Se o mundo fosse perfeito

A palavra perfeição nos dicionários significa “aquilo que tem qualidade máxima. Que não tem nenhum defeito. O mais bonito, o mais bem feito. Precisão, sem falhas, excelente, primoroso”, é claro que encontrar algo assim se tratando de seres humanos é impossível.

Mas e se o mundo fosse perfeito? Como ele seria? Depois dessa semana, de ver mais tragédias, mortes, situações que nos fazem questionar “por que o mundo está assim?”, cheguei a fantasiar esse lugar apenas com perfeição, talvez para fugir da triste realidade da qual faço parte. É sabido que os seres humanos buscam a fuga frente a qualquer dificuldade na vida, é mais fácil, nem por isso menos doloroso, mas é algo que todos fazem em diferentes momentos da vida.

Eu, como também sou gente, vendo por alto a atrocidade que um funcionário de uma creche fez com as crianças e professora em Minas, ateando fogo em seres tão indefesos, me fez querer fugir. Me neguei a ver os jornais, a ler as notícias na internet, tamanha a dor que senti por imaginá-las sofrendo, morrendo e a dor das suas famílias… Com certeza um sofrimento inenarrável. Triste demais. Não tenho palavras para descrever o que pode ter acontecido com este homem para tomar tal decisão.

Por isso quero hoje escrever sobre um mundo perfeito, irreal claro, mas nem que seja por esses minutos, quero me teletransportar para lá e se você quiser, leitor amigo, que venha comigo nessa viagem, que infelizmente depois teremos que regressar para o hoje…

No mundo perfeito ninguém iria ter que acordar cedo, a não ser que quisesse, poderia dormir sem temer o toque do despertador. Poderia se espreguiçar pela manhã, como um gato manhoso e só depois levantar para tomar um banho demorado e tomar um café da manhã daqueles que só temos em resorts.

No mundo perfeito todo mundo poderia usar a roupa que quisesse, sem ter que seguir regras sociais que classificam em social, esporte fino, esportiva, hippie, alternativa, blá blá blá… Se quisesse usar pijama o dia inteiro, ótimo! Pantufas seriam aceitas como sapatos de saltos!

No mundo perfeito o bonito seria o diferente, aquele que quisesse se diferenciar, mostrar algo único, nada relacionado apenas a estética. Cada pessoa buscando se conhecer ao ponto de se redescobrir e assumir sua vida, deixando para trás as imposições de alguns poucos que hoje pensam pela sociedade e a maioria segue sem ao menos questionar!

No mundo perfeito todas as pessoas teriam o que comer, o que vestir. Teriam moradia decente, água encanada, esgoto nas ruas e energia em suas casas. Teriam acesso a saúde de primeira qualidade. Ninguém morreria de fome. As cidades seriam limpas e seguras, as crianças poderiam andar tranquilamente de bicicleta nas ruas. Todos teriam onde estudar e realmente aprender. A distribuição de renda seria bem dividida.

No mundo perfeito as pessoas iriam gostar de ler, de aprender, de desenvolver a mente que, convenhamos, é o mais importante a se fazer. Os professores iriam ser respeitados, inclusive seria a profissão mais valorizada, visto que todos passam por pelo menos um em suas vidas. Eles teriam bons salários, não sofreriam ofensas e nem maus-tratos pelos alunos, nem teriam de educar os filhos dos outros, porque os pais seriam pais presentes.

No mundo ideal a natureza teria descanso. Poderia os animais viver felizes em seu ambiente sem temer a ação humana. Nenhuma roupa seria feita de pele de animais. Nenhum animal seria jogado nas ruas, todos teriam um lar, alimento e carinho de seus donos. Os lixos seriam reciclados e reaproveitados de diferentes formas. Os rios e mares seriam limpos. As árvores cresceriam por todos os lugares, as matas mantidas e preservadas. Uma convivência pacífica entre natureza e seres humanos.

Herança seria extinta. Ninguém teria necessidade de possuir nada, uma vez que todos teriam o que realmente necessitassem. Dinheiro poderia até existir, mas ele não indicaria ganancia, poder e soberba. Trocas seriam bem-vindas, se produzisse feijão poderia trocar por arroz ou café, por exemplo. Pão de queijo e chocolate poderia ser de graça, uma vez que faz bem para quem consome e gera um estado de felicidade instantâneo.

Todas as pessoas poderiam viajar, independente de qual meio de transporte. Todos conheceriam um pouco de tudo, desde a gastronomia às experiências culturais de todos os povos. A diversidade seria respeitada. As pessoas se sentiriam felizes pela história do povo da qual pertencessem. Não existiria países mais ou menos desenvolvidos. Na África aconteceria o encontro das Nações Unidas e todos os países seriam aceitos.

No mundo perfeito teriam representantes do povo, não sei se seria a democracia, mas ninguém receberia por isso. Cada pessoa teria sua profissão e sua renda e trabalharia para o povo por altruísmo. Seriam respeitados e admirados. A população teria orgulho de dizer que moravam em seus países e terem seus representantes. Não haveria corrupção. Todos pensariam no coletivo e esqueceriam de acumular dinheiro, por que o mesmo não teria o valor como conhecemos.

No mundo perfeito os países se respeitariam. Ninguém iria iniciar uma guerra contra outro povo, uma vez que todos fariam parte do mesmo grupo: dos humanos. Nenhum país iria jogar bombas contra outro, não iria expulsar pessoas de outras etnias, não iria ameaçar atear fogo ou xingar outro líder. As pessoas seriam civilizadas e educadas.

No mundo perfeito as pessoas poderiam confiar umas nas outras. Todos cumpririam a palavra dada, contratos não seriam necessários. Com certeza algumas profissões deixariam de existir, uma vez que entre as pessoas existiriam a união, o amor, o respeito, a paz e a dignidade. Talvez até eu tivesse de assumir outra função, psicólogos seriam necessários se as relações humanas ocorressem com amor? Acredito que não.

No mundo perfeito existiria a felicidade, o respeito, a generosidade, a doçura, a compreensão mútua. Nos jornais seriam noticiadas conquistas e grandes feitos. As crianças correriam felizes pelas ruas, não haveriam drogas e morticínios. A palavra racismo deixaria de existir nos dicionários. Ninguém morreria por ser da etnia x, pela orientação sexual ou por ser mulher, pobre ou qualquer outra “classificação” porque isso não teria importância alguma. Não existiriam casas para idosos, pois eles estariam com seus filhos e netos. Não existiriam orfanatos, presídios, nem seria necessário oferecer bolsas assistenciais ou cotas em universidades.

Haveria harmonia, equilíbrio, bonança, paz, amor e grande alegria na Terra. É duro ter que sair dessa fantasia e voltar para o agora, mas quem sabe, depois de experimentar vivenciar num lugar maravilhoso assim possamos fazer algo e mudar a realidade do agora? Boa sorte!

 

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