Sinto saudades

incerteza (1)

 

Olho para você e vejo uma história linda que não foi contada. Às vezes penso em você e sinto saudades do que a gente não viveu. Quantos amanhãs poderiam ser diferentes, quantos dias poderiam ser reinventados?!

As manhãs de sábado em que acordávamos famintos e íamos descabelados até o café do posto de esquina comer um pão com manteiga e café expresso. Ficávamos mergulhados em nossos silêncios olhando um para o outro.

Esses silêncios que nunca existiram, essas manhãs que nunca se deram. Afogadas na pressa de entrar num carro antes mesmo do sol nascer.

Sinto falta da nossa caminhada na orla, em que parávamos para ver o mar ou conversar com um amigo em comum que nunca tivemos. E deitávamos na areia só para tomar um sol no rosto e respirar o cheiro um do outro um pouco mais.

Sinto saudade quando éramos surpreendidos pelas crises bobas de risos, dos assuntos desconexos, dos achismos e de máximas que você sabia falar e não disse.

Lembra quando éramos surpreendidos com um cachorrinho nos jogando areia e pulando a nossa volta, nos convidando para brincadeiras e nos desvendando as gargalhadas que já estavam prontas e só procurando um pretexto para irromperem? Entorpecidos e vibrantes. Virávamos crianças. As crianças que nunca fomos.

Sinto falta de todos os nossos sonhos, da nossa casa, da nossa vida, de como partilhamos nossa intimidade por toda a vida que ainda não tivemos.

Às vezes penso em você e sinto saudades do que a gente não foi. Nosso amor teve o peso dos adultos, já nasceu grande demais, nasceu perigoso, estressado, cansado. Uma bonita vontade no campo dos medos e das obrigações, uma bonita energia no campo dos orgulhos.

Nosso amor nasceu em meio a uma guerra, numa hora errada. Nosso amor escondido nas madrugadas, nas linhas melancólicas dos poemas, na tristeza de saber que nunca conhecerá essas manhãs encantadoras de sábados. Que pena!

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