O essencial fica

Quantos de nós por vezes questionamos a vida, por que momentos tão maravilhosos acabam rápido demais? Sentimos que lugares, pessoas, sensações, instantes, que nos fizeram grande bem estar tem uma curta duração.

Na verdade toda essa sensação é provocada por nós mesmos, pela nossa forma de viver a vida. Não sabemos viver. Priorizamos tudo aquilo que tem pouca ou nenhuma importância, esquecemos das que deveriam estar no item 1 de prioridade.

Esquecemos da nossa família, esquecemos dos nossos filhos, esquecemos dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos irmãos, dos nossos primos. Esquecemos dos amigos. Esquecemos dos animais e da natureza. Esquecemos simplesmente.

Lembramos de pagar as contas, de trabalhar, de juntar dinheiro, de comprar um carro, de comprar uma casa, de comprar um rancho, de comprar um apartamento, de comprar roupas, comprar… Adquirir… Juntar…Ter… Possuir…

“O essencial é invisível aos olhos” já dizia o Pequeno Príncipe. Tudo de mais importante na vida não dá para comprar num cartão de crédito. Não dá para juntar rios de dinheiro e pagar num futuro próximo. Não tem valor comercial, não tem fatura, não tem cifras.

O essencial é aquilo que sentimos, o que guardamos no coração, que provoca grandes sorrisos, que gera nostalgia, que nos preenche os dias. São as lembranças de momentos felizes. São as sensações de abraços reconfortantes e beijos carinhosos. São cheiros de comidinha feita pela mãe, de perfume do amor que estava longe. São sons de palavras doces, de músicas que remetem a pessoas queridas, a momentos alegres.

Eu sei que tudo isso que escrevi não gera nenhum frisson, estamos acostumados a viver no automático, de aparência, de esquecimento e frieza. O amor está fora de moda. As pessoas não se importam mais. Não valorizam uns aos outros. O que temos é mais importante do que somos. Tudo está virado do avesso. Falta empatia, falta doçura, falta respeito.

Os pais ensinam valores errados. A sociedade estimula a segregação. Os países querem guerra. As religiões distanciam as pessoas. A paz não parece existir. Nem as crianças que pareciam criar dentro das pessoas algum sentimento, não comovem mais. As pessoas querem ver matar e ver cair, e se puder ajudar melhor. É uma grande arena de todas as atrocidades, raras exceções alguns se chocam.

Eu pertenço a esse pequenino grupo. Me recuso a viver assim. Prefiro a exceção, prefiro as pessoas, prefiro o abraço, o aperto de mão, o olho no olho, os sorrisos, os laços, as amizades. Eu ainda prefiro o amor, a paz e a doçura. Eu prefiro ser uma sonhadora otimista que reconhecer que vivo num lugar onde não me encaixo. Nem em ideias, nem em valores.

Por isso é mais fácil ter mais momentos felizes do que esperar todas as sextas-feiras ou as tão sonhadas férias. Não espero o fim de semana para ser feliz, para fazer o que me dá prazer. Não espero conhecer outras pessoas, sou feliz com as que já tenho na minha vida. Prefiro criar laços duradouros, promover momentos únicos e garantir grandes e constantes alegrias durante todos os meus dias.

Só sei que o essencial fica. Vale a pena. Guardo comigo todas as experiências maravilhosas. No meu coração guardo lembranças valiosas, sem preço, raridades. E vou seguindo assim. Aproveitando o melhor que a vida me oferece, sem criar expectativas nas pessoas, mas tendo uma grande fé em Deus e na vida.

 

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