A vida não tira ninguém do nosso caminho, mas afasta aqueles que não devem ficar

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Ontem fiquei pensando sobre isso. Quantos de nós vivemos no papel de “pessoa boazinha” e cada vez mais nos distanciamos de nós mesmos na tentativa insana de agradar à todos? Tememos por magoar e perder a convivência com as pessoas que julgamos importantes em nossas vidas.

As pessoas sofrem. Quantas vezes lamentei pelo distanciamento das pessoas que julguei importantes em minha vida? Não tenho vergonha em dizer que chorei, me entristeci, muitas vezes até não aceitei o distanciamento, mas com o passar do tempo, me questionando sobre isso obtive muitas respostas que me fizeram hoje escrever este texto.

Primeiramente é bom deixar claro que em todas as relações com outros seres humanos (relações com animais não funcionam assim) são complexas, justamente porque cada pessoa tem uma personalidade própria e única. Entende, compreende e vive de forma diferentemente dos demais. E por isso mesmo em todas as relações as pessoas magoam ou são magoadas.

Outro ponto interessante é destacar que ninguém que queira ser ele mesmo, com autonomia, responsabilidade e tomadas de decisões próprias deixará de magoar as pessoas. Fato é que desde nosso nascimento as relações são lutas diárias e contantes de quem exerce o poder, mesmo que seja velado e silencioso. Quando tomamos as rédeas de nossas vidas isso gera um incomodo descomunal primeiramente nas relações familiares, e depois nas demais. Incomoda a pessoa que é dona de si mesma.

Quem se conhece sabe que o amor próprio é um bem sem igual, que não podemos admitir diminuições, não podemos aceitar que o outro nos coloque nos lugares que eles acham o melhor para nós. Apenas nós sabemos o que é melhor. Nós sentimos, sofremos, choramos, lamentamos, deprimimos, damos a volta por cima… Por isso se alguém contrariado, se afastar de você pelo simples fato de ser quem você é, deixe ir.

Quem nos ama fica. Quem julgar que nossa amizade, afeto, atenção, preocupação, autenticidade, verdade e companheirismo não precisa ser relevada diante de algum desentendimento, paciência! Pode ir, vá com Deus. Prefira seguir sem esta pessoa pelo seu caminho, porque a caminhada é longa e levar peso extra não ajuda em nada.

Os vínculos emocionais que temos com as pessoas são valiosíssimos e, por isso mesmo, é determinante deixar de lado as pessoas que de alguma forma não contribuem ou que nos fazem mal. A vida não afasta algumas pessoas de nossa convivência porque é ruim ou maligna, mas pelo contrário, porque é extremamente sábia. Nos aproximamos e criamos vínculos duradouros com os iguais, com mesma energia, com mesmo equilíbrio, com uma troca de experiências que nos fazem crescer.

Quer ter saúde emocional? Afaste-se de pessoas que esmagam a sua autoestima, que se alegram com seus dessabores, que aguardam dia e noite pela sua infelicidade. Viver já é um fardo pesado demais para perder tempo com quem não merece! No momento em que você perceber isso, um mundo novo irá se abrir diante dos seus olhos e você vai perceber que algumas pessoas vão se distanciar mesmo, e em vez de lamentar-se, agradeça a oportunidade de viver sem elas.

O amor próprio começa quando determinamos quem somos, o porquê e para que estamos nesse mundo. Você, apenas você determina o seu valor, por isso, quem se aproximar de você estará disposto a te aceitar assim como é, sem tirar e nem por. Por isso, é importante ficar perto de quem nos conforta e nos afastarmos das pessoas que nos ferem deliberadamente.

Infelizmente vejo muitas pessoas se rompendo em pedaços para manter as outras pessoas completas. Desintegram a sua capacidade de reação, apenas dizem “sim” para os outros e “não” para si mesma. Ou seja, debilitam a determinação emocional. Esta desconexão com nós mesmos tem consequências terríveis para a nossa saúde emocional, pois nos isolamos da realidade e menosprezamos nossos desejos e consequentemente, nos distanciamos do nosso eu.

Uma hora a vida cobra, manda a conta e o preço é caro demais para viver em função dos outros! Não vale a pena deixar de saborear a grande experiência da nossa existência em sermos quem somos, de aceitar nossos dons e reconhecer nossas limitações. Somos gente, e como tudo na vida temos nosso lado positivo e negativo, sábio é aquele que equilibra a vida tentando alimentar o que tem de melhor dentro de si.

