afeto se tornam adultos frios e por sua vez deixam de dar atenção e carinho, isso vira um ciclo sem fim de relações frustradas e expectativas não supridas.

Raras exceções encontro famílias que conseguem dar aquilo que cada um precisa. O amor está morrendo. Os pais se preocupam mais em crescer profissionalmente para dar “o melhor” para seus filhos e seus filhos solitários em casa sonham com o melhor que seus pais poderiam lhe dar: presença, afeto e amor. Infelizmente os valores estão trocados, e as crianças, jovens e adultos se perdem no que realmente é importante.

Quando ouço jovens dizendo que não tem amor pelas suas vidas, que falta afeto e diálogo em suas casas, que quase não veem seus pais, que queriam mais união na sua família, fico pensando em como despertar esses pais para enxergar seus filhos. O tempo está correndo, a hora para resolver questões tão importantes é agora!

Dói demais ver alguém desistir da vida, mas eu consigo entender. Toda história que ouço, cada dor sentida, cada lágrima derramada e sentimentos destrutivos acumulados dentro de si tem um porquê tão grande que leva o fio da esperança embora. Como profissional na área da saúde mental preciso reconectar esse fio de esperança, de fé, de amor. Por maior que seja a tristeza, desistir de si mesmo é uma dor imensurável.

Cada pessoa que sente ou pensa nisso precisa ser ajudada. Não pense que seja apenas ameaças ou porque quer chamar atenção. Muitas vezes as pessoas chegam ao suicídio por conta da depressão. Infelizmente muita gente acha que depressão é falta disso ou daquilo, não se atentam ao sofrimento alheio, julgam sem compreender. Como falta empatia no mundo!

Se você conhece alguém que passa por isso, ajude, ouça, acolha, ame, dê suporte, mas não feche os olhos. Não se omita. Muita gente poderia ter sido ajudada no decorrer desses anos se a gente se importasse mais, se a gente se colocasse no lugar do outro pelo menos uma vez.

Para aquele que sofre, não desista. A vida por mais dura, por mais pesada e aparentemente cruel ainda assim vale a pena ser vivida. Procure ajuda, mas não silencie sua dor por noites a fio. Não engula suas lágrimas e não internalize tanta tristeza.

Porém, se um dia só restar você, se não puder contar com mais ninguém, saiba que dentro de cada um de nós há um poder de cura descomunal. Uma luz no meio de tanta neblina e não é preciso mais que o raio de luz para iluminar a escuridão da nossa existência.

Você é importante, é único, sua vida tem sentido e você deve acreditar nisso. Existe um dom que é só seu, descubra-o e ilumine o mundo com a sua luz!

A superação vem de dentro de nós

Não temos dias bons todos os dias, às vezes parece que os dias ruins são mais comuns do que pensamos. Se assistimos TV são notícias que nos deixam chateados, com medo, desesperançosos. Não importa se vem da televisão, das redes sociais, dos jornais ou de uma conversa informal, são problemas e dificuldades que não acabam mais.

Procurar uma luz no fim do túnel parece quase improvável. Fato é que as pessoas, muitas já, estão sem esperança e mudam-se de país, de casa, de escola, de trabalho, de relacionamento, procurando a paz e a tão sonhada felicidade. Quando podemos mudar simplesmente e isso resolve o problema, ótimo, mas e quando o problema está dentro de nós, mudar para onde se carregaremos para onde formos a nossa carga emocional?

Quando enxergamos que a dificuldade maior não está do lado de fora da gente nos deparamos com um impasse. Precisamos mudar algo dentro, e isso não dependerá de ninguém, nem do lugar que estivermos cercados. Faz parte da nossa humanidade vencer todos os obstáculos que a vida pode nos impor. E se estivermos vivendo um momento assim, de decisão é preciso saber de algumas coisas.

