Por que os feriados são essenciais?

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Não é novidade para ninguém que a nossa cultura valoriza a falta do tempo, quem nunca ouviu que não ter tempo é sinônimo de uma pessoa extremamente importante? Verdade é que uma vida ocupada demais não tem tempo para o que realmente vale a pena viver.

Quantos profissionais bem sucedidos, mas com relacionamentos em destroços? Quantos pais e mães bem sucedidos nas empresas que atuam e em casa seus filhos recebem migalhas de afeto? Quantas pessoas vivem assim? Inúmeras, existem frases para tornar “normal” tal atitude como “não podemos ter tudo” ou “sucesso no trabalho, azar no amor” e por ai vai.

Quando encontramos amigos, conhecidos e familiares, como quem diz “hoje vai chover”, recebemos a seguinte resposta quando questionamos porque estão sumidos “está faltando tempo” ou “o tempo anda corrido demais”… E vivemos esperando esse tempo surgir para reencontrar quem amamos, preocupar com quem realmente importa, rever os amigos, educar nossos filhos…

E ai vivemos para esperar a sexta-feira que indica que os outros dias serão de descanso, mas não serão! Porque logo perguntamos “o que vamos fazer nesse fim de semana?” e “Nesse feriado?” Tais respostas já indicam a ansiedade que nos parece nata. Temos uma incrível necessidade de preencher as pausas que a vida nos dá. Temos um medo absurdo de um encontro com nós mesmos e um horror a solidão!

A pausa não é só um intervalo que a vida nos impõe, mas é também um resgate do aqui, do agora, é um despertar da nossa escravidão inconsciente ao tempo psicológico. Nós sofremos pela nossa ansiedade, daquilo que ainda vai vir, sofremos por um futuro incerto, que pode ser bom, que pode ser ruim, ao mesmo tempo sofremos pela culpa do que fizemos, dos erros, sentimos arrependimentos, remoemos feridas, despertamos tristezas e amarguras passadas. Não perdoamos. Por isso ou estamos no futuro, ou estamos no passado, mas nunca no agora, esse é o nosso grande erro.

A vida necessita de pausas, veja os exemplos. A noite é uma pausa do dia, o inverno é uma pausa do verão, a morte é uma pausa da vida. Pausar é equilibrar o corpo com a alma, não é apenas para cumprir uma legislação trabalhista ou seguir um ritual bíblico, pausar é fundamental para nossa saúde. Quando algo está pausado significa que a vida vai ressurgir logo depois, como quem poda uma planta e em breve terá uma árvore frondosa.

Pare um minuto (se conseguir desligar o botão) e olhe em volta. O que você vê? O meio ambiente e a terra imploram por uma folga, os rios suplicam por um banho, as colinas estão com olheiras, as cidades necessitam de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado, os animais carecem de atenção e afeto, as pessoas rogam por ajuda, a vida postula que possamos fazer algo contra as mazelas desse mundo (fome, guerra, miséria, drogas, mortes, pedofilia, lixos…). E nós? O que fazemos?

Nos dias atuais a pausa é preenchida por diversão e alienação. Vamos deixar algo bastante claro: Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E essa nossa incapacidade de parar é algo preocupante. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições, tentando preencher o vazio que nós mesmos criamos.

Quem nunca chegou no fim de um feriado e teve a sensação de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos postadas no Instagram. Quantos de nós criamos uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho da infelicidade para os outros?

Tudo é tão vazio, fútil e descartável que dá medo! Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos. Isso me assusta!

Veja bem, parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair, mas de ser atencioso consigo mesmo e com sua vida. Lutamos contra o envelhecimento, mas quem nos mata (e envelhece) cada dia mais é a nossa vontade de preencher todo o tempo, que já é curto, com inúmeras atividades que só acumulam pesos desnecessários à nossa vida!

Importante como uma vitamina no corpo, a pausa é necessária. Através do silêncio, da serenidade, da meditação e da leveza podemos interromper algo que tinha sido iniciado para lhe dar como concluído. É a pausa que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido às nossas experiências de vida. As pessoas não sabem fechar os ciclos, por isso devemos aprender. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar. Bom feriado!

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