A maioria das pessoas sonha em acertar o mundo das outras pessoas, mas esquecem de dar voltas em torno de si mesmas. Não será possível corrigir o mundo quando dentro de si existe um caos, onde não se vê coisa com coisa. Não podemos resolver nada sem antes questionarmos o papel que desempenhamos em nossas relações e reconhecer o quanto contribuímos para desestabilizá-las.

Como seres humanos devemos reconhecer que somos vítimas e também vilões. Através de uma análise profunda dos nossos corações, será possível agir de forma a ser quem somos e permitir apenas o que estamos preparados para fazer, sem culpa ou remorso, deixando que as pessoas decidam se permanecem ou se distanciam de nós.

A vida não tira ninguém do nosso caminho, mas afasta aqueles que não devem ficar. Não se lamente por isso, apenas aceite e siga seu caminho, lá na frente entenderá o sentido e terá as respostas para as perguntas que hoje são extremamente angustiantes. Apenas deixe ir e siga em frente. Há pessoas que passam por nossas vidas, e há outras que tocam as nossas vidas, essas ficam para sempre.

Não quer perder? Aprenda a cuidar.

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Relacionamento é um assunto interessante. Em todos os sentidos. Mas hoje escreverei somente dos amorosos. Todos querem ter alguém para dividir uma vida, tudo bem, há raríssimas exceções. Há alguns que estão felizes sozinhos, mas a grande maioria sonha em encontrar uma pessoa especial.

E muitas vezes as pessoas encontram, mas a maioria me diz “não tive sorte” ou “tenho o dedo podre” e por ai vai. Não preciso aprofundar na vida de cada uma dessas pessoas para ver uma grande dificuldade: elas não se preocupam em cuidar do outro, em vez disso, constroem ao redor uma cerca bem alta para não perdê-lo. São relacionamentos baseados no egocentrismo, na possessão, no ciúme, na dependência, em tudo menos no afeto.

O amor vira um medo grande de perder, apenas. Uma falta de confiança, a ideia perigosa de considerar a pessoa amada uma possessão pessoal. Todo relacionamento baseado em alguma forma de temor gera, inevitavelmente, um alto sofrimento. E ai o relacionamento deixa de ser bom, começa a incomodar.

Por mais estranho que possa parecer, existem muitos casais que mantêm esse tipo de relacionamento ao longo do tempo. Fazem mal um para o outro e pior permanecem nele por anos. Sabotam a autoestima, dilaceram seus sentimentos, se tornam pessoas emocionalmente doentes.

Existem pessoas que tem a necessidade de dominar a relação, isso indica sim uma falta de autoconfiança, pela qual é preciso arrumar estratégias e mecanismos de defesa para desabilitar a outra pessoa e tê-la sob as suas rédeas, sob seu controle. Há um medo enorme de perder e uma ansiedade que angustia, porque não dá para viver num “mundinho” onde só existem duas pessoas!

Tanto a necessidade de controlar como a dependência são elementos inibidores que causam o desequilíbrio no relacionamento. Fica claro que os relacionamentos amorosos são complexos. Mas, na verdade, a complexidade reside nas próprias pessoas e não no relacionamento em si.

Desde que o mundo é mundo as pessoas sofrem por conta de relacionamentos. Há uma carência de competências emocionais para saber demonstrar uma reciprocidade adequada, ou seja, muitas vezes a pessoa se doa demais, muitos reclamam que são sufocados, outros que se doam de menos, não sabem transferir afeto, entre outras situações difíceis. 

A grande estratégia para resolver tais problemas é o amor próprio, um relacionamento consigo mesmo, de autoconhecimento e aceitação. Mas a maioria das pessoas se questionam como podem amar a si mesma, como demonstrar esse afeto, como se aceitar, como reconhecer que é única e especial?

Fácil não é. É primordial não se esquecer da importância de se cuidar, de se ouvir. Uma boa autoestima, o autoconhecimento e um bom equilíbrio emocional farão qualquer pessoa se lembrar quem não deve considerar, quem não deve cuidar, quem não merece a sua atenção e muito menos a sua tristeza.

Nos relacionamentos que funcionam e que trazem felicidade para os dois não existe a necessidade de controle porque não existem medos, temores, inseguranças, nem a vontade de vulnerar o espaço pessoal da pessoa amada. As pessoas equilibradas emocionalmente compartilham a sua plenitude, não trazem sombras de egoísmo, nem vazios que outros devam preencher.