A primeira delas é que somos capazes de superar. Parece meio clichê, mas muita gente se vê pequena, fraca, incapaz de seguir em frente e se reerguer de qualquer dificuldade. Independente de quem somos, de onde vivemos e como vivemos, somos capazes de feitos grandiosos.

Um passo à frente está quem tem fé, quem crê, quem mantém a esperança viva, porque assim podemos ter uma atitude positiva frente às adversidades. Os fatos continuarão acontecendo, bons e ruins, mas como os veremos fará a diferença. E isso é algo que precisa ser transformado num hábito. Transformar o mal no bem requer mudança de percepção. O dia amanheceu chuvoso, é você que decide se será um dia bom ou ruim, por exemplo.

Outro ponto é reconhecer em nós a parte do divino, da criação, do universo. Sabemos que existimos e por isso só já deveríamos saber que a mesma força que foi capaz de criar tudo tem o poder de nos ajudar a vencer qualquer dificuldade e mais que isso, de possibilitar a realização dos nossos desejos.

Nossas emoções têm força e moldam nossos pensamentos e, tudo o que colocamos em evidência, através do que pensamos, mais cedo ou mais tarde chegará até nós. Infelizmente as pessoas pensam, envoltas de emoções das piores possíveis, em tudo, menos na superação, que será possível ter uma solução, mesmo que no momento possa parecer o contrário.

Carregamos emoções desnecessárias dentro de nós. Amores mal-acabados, raivas, mágoas, inimizades, palavras engasgadas, discussões inacabadas, revoltas, fracassos, falta de perdão e por ai vai… Com tanto lixo emocional fica difícil pensar em coisas boas. Sem nos darmos conta atraímos para nós todo tipo de azar, não porque é uma questão de sorte, nem de destino, mas do que oferecemos para o mundo.

Esvaziar-se é a chave para um reencontro com nós mesmos. Isso vale para tudo que está guardado por muito tempo se tornando um peso desnecessário nas nossas costas! Quem se esvazia pode se encher novamente e ai cabe avaliar com o que iremos nos nutrir, qual será o combustível para nossa vida? Não importa a idade que tivermos, sempre será possível recomeçar.

Fazer as pazes consigo mesmo é um bom caminho para encontrar a tal luz no fim do túnel. A superação de todos os problemas, acredite, está dentro de nós, mesmo que estejamos ainda desempregados, doentes ou solitários. Não importa os acontecimentos, se conseguirmos ver a força que temos e a fé que cultivamos, tudo é superado. Seremos capazes de enfrentar qualquer coisa com o olhar otimista, com a energia revigorada e com a esperança reavivada.

Morrer custa muito, que possamos morrer sim, mas para nossas miudezas, nossos preconceitos, nossos descasos, nossas mazelas. Mas morrer para a vida é como desistir de quem somos e no sentido que damos à ela. Qual é o meu dom? Por que eu estou aqui? Estou existindo ou sendo alguém nesse mundo? Questionar-se é sem dúvida a porta aberta para o autoconhecimento. Permita-se ser, se perder e se achar, encontrar-se consigo mesmo.

Nada que vem de fora tem o puder de curar-nos, mas o que está dentro sim. Você pode e deve, basta simplesmente tomar a decisão. Decida-se.

Somente cada um sabe a dor que sente

É muito fácil ouvir uma “receita pronta” quando relatamos algum problema que vivenciamos. Ouvimos tantas coisas, parece tão simples de ser solucionado, só que não é. “Esqueça isso. Vire a página. Não pense mais nisso. Confie em Deus. Siga em frente…” Mas as pessoas esquecem que não somos elas.

Cada um carrega em si a sua forma única de ver a vida e também os problemas que surgirão pelo caminho. Se uma pessoa vê como intransponível uma situação, provavelmente deve ser para aquela pessoa. Como ajudar então? Com certeza não é dar às pessoas a sua forma de ver o problema. O que é muitíssimo simples para mim não é para o outro.

