Adeus cigarros!

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Desde pequena algo me incomodava demais no meu pai, era seu hábito de fumar. Com o passar dos anos e com muita insistência da minha família, meu pai parou de fumar, atualmente ele já superou a idade do meu avô que faleceu novo, o cigarro foi uma das razões para o AVC (acidente vascular cerebral).

Antigamente, há uns 50 anos atrás, fumar era algo muito bacana, era considerado uma espécie de rito de passagem para a vida adulta. Meu pai, por exemplo, começou a fumar com 11 anos de idade. Todos achavam isso muito correto, as indústrias de cigarros da época investiam pesado na publicidade.

Recentemente li um texto do Dr. Drauzio Varella onde ele abordou o assunto, “dirigidos às crianças e aos adolescentes, os comerciais apresentavam homens bonitos cercados de mulheres maravilhosas, machões que cavalgavam pelas montanhas, surfistas em ondas gigantescas e pilotos de corrida, que no final acendiam um cigarro da marca do fabricante”.

Na década de 60, a indústria expandiu seu mercado, quando incentivou as mulheres a tornarem dependentes de nicotina. A publicidade se aproveitou do momento, liberdade era a palavra de ordem e assim o fumo era associado com o charme e à liberdade que as mulheres começavam a adquirir, graças ao acesso à universidade, à pílula anticoncepcional e à possibilidade de viver numa sociedade menos machista.

Na década de 90 quando meu avô inclusive morreu, começou a tornar mais visível todo o mal que o cigarro poderia trazer, o câncer se tornou muito comum entre os homens, isso equivalia a quase 20 ou 30 anos de cigarros! No ano 2000, chegou a vez das mulheres.

Dr. Drauzio escreveu “perdi a conta de quantas amigas e amigos morreram de câncer, ataques cardíacos, derrames cerebrais, doenças pulmonares – e dos que ainda estão vivos, mas limitados por enfermidades respiratórias que lhes tiram o fôlego e a liberdade para andar até a esquina”.

Fumar não só pode desenvolver muitas doenças, como diminui a expectativa de vida, homens vivem doze anos menos, já as mulheres dez. Um dado que me alarmou é que “mais brasileiros morrem por causa do fumo do que pela somatória das doenças infecciosas. São 200 mil óbitos por ano”, informou o Dr. Drauzio Varella.

Mas, como tudo na vida ainda há esperança, desde minha adolescência na década de 90 até hoje vi muitos avanços, o último levantamento do Ministério da Saúde, por exemplo, informou que nos últimos dez anos, um em cada três brasileiros deixou de fumar. Cerca de 25% dos homens e 17% das mulheres se declaram ex-fumantes.

Hoje temos uma consciência maior que tanto adultos como as crianças expostos à fumaça do cigarro alheio também são fumantes. Há Lei que proíbe fumar dentro dos estabelecimentos fechados e em meios de transportes. Ocorreu também nos últimos anos um aumento dos impostos cobrados sobre cada maço, isso fez com que o número de fumantes reduzisse.

“O dado mais importante da pesquisa é o da queda expressiva e continuada do número de fumantes. Nos anos 1960, pelo menos 60% dos maiores de 15 anos fumavam; hoje, são 10,8%”, relatou Dr. Drauzio Varella.

No Brasil de hoje, o consumo de cigarros é menor que todos os países da Europa. Países fumam mais que nós como Alemanha, Inglaterra, Áustria, Noruega, Dinamarca, Itália e outros países com níveis de escolaridade, renda per capita e organização social bem superiores aos nossos!

Tudo isso se deu pelo aumento da taxação, proibição da publicidade, as figuras horríveis impressas nos maços, o combate ao fumo passivo em ambientes públicos, combinados aos programas educativos nas escolas e às advertências médicas. A integração de todas estas práticas, surtiram um efeito enorme.

Ainda temos fumantes entre nós, mas como fiz com meu pai, onde estou faço campanha e incentivo as pessoas a pararem de fumar, o benefício de viver sem este vício faz muito bem para a saúde da pessoa e para todos que o cercam, faça a sua parte e incentive sempre cada fumante a deixar este vício para traz, como disse Dr. Drauzio Varella “fumar está fora de moda”. Diga adeus aos cigarros!

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