Os relacionamentos sadios se cuidam e, por sua vez, permitem que cada um considere o seu próprio crescimento, sentindo-se livre e sendo, ao mesmo tempo, parte de um projeto em comum. A sensação de que alguém nos exige, nos controla e não nos considera minam a nossa felicidade.

O importante é ter atitude, defender seu território, cuidar dos seus direitos e, acima de tudo, ouvir a voz do coração pedindo respeito e espaço. É fundamental cuidar de si mesmo e da sua autoestima. O outro entra na nossa vida para somar, para partilhar, para contribuir. Antes de amar os outros ame a si mesmo.

 

Com o tempo aprendemos a amar diferente

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Quando jovem acreditei em amor à primeira vista, vivia cheia de certezas, imaginava um mundo mais lindo e justo, acreditava piamente nas pessoas, cheguei a sentir de verdade um sentimento sem medo.

Hoje não. Eu amadureci. Não foi o tempo que modificou tudo, mas tudo que aconteceu comigo, todas as decepções, todos os sofrimentos, todas as lágrimas, todos os dias tristes e solitários.

Fato é que não amo mais como antigamente, com o brilho do romantismo ofuscando a submissão, com a ingenuidade de um ser recém chegado a uma realidade totalmente diferente da qual passou sua adolescência fantasiando.

É como se tivesse acordado de um sono lindo e tivesse de viver a realidade mais nua e crua que possa existir. Amar é para pessoas fortes, não há somente coisas boas em gostar de alguém, há muita dureza pela frente. Dizem que a dor ensina, eu já acho que é o amor. Porque o amor, seja em qualquer relacionamento, sempre dói.

Dói porque as pessoas não sabem amar, não sabem demonstrar, não sabem sentir, não sabem cativar, não sabem receber afeto, não sabem dar conta das emoções. Vivemos uma sociedade totalmente doente em relação à relacionamentos. Sempre estamos pendentes em algum momento, em relação a alguma pessoa, todos estão. Pense por um minuto, logo saberá do que estou falando.

Por isso mesmo aprendi a amar as pessoas acima de intenções, a ver sem o filtro que mistifica as simples pessoas em deuses, abri sem medo a caixa de pandora, liberei tudo que havia dentro e percebi que nenhum ser humano é herói ou vilão, nem vítima ou culpado, somos gente, simplesmente.

Aprendi a viver de passagem, desfiz os nós das posses e ainda acredito no brilho dos olhares. E como brilham! Não sonho mais com um príncipe encantado, não acredito na salvação por outras mãos, sonho com um mundo mais consciente. Quero ser respeitada em minhas escolhas, inclusive na de ser livre e espontânea respeitando o meu jeito de ser, uma versão pós moderna e ao mesmo tempo antiquada!

Me tornei uma pessoa que sabe dizer “não” para os outros, porque já aprendi o valor do “sim” para eu mesma. Não deixo de lutar, mas são lutas silenciosas, leves e serenas. Porque para amar não precisa de desespero.

Aprendi a ter a minha visão além dos olhares acostumados das pessoas. Sigo minhas próprias experiências. Me uso para entender um mundo sem entendimentos, sigo desnuda de mitos em terras de zumbis agarrados à valores cegos. Acho que o mundo está intoxicado de excesso de sentidos, luto dia e noite para viver sem eles.

Eu, como muitas outras mulheres, ainda sou humana, realista, sobrevivente, talvez descrente de algumas pessoas. Mas não descrente do amor e do seu poder. Do que ele pode fazer quando toca profundamente um coração, mesmo que este coração seja surrado, remendado ou ferido.

Ainda sigo com cabeça erguida vendo as pessoas nos olhos, sendo paciente no caos de um mundo que ainda não aceitou a sua própria ruína. Temo pelos dias futuros onde cada vez mais as pessoas não saberão se relacionar e muito menos amar. Porém, sigo fazendo a minha parte, de ser gente e doar um pouco deste sentimento que é maior do que eu.

Encontre alguém que…

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Essa coisa de sair por ai procurando alguém para se relacionar já é indício que não será bem sucedido. Não procure por ninguém, encontre. Os encontros são casuais, espontâneos e ocorrem na hora certa e a encargo da vida. Não se mova correndo atrás de algo, quem corre atrás de alguma pessoa só pode estar correndo porque a outra pessoa também corre, então qual a lógica disso?