Trabalhando com grupos terapêuticos percebo que é comum cada um falar das suas experiências e isso é muito enriquecedor, mas vale sempre ter o cuidado de não direcionarmos soluções que tivemos como se fossem o remédio para as dificuldades alheias. Nem mesmo desmerecermos o sofrimento dos outros porque, aos nossos olhos, nos parece mais fácil.

Somente cada pessoa sabe o peso que carrega e a dor que sente. Por mais empática que eu seja, ainda assim será difícil ver, sentir e vivenciar a experiência das outras pessoas. Mesmo assim, devemos sempre desenvolver a empatia, combater nosso egoísmo e todos os outros sentimentos que nos tornam menos humanos e, portanto, menos compreensivos com a realidade alheia.

Por que cada pessoa tem a sua dificuldade de lidar com os seus problemas? No decorrer da vida, quando cada situação nos traz uma adversidade é mais fácil seguir em frente sem realmente pensar e desmiuçar aquela dificuldade vivenciada. Por exemplo, diante de uma morte de um ente querido, uma pessoa pode se dopar para não sentir toda a tristeza daquela experiência ruim, com o passar dos dias o luto pode se tornar muito mais pesado, porque a realidade não foi sentida e vivenciada como deveria, mesmo que para isso sofresse demais, sem uso de medicamento.

Temos uma mania quase que comum a maioria das pessoas a nos acostumarmos com os pesos de problemas não resolvidos. Por não vivenciamos, vamos levando, seguindo em frente, muitas vezes motivados por conselhos das outras pessoas “Deixe isso pra traz”, mas o peso continua sendo carregado, a ferida continua aberta, a dificuldade te impede de avançar em outras situações na sua vida. Nos acostumando ao que nos faz mal, simples assim. A falta de reflexão na vida leva ao adoecimento. Vamos indo no automático até que muitas vezes a dificuldade a princípio psicológica se torna física.

Se cada um sofre, sente, vê e vive de forma única, como permear esse universo individual? A abertura está em cada pessoa. Por isso o processo terapêutico traz tanto resultado. É necessário que cada pessoa conhecendo a si mesma, através do autoconhecimento que pode ser adquirido com a terapia, por exemplo, é possível que possa relatar suas dificuldades ao ponto que a outra pessoa consiga lhe compreender por inteiro. Sem o consentimento e a fala é quase impossível conhecer e compreender o outro.

Como a pessoa sabe que precisa de ajuda? Uma hora vai acontecer. Uma hora a gente cansa de carregar o que não tem condições de suportar, uma hora a dor vem de forma intensa, quase desumana, uma hora até sentimos que vamos enlouquecer, surtar mesmo. O peito aperta, a garganta seca, o coração dispara, as pernas fraquejam, o corpo da sinal que não vai mais adiante, precisa de socorro.

Ao mesmo tempo que precisamos de ajuda, vivemos cada vez mais num mundo individualista onde não abrimos a oportunidade da compreensão do outro. Conversamos e nos importamos cada vez menos, de forma cada vez mais superficial, o que indica uma indiferença às dificuldades alheias. Perguntamos por exemplo a título da nossa curiosidade “E ai, já encomendou um filho?”, mas esquecemos de perguntar “Você está feliz com a vida que leva?” ou questionamos “E ai já foi promovido?” em vez de perguntar “Qual é o seu verdadeiro dom?”

Pelo que posso ver, analisando nossa realidade como um todo, cada dia mais nos importamos menos com o semelhante e priorizamos mais nossa vida no que diz respeito ao conforto que podemos ter. Ninguém sabe responder se a vida que leva é a que ele sempre sonhou, mas sabe dizer o que possui, como se as “coisas” fossem mais relevantes do que realmente somos. Quem eu sou? Que sentido tem a vida e qual o meu papel nela?

Para compreender melhor o outro é necessário que cada se compreenda, que fazendo perguntas obtenha respostas que dêem sentido a sua vida de uma forma mais ampla. Enquanto vivermos para alimentar apenas nosso ego não saberemos que podemos ser mais evoluídos, no que tange a nossa experiência do coletivo, ao sentimento de pertencimento da humanidade.

