Sobre o Filme “O Pequeno Príncipe”

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Eu era criança quando li pela primeira vez “O pequeno Príncipe”, naquela época algumas coisas pareciam intuitivas, mas com o tempo tudo foi fazendo sentido e comecei a compreender os ricos significados que o livro traz.

A obra “O Pequeno Príncipe” foi publicada originalmente em 1943 pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. Ele próprio era piloto, assim como o personagem de seu livro. Exupéry morreu apenas um ano depois de lançar o livro, numa missão francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Nem sonhava com o sucesso que sua obra faria. Ela emociona pessoas há 70 anos, o livro foi traduzido para mais de 250 línguas e dialetos. No Brasil, vende 300 mil exemplares por ano.

O livro conta a história de um principezinho que morava num asteroide longínquo, o B612. Ele sai em uma viagem pelo universo, conhece pessoas que até hoje poderemos facilmente reconhecer, e por fim chega a um deserto aqui na Terra, onde conhece um piloto cujo avião está encalhado na areia, uma cobra e uma raposa.

O Aviador escuta as histórias que o pequeno viajante tem para contar e relembra com ele grandes lições de vida, apagadas pelas asperezas dos anos. Eles se tornam grandes amigos. Fiquei ultra feliz quando anunciaram um novo filme animado O Pequeno Príncipe, assisti na última sexta-feira.

A animação, traz uma nova narrativa, desta vez, é uma garotinha que fica amiga do Aviador, que agora está velho e mora na casa ao lado. Ela tem uma mãe perfil adulta 2015, pronta para cumprir prazos, metas e resultados, pouco tempo para filha e para si mesma. A garotinha precisa estudar muito durante as férias para entrar na escola que a mãe quer. Mas nesse tempo conhece o Aviador está em busca de um amigo e conta para ela todas as histórias que ouviu do Pequeno Príncipe. Aos poucos, a garotinha percebe que a vida não pode ser tão séria quanto sua mãe quer e começa a viver realmente sua infância, sendo criança e capaz de se encantar com a essência das pessoas.

O ensinamento maior é que temos de valorizar mais o “ser” do que o “ter”. Somos pessoas melhores quando nutrimos relações baseadas no amor, carinho, respeito, quando encaramos a vida de maneira lúdica. Não podemos criar crianças sem fantasia, sem amigos. Elas precisarão dessa infância amorosa e imaginativa para ser bons adultos.

Além disso, nos ensina a entender o verbo “cativar”, cativar para o autor é criar laços, fazer amigos, tornar uma pessoa especial, única. Essa palavra é muito esquecida por nossa sociedade, quando cativamos alguém de alguma forma tornamos responsáveis por ela. Para mim o ensinamento mais profundo!

Precisamos ensinar as crianças que não se deve preocupar em torna-los adultos agora, tudo tem seu tempo e sua fase. Cada etapa é importante. O que elas terão amanhã caberá a elas decidir. Agora quem elas serão cabe aos pais instruir.

Com a rapidez da vida moderna, os avanços tecnológicos, o consumismo exarcebado, não olhamos mais para o outro, não nos vemos no outro. Somos individualistas demais, estamos sempre focados em objetivos profissionais, financeiros e mercadológicos e nos esquecemos de que a vida também é feita de imaginação e criatividade. O Pequeno Príncipe não nos deixa esquecer, “o que é essencial é invisível aos olhos”.

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