Esqueça essa história de metade da laranja, ninguém é metade de nada, todos são inteiros, uns remendadinhos, confesso, tudo bem, mas são inteiros. Se você não estiver à procura a pessoa aparece. As melhores coisas da vida acontecem quando você menos espera. Acontecem quando tem que acontecer. E a vida capricha pode ter certeza.

E quando encontrar, que seja alguém para correr com você na chuva, que senta no sofá, bagunça o teu cabelo, que vá ao cinema assistir um filme de desenho só porque você ama. Alguém engraçado, que te faça rir com bobagens, quando o mundo parecer sombrio.

Encontre alguém que converse, tenha assuntos diversos, teorias furadas ou não, que dialogue por horas, sem pensar no tempo, mesmo que esteja ocupado ou seja depois de um dia corrido… Ou alguém que joga “Perguntados” e te ajuda respondendo as questões só para você ganhar.

O mais importante é você estar bem consigo mesma. Quando sabemos quem somos e o que queremos a gente se basta e o outro só chega para somar. Por isso saiba bem, antes de qualquer encontro quais são os seus valores, o que te faz feliz, que sonhos você tem. E acima, seja apaixonada por você, antes de se apaixonar pelos outros. Antes de querer alguém para amar, para dividir uma vida, ame-se.

E mesmo que esse encontro demore, lembre-se que você têm inúmeras coisas para fazer, sentir e viver… Tem uma temporada inteira daquela sua série favorita para assistir, tem aquela viagem dos sonhos para fazer, tem aquele curso super interessante para realizar, tem aquelas megas festas para curtir…

Mas por favor, não procure alguém para te tirar o tédio, para te tirar da solidão, para andar de mãos dadas com você, para ocupar a tua cama e seu coração, como se você dependesse de outra pessoa para ser feliz!

Sozinha você pode (e deve) ser feliz, você não depende de ninguém para isso. Cada um é responsável pela sua felicidade, todos são capazes de encontrar os seus caminhos, não é necessário que ninguém te leve para algum lugar. Ande, dê seus passos. Se carregue, se leve, seja livre.

É essencial encontrar a paz e a leveza dentro de si mesma, e esse sentimento bom não pode ser trocado por bagagens, pesos e bagunças emocionais dos outros. Se uma pessoa chegar na sua vida ela deve seguir o seu ritmo tranquilo, se acrescentar algo que seja para seu bem, para aumentar o fluxo de energias positivas. Do contrário, dê meia volta.

Não queira estar ao lado de alguém somente para chamar de “seu”, ou só para usar termos fofos como “mozão”, “lindo” ou “vida”. Não queira alguém porque sua família diz que está ficando para titia, que você precisa de um homem ao seu lado, ou porque as pessoas te amedrontam que  você está envelhecendo sozinha.

Não, não, não. Aprenda a dizer não e se abster da presença de pessoas que te perturbam e te fazem mal. Muitas pessoas perdem tempo tentando seguir caminhos que não são seus, tentando aprender coisas que não querem, ficando com pessoas que não suportam. Onde não existir reciprocidade, não se demore.

Esteja atenta quando surgir alguém que te chame pelo nome, mas que te olhe por dentro, alguém que esteja disposto a te dar afeto, ternura, carinho, calor e colo, não somente nos seus melhores dias, mas nos piores também, principalmente. Alguém que te faz sorrir só em falar seu nome.

Não queira estar ao lado de quem só te ter uma noite, quem te procura quando bebe, para que seja um consolo, ou pior, quando te diz “quando der a gente se vê”. Encontre alguém que esqueça de te ligar para te avisar e chegue na tua casa de surpresa pra matar a saudade, com roupa do trabalho e olheiras fundas, mas com um sorriso nos lábios.

Não procure alguém para ocupar a tua vida, para preencher vazios que são só seus, que você deve preencher com seu amor próprio. Poupe seu tempo e sua paciência com quem só sabe te dizer: ”hoje não dá”, “vou pensar” ou “qualquer coisa eu te ligo”. Dê o seu tempo a quem te diz ”abre a porta que eu já cheguei” ou “olha para trás, estou aqui”.

Ninguém deve ocupar o nosso coração, as nossas horas e os nossos momentos em vão. Saiba se preencher, se permitir e se ocupar por inteira. Quando isso acontecer você passará a não desejar qualquer coisa, a não aceitar nada além de alguém que se realize com você, e melhor, você irá parar de procurar por metades, porque você merece alguém tão inteiro quanto você é.