Enquanto isso não acontece, os consultórios de psicologia estarão sempre cheios de pessoas que, na falta de empatia dos outros, buscam alguém que possa lhes ver como realmente são, que lhes escuta com cuidado, respeitando suas dores e suavizando sua vida, tornando possível uma mudança que vem de dentro, que permita a busca da compreensão de si mesmos.

Acredite em você

Uma das maiores dificuldades do ser humano está na capacidade de acreditar em si mesmo. E não é por falta de conhecimento espalhado por ai em livros e pela internet a fora, não, não, temos uma quase necessidade de crer no que está fora de nós, talvez para justificar nossas escolhas, muitas vezes infelizes.

Cremos no que os outros falam, no que os jornais escrevem, no que a mídia mostra, mas somos muitas vezes incapazes de ouvir nosso coração, nossa intuição, perceber nossa força, nossa vontade, nossos sentimentos e pensamentos. Estamos a mercê de tudo que está fora de nós, isso é muito sério, isso nos distancia de nós mesmos.

Como psicóloga percebo que muitas pessoas sabem falar e falam das outras pessoas com naturalidade, optam sobre suas escolhas, seus relacionamentos, sobre suas roupas e atitudes, mas quando questionadas sobre elas mesmas não sabem dizer ou nunca pensaram sobre isso. Sobreviver desse jeito pode ser até mais fácil, porque viver de verdade requer responsabilidade sobre suas escolhas, e convenhamos ninguém quer ser responsável por nada. Pelo menos nossa sociedade nos mostra isso todos os dias!

Não importa quando descobrimos isso. Mais que quando é necessário descobrir que somos capazes de mudar nossa vida. Que dentro de cada um de nós existe a solução para nossos problemas, a determinação para superar os obstáculos, a cura de muitas doenças e principalmente, a certeza de quem somos e do que podemos fazer. Essa consciência pode acontecer hoje, com seus 6, 17, 25, 40, 70, 100 anos! Depende exclusivamente de você.

Acredite que você é capaz de superar medos, fobias, síndromes de Pânico e tantas outras doenças. Não desista de vencer a cada dia seus monstros internos. Ninguém, além de você, pode acabar com toda essa ansiedade que te ronda dia e noite, que leva seu sono, sua tranquilidade, a sua paz.

Acredite que você é capaz de superar toda perda, seja de entes queridos ou de relacionamentos. Você é maior que qualquer tristeza, qualquer depressão. Ninguém nunca vai sentir a dor que seu coração tanto sente, a não ser você mesmo. E por isso mesmo você é capaz de sofrer e se refazer das suas próprias cinzas.

Acredite, você é capaz de superar qualquer adversidade, seja financeira ou doença. A cada dificuldade vencida você se torna mais sábio e forte para superar as outras que ainda virão, porque faz parte da vida enfrentar todo tipo de problema e você está aqui e precisa seguir firme na sua jornada, independente se vai cair, quantas vezes terá de levantar, mas a certeza de seguir cada dia de cada vez no seu ritmo, no seu compasso.

Acredite que você é capaz de grandes feitos, de revolucionar a ciência, de escrever grandes livros, de trabalhar e ser reconhecido, de formar uma família, de ser um grande atleta, de vencer inúmeras batalhas e superar qualquer limitação. Porque você é capaz, porque cada ser humano é único. Se torna merecedor aquele que acredita em si, no seu talento, no seu dom, na sua perseverança.

Então pare de buscar fora sua felicidade, grande ou pequena ela está ai dentro de você. Quando você começar a acreditar na sua imensurável capacidade de vencer, de superar, de conquistar, de surpreender, de inovar, de reinventar, de amar, de ser você mesmo, a vida muda, o mundo muda, porque antes de tudo a mudança aconteceu dentro de você.

