Desperte a mulher em você

Você deve estar ai se perguntando? Como mulher, como posso despertar o que sou? Esta é uma boa pergunta e deve ser questionada inúmeras vezes até obter uma resposta satisfatória.

Nasci na década de 80. Não fui uma mulher que nasceu depois da guerra, não vivenciei o início dos movimentos feministas, não queimei sutiãs nas ruas ou desfilei de peito aberto nas avenidas. Não venho aqui falar sobre isso, não quero defender causas, mas as mulheres, falar, pensar sobre elas.

Lembro bem que sempre fui uma rebelde, nas roupas, atitudes e pensamentos. Desde a minha adolescência. Trago alguns resquícios dessa época como usar as roupas que quero sem seguir padrões, as combinações são minhas, as escolhas também, a aversão a uniformes, a vontade de estar sempre mudando, a decisão do que quero ser e fazer, me incomoda a rotina e os padrões estabelecidos para as mulheres.

Me incomoda uma mulher ser somente um corpo bonito, existe muita coisa por trás disso. Não é possível que as mulheres, uma vez na vida não pense nisso, não lhe cause estranhamento a forma que somos tratadas, que somos infantilizadas e diminuídas. Eu acredito que uma hora aconteça isso para todas.

Não posso e não aceito ser resumida a ser um sexo frágil, a ser um corpo que somente é visto para agradar os padrões de uma sociedade machista. Por esses dias tenho visto muita crítica aos movimentos feministas, li até que mulheres não sofrem preconceito nas empresas em questão de vagas e salários! O que é uma tremenda mentira! Não gosto de radicalismo, por isso sei que muita gente se aproveita de movimentos para diminuir e enfraquecer ainda mais alguma classe.

Como sempre, prefiro o caminho do meio. Sem exageros, sem mimimi´s, mas lúcida quanto a realidade que me cerca. E infelizmente existe sim, a desigualdade dos gêneros. Mas mais importante que reivindicar direitos é a mulher tomar consciência de si mesma.

A partir do autoconhecimento é possível que cada mulher não aceite o que não lhe convém e assuma de vez a sua vida como autora e não como coadjuvante.

É triste demais olhar para o que muitas mulheres se tornaram nos dias atuais. Uma decadência. Ser o que somos de verdade é resgatar a nossa força, a nossa intensidade, a nossa garra, a nossa determinação, o nosso eu. E eu tenho certeza que nós não somos apenas um corpo vestido com um pedaço de pano que mal cobre as partes íntimas, somos mais que um corpo malhado, somos mais que beber e cair para parecermos homens, somos mais que rebolados até o chão, não somos uma parte do nosso corpo, mais que falar sobre assuntos fúteis e que não aguçam nossa inteligência. Somos completas.

É preciso despertar. Acordar desse pesadelo de existência moral. Podemos ser rebeldes e lutarmos pelo que acreditamos, mas longe do que estamos vendo. Temos percepções aguçadas, espíritos divertidos, somos devotas, curiosas, dotadas de grande resistência e força. Somos profundamente intuitivas, temos grande preocupação pelos nossos filhos, familiares e amigos. Somos mutantes, corajosas e vorazes. No entanto, somos perseguidas e acossadas por esta sociedade e pior, nos permitimos ser o que ela determina como “correto” ou “politicamente aceitável”.

É possível ser forte e determinada usando blusa de bolinhas, vestido estampado de corações, laços no cabelo, batom nos lábios. Do mesmo jeito não é porque você usa calças jeans, jaquetas de couro, botas nos pés e não gosta de pintar o cabelo que não seja feminina. É possível ser mulher sendo quem você é. Cada mulher deve buscar sua forma de vestir, de ser, de pensar. Não existe certo, não existe padrão, não existe politicamente correto.

É difícil desconstruir uma fantasia, uma ilusão, uma mentira maquiada de verdade por anos. Desperte, pode ser hoje com 7 anos, com 10, 15, 20, 30, 40, 50, …, 90, mas desperte. Não deixe de reconhecer tudo o que somos, a essência da nossa existência, o valor que temos para nós, para os que amamos e principalmente para mundo.

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