Dos tombos que a vida dá…

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Olha, desde criança cair sempre foi um medo e uma consequência. O tempo passou e mudou a forma da queda, do tombo. A vida não é uma caixinha dourada de surpresas somente felizes e duradouras! Antes fosse. Fato é que a gente cai, se é literalmente ou não, pouco importa.

Sei mesmo é que o chão é duro de pisar, mais duro ainda de cair. O problema maior é que as nossas quedas acontecem sem aviso, sem preparação, sem modos ou cabimento. Basta um segundo para que tudo esteja seguindo um ritmo tranquilo, e de repente a vida surpreende com uma rasteira daquelas que daria um bom (ou não) “Vídeo Cassetadas”, sem aplausos ou risos.

Quando somos crianças e caímos, nossos pais correm ao nosso auxílio, contam historinhas, fazem gracinhas e logo voltamos a sorrir e enxugar aquelas volumosas lagrimas de tristeza, dor e descontentamento. Parecia ser tão fácil cair e levantar, principalmente pelo afeto recebido, nossas carências sendo supridas por aqueles que nos amavam.

Mas a gente cresce, amadurece e endurece. Oh dureza! E cada tombo vai deixando uma marca, uma lembrança, uma cicatriz, um receio, um trauma. Quanto mais alto estiver maior a queda! Eu já levei tantos e de tantas formas que nem vergonha sinto mais. Mas dor ainda sinto. Acho que todos sentem, ou pelo menos sabem do que estou falando.

Um tombo pode tirar a gente do eixo, do rumo, da concentração, do prumo, do sério. Um tombo pode dar sérios problemas no corpo e na alma, pode ser um leve susto, um gesso, uns dias de folga, um desligamento, uma mudança de vida, um motivo para pensar…

Não importa o tamanho da queda, sempre vai doer. Uma hora ou outra a gente passa por isso, querendo ou não. Pode ser rápida ou em câmera lenta, o choro sentido, magoado, saudoso, desamparado chega. E como a gente chora, dá dó.

E eu não sei se é a falta de tempo, só sei que quando chega uma hora dessas, que a gente cai e chora, muitas vezes sozinhos, para esconder do mundo que a gente sofre, acaba chorando por outros tombos também. Choramos porque a saudade não se reprime, choramos pela solidão que não se ignora, pela tristeza que só vai embora quando pode entrar e ficar pelo tempo que precisa para se transformar. A gente chora pelo luto que ainda não havia chorado. O tombo acaba ensinando mais uma vez. Sempre.

E quando a gente cai parece que ali é melhor ficar, como se a cada queda chegássemos ao fim do túnel, e como no fim nada nos resta a fazer que sentar e chorar, ali ficamos, horas, dias, meses, anos, uma vida. Uns esperam um milagre, outros se entregam ao desespero e adoecem mais e mais. Mas estar no chão tem que ser uma experiência passageira.

O importante é levantar, mesmo que tenha de abanar a poeira da calça, que tenha de fazer curativo nos joelhos, que tenha os olhos inchados de tanto chorar, que sinta uma dor lombar, um aperto no peito ou tenha que enfaixar o braço… Não importa, no chão a gente fica o tempo suficiente para chorar, daí, depois é levantar e seguir em frente, mesmo cheio de marcas. Cada um é um sobrevivente de si mesmo.

O tempo vai passar e com ele a dor e a agonia que estavam represadas. E, como um rio, cada um deve seguir o seu percurso. A qualquer hora é possível cair de novo, mas é preferível viver sem a ansiedade do futuro, melhor esperar dias melhores e menos rasteiras da vida.

Esta entrada foi publicada em setembro 15, 2016, em Cotidiano.

O melhor bem que você me faz é a sua ausência

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Há pessoas e pessoas. Existem aquelas que queremos por perto, muito perto, quase sempre, em todos os momentos e, existem outras que o melhor bem que podem nos fazer é ficar longe, bem longe mesmo!

Não é difícil ver que pessoas assim estão na vida de muita gente ainda. Infelizmente. Esses seres frios, que tem uma estranha mania de pensar somente em si mesmos, que não tem modos, que mentem descaradamente, que oferecem sentimentos mesquinhos e relacionamentos conflitantes e doentios, estão por todo lado.

Muitas pessoas relatam que quando estavam num momento calmo e muito bom da sua vida, que se apaixonar não estava nos seus planos, que podiam ouvir músicas românticas e não pensavam (ou choravam) em ninguém, e então, a vida e seus mistérios, permitiu que esses seres surgissem. E a transformação foi gritante, eles abalam estruturas, reavivem o nosso pior lado, praticamente um terremoto, cheio de força e intensidade que provoca mil destruições!