Eu sei que é mais fácil ouvir conselhos, ouvir do outro o que fazer para resolver os problemas das nossas vidas, mas nada na vida é como receita pronta, o que serve pra mim dificilmente servirá para a outra pessoa, então cada um deve buscar na fonte inesgotável que existe dentro de si. Somos ilimitados e cheios de potencialidades ainda desconhecidas, enquanto ouvirmos os outros não iremos conhecer o que carregamos dentro de nós.

Como disse Carl Jung, “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”, é preciso despertar dessa forma que vivemos e olharmos mesmo para dentro de nós. É claro que muitas vezes é preciso uma ajuda e ai entra o meu trabalho como psicoterapeuta, mas, mesmo assim, eu apenas sou uma mera espectadora, o protagonista será cada pessoa que estiver disposta a abrir bem os olhos e enxergar além do conformismo e das lentes sujas que as outras pessoas nos emprestam e das quais usamos sem questionar.

Quem tiver coragem para tanto nunca mais irá retroceder, um olhar que seja é suficiente para ir cada vez mais fundo em busca do autoconhecimento. Quem se conhece sabe que mesmo caindo vai se levantar, porque reconhece a força que tem e a capacidade de vencer qualquer situação, por mais difícil que possa parecer. Uns a chamam de Deus, outros de felicidade, outros de força interior, alguns de subconsciente, uns de intuição, etc., não importa o nome, o importante é saber da sua existência e do que ela é capaz de fazer por você. Acredite!

Por que muitos casamentos estão acabando?

Seria mais fácil explicar a lei da gravidade que analisar todos os alicerces dos quais o amor se mantém. É notório que muitos casamentos têm acabado com grande facilidade e encontrar uma pessoa que queira algo mais sério tem diminuído a cada dia. Por que será?

Um dos graves problemas está antes de iniciar um relacionamento sério. Muitas pessoas ficam angustiadas por não conseguirem se casar até uma determinada idade, essa é uma questão que apressa as escolhas e infelizmente faz com que muita gente se case no desespero o que não vai trazer felicidade conjugal.

É comum para nossa sociedade considerar um parceiro como um grande prêmio para combater a solteirice, como se isso fosse garantia da tão sonhada felicidade, mais uma vez a cobrança externa nos faz errar nas escolhas íntimas da nossa vida. A pressão às vezes é tão grande que alguns preferem aceitar estar ao lado de qualquer pessoa sem conhecer realmente quem é.

As pessoas precisam entender que não se casar ou não ter filhos não indica fracasso pessoal. É algo que está acontecendo no momento, o que também não quer dizer que em outra situação na vida não encontre uma pessoa capaz de despertar essas vontades em seu coração.

Outras pessoas já se conformaram em ter um parceiro sem sentir amor, carinho ou nem mesmo respeito. É bastante improvável que uma pessoa ame várias vezes na vida, a paixão sim pode acontecer mais vezes e acaba na mesma intensidade que inicia. Por isso deve-se aproveitar as poucas oportunidades para realmente sentir o amor verdadeiro.

A maioria das pessoas que relacionamos não nos oferecem muito, cada vez mais magoadas e ressentidas ou até mesmo vazias, são incapazes de ter valores que seriam essenciais para durabilidade de uma relação. O olhar está no exterior, o interior passa despercebido e pouco atrai os solteiros de hoje em dia. Malha-se muito os músculos, mas são extremamente frágeis e encurtados os sentimentos. Cuida-se da pele, do cabelo, do abdômen, retira-se gorduras indesejáveis, mas o coração está cada dia mais amargurado, um depósito ambulante de mágoas e recordações traumáticas que impossibilitam o surgimento de um sentimento como o amor.

Ao mesmo tempo que se acumula todo o tipo de ressentimentos, não se preenche com o que realmente importa. O que você acredita? Que sentido tem a vida pra você? Que valores são os que regem sua vida? Perguntas assim não passam pelas vozes espalhadas por ai, isso me preocupa muito. Casa-se pelo corpo malhado. Casa-se para fugir do convívio familiar. Casa-se pela conta bancária. Casa-se pelos lugares que você poderá ir. Casa-se pela beleza exterior. Mas raramente vejo as pessoas se casarem pelos sonhos semelhantes, pelos objetivos em comum, pelo que realmente admiram um no outro.

Isso reduz significativamente as possibilidades de que uma pessoa ser feliz. Estar bem acompanhado é muito mais do que dizer que está com alguém. Muitas pessoas estão sempre com alguém, isso é muito fácil de conseguir, basta sair um dia e terminar a noite com uma moça/rapaz ao seu lado, mas poucas estão acompanhadas com pessoas que acrescentam algo, que venham a somar, que queiram partilhar sua vida, não apenas seu corpo.

Quando uma pessoa está disposta a encontrar alguém para compartilhar uma vida juntos precisa de uma boa autoestima. Depois de vários fracassos e tristezas com relacionamentos que não deram certo é imprescindível ter uma autoestima bem estruturada para compensar toda a falta de sorte das experiências anteriores que foi vivenciada, porque caso contrário nos fecharemos como ostras sem dar chance para novos relacionamentos.

É preciso tomar cuidado para não se tornar um depósito de lixo, muitas pessoas depositam suas carências ou defeitos nos seus parceiros. Encontrar a companhia que você deseja depende de como você está em relação a sua autoestima e de não diminuir suas expectativas, saber o que se quer e o valor que se tem não pode ser deixado em segundo plano.

Já escrevi muitas vezes que o amor romântico está em desuso, até ridicularizado, e isso gera problemas difíceis para aqueles que sonham em encontrar alguém para amar e ser amado. A descrença leva a falta de fé, na vida, nas pessoas, nos sentimentos. Quem não acredita em nada como pode desejar ser amado?

Há várias pessoas que não sabem diferenciar um amor verdadeiro de um amor tóxico, que não são capazes de amar ou que simplesmente generalizam suas frustrações e a projetam nos demais, mas isso não transforma todas as experiências em um trauma. Cada pessoa é única e a chance sempre é grande a cada recomeço de ser feliz.

Por isso antes de iniciar qualquer relacionamento mais sério tome cuidado com suas escolhas, avalie aquilo que é importante para você, não se iluda com mudanças após o casamento, realmente muda-se muito, mas de outra forma. Muitos defeitinhos serão revelados, mas transformação de caráter, por exemplo, não vai acontecer.

Quem está num casamento e agora sente insatisfação deve avaliar bem seus sentimentos e os do parceiro também. Muitas vezes enfrentar dificuldades conjugais é muito natural e comum. É preciso maturidade para contornar e superar as adversidades. A verdade é que muita gente não tem paciência de tentar, de querer resolver, no primeiro obstáculo já desiste e deixa a fila andar, sem saber que no outro relacionamento o mesmo acontecerá, até que aprenda a resolver seus problemas internos que afetam qualquer relação que tiver.

Ninguém nunca dirá que um casamento será fácil, mas será mais feliz o casal que encontrar no outro um pouco de si mesmo. Uma relação é compartilhamento de alegrias e tristezas, de vitórias e derrotas, de saúde e doença, de harmonia e desentendimentos. Estar ao lado só quando tudo está indo a mil maravilhas é tremendamente fácil, mas enfrentar todas as adversidades da vida ao lado de uma outra pessoa requer paciência, tolerância, compreensão e muito amor.

Acredito que até para os mais céticos, ninguém inicia um casamento pensando em se separar, por isso lutar pela sua manutenção seja um grande desafio diário. Mas tudo tem que ser recíproco, os dois lados devem ceder. O amor tóxico mata tudo a sua volta e esse sentimento não mantém casamento algum, aprenda a diferenciar.

Todos sonham em ter alguém ao seu lado para compartilhar uma vida feliz, mas quem ainda está na busca saiba atentar-se a olhar o que é invisível aos olhos. Saiba o que é importante para você e sempre esteja atenta para ver no outro parte dos seus sonhos, quem chega pra somar fica, mas quem chega pra tirar, não deve nem entrar.

É preciso se reinventar todos os dias

Acredito que de todas as maiores dificuldades que o ser humano tem é estar motivado todos os dias. Acordar e ver tudo azul, azul da cor do mar não é nada fácil, nem para quem mora de frente para a praia.

A vida tem seus altos e baixos, e por vezes parece que anda mais em baixo que em cima, manter o otimismo, o entusiasmo, acreditar que tudo ficará bem no final demanda uma força extraordinária.

Existem pessoas capazes de lidar com as adversidades de forma bem diferente das demais. O que nós, seres mortais fazemos? Reclamamos, depois lamentamos, depois resolvemos os problemas, quando dá para resolver e se não der empurramos com a barriga, lá na frente nos tornamos ressequidos, magoados e frios como uma boa ferradura velha.

Qual o segredo então? O que essas pessoas motivadas fazem que eu não faço? Eu sei que essas perguntinhas batem ai na sua cabeça de vez em quando, gerando um desconforto quase como uma enxaqueca chata depois de ingerir muito álcool.

As poucas pessoas motivadas também se desmotivam sabia? Não existe um ser humano nesse mundo que não se abale com as dificuldades que enfrenta, a diferença está em como elas veem os problemas.

Não existe problema insolúvel, mas quando ele acontece, dependendo de como estamos (estado mental e físico) encaramos de uma forma positiva ou terrivelmente negativa. Os problemas sempre existirão, para ricos e pobres, do ocidente e do oriente, não importa onde e quem somos. Eles virão.

É importante termos dentro de nós algumas competências que nos auxiliarão muito como a fé, a esperança, a gratidão, a resiliência, a paciência, o dinamismo, a paz e o amor. São esses sentimentos que nos tornarão capazes de ver os problemas sobre outro prisma.

Cada vez que surge alguma adversidade somos testados em nossas habilidades, é necessário sair da zona de conforto e tentar mais uma vez alguma coisa que nos é desconhecida, e isso nos torna mais fortes e maduros frente a vida.

Quando surgir alguma dificuldade como problemas financeiros, doenças, dificuldades emocionais, desafios no trabalho, problemas de relacionamentos, perdas significativas entre outros, acredite, dentro de você há uma grande capacidade de superação, e você não precisa ser otimista para crer nisso, apenas confiar em você.

Todos precisam se reinventar de alguma forma em algum momento da vida. Pode acontecer tantas coisas…  E acontecem. E se não podemos mudar o que é imutável, então devemos aprender com ela como devemos ser.

A vida não é ruim, não é maquiavélica, não é injusta e nem seletiva. Pelo contrário, ela está aqui para cada um de nós, oferecendo o mesmo para todos, todos os dias. Cabe a cada um buscar sua forma de vê-la, as dificuldades existirão, se não aprendermos pelo amor, seremos submetidos a dor, mas não pela vida, mas por nós mesmos, por nossas escolhas e nosso conformismo.

Um pássaro, por exemplo, quando está repousando em uma árvore nunca teme que o galho se quebre, mesmo que isso possa acontecer, pode ter apodrecido, pode vir um vento forte, ou outra coisa pior, mas sua confiança não está no galho, nem mesmo na árvore, mas na sua capacidade de voar, está nas suas asas.

Mesmo que a maioria das pessoas lhe digam o contrário, mesmo quando não ver uma luz que seja no fim do seu túnel, mesmo que as possibilidades estejam se findando, ou até quando os outros lhe tirarem o fio da esperança, confie em você, existe uma força enorme dentro de cada um de nós, é preciso despertar e ver. Acredite em você e se reinvente quantas vezes for necessário, você é capaz!