Juntar os cacos não é uma tarefa fácil. No meio de tanta destruição é difícil saber que direção tomar. Perde-se o rumo, o norte. Mas o tempo, esse sábio senhor que interfere na vida de todas as pessoas, nos mostra que a presença de um ser assim em nossas vidas foi quem nos tirou dos trilhos. Quando retiramos da nossa vida o que nos faz mal, voltamos a nos encontrar. Mesmo com corações partidos dá para ver que o hoje é melhor do que foi ontem.

Acredite. Esta ausência faz muitos mais por você do que a presença dele em sua vida. As coisas que nunca foram ditas, o silêncio e a falta de notícias, a indiferença e a agressividade das palavras, isso tudo, ficou para trás. O melhor é que só podemos ver isso quando temos essa pessoa bem distante de nós, somente assim poderemos entender o que ela representava.

Porém, a vida sempre nos testa. Não se engane. Quando estamos afastando, a pessoa ressurge. O que fazer? Nesse momento já aprendemos a andar sozinhos, demos alguns passos, mudamos em alguns aspectos, e melhor já não somos quem éramos. Vem um sentimento tão grande de medo. Muita gente não entende de que, mas é de sofrer mesmo, tudo outra vez.

Ouvir a voz de uma pessoa que passou por nossas vidas de uma forma tão trágica dá até calafrios, não de prazer, mas de medo. Medo de que essa pessoa volte a nos intoxicar de novo com seu egoísmo disfarçado de amor. Medo de acreditar novamente que o seu egoísmo era realmente amor. Medo de cair na armadilha de inventar desculpas para as suas falhas e acreditar que na verdade ele é assim, frio, por natureza.

E quantos de nós quase permitimos que isso acontecesse? Esperando uma mudança, um milagre. Quase foi possível lhe dar a mão, quase foi possível beijar seus lábios, quase deixou o coração bater a seu ritmo, sem interrompê-lo. Quase foi possível amar de novo. Ainda bem que foi quase.

O tempo, como sempre, ensina. Essa distância nos ensinou duas coisas: Uma que conseguimos viver apesar (e depois) dessa pessoa e a vida sem ela é melhor, mesmo que não estejamos 100% restabelecidos emocionalmente.

O melhor, para o nosso bem, é correr. Correr na direção oposta, em direção à sua ausência. Em direção a onde ele não esteja. Essa pessoa se tornou uma ameaça à sua sanidade. Porque ele já tinha colocado em dúvida se era ou não louca, projetando em vocês seus devaneios. Um relacionamento assim parecia que iria terminar na delegacia. Por isso correr na direção oposta é a melhor opção, mesmo que o coração doa, que lhe fale “dê mais uma chance”, “ele precisa de você”, simplesmente corra!

Quando existe amor é difícil lutar contra ele. Principalmente se o cupido parece ter dado uma flechada desgovernada! Mas as mudanças só podem ocorrer dentro de nós, não adianta pensar que vai mudar o outro, modelando-o do jeito que seria melhor para você. Cada pessoa é responsável por suas atitudes e colherá o que plantar, a vida é assim.

Passar por experiências assim nos ajudam a crescer, evoluir mesmo, mesmo que seja para saber que tipo de pessoa nunca mais queremos ter ao nosso lado. Pessoas radioativas não trazem nada de bom para termos a vontade de tê-las por perto, siga um caminho sem volta. Um tratado assinado pela sua sanidade psicológica. Tratado não de paz, mas de desligamento. De morte de uma relação, seja ela qual for. Fim. Para seu bem.

É difícil recomeçar enquanto seus olhos ainda ardem. É difícil acreditar no amor novamente enquanto seu coração tem cicatrizes profundas. Mas ainda assim é necessário dar os primeiros passos, reconstruir do terremoto, das marcas que ficaram no coração. Mas acima de tudo é preciso se conscientizar sobre quem permanece e quem sai da sua vida. Porque só sentimento não basta. É preciso respeito e constância. É preciso verdade e empatia.

Ninguém pode ocupar o lugar que é seu na sua vida. Seu amor próprio deve ser maior que o amor por qualquer outra pessoa. Relacionamentos existem para trazer paz, equilíbrio, soma. Qualquer coisa que nos tira o chão ou tumultua a nossa vida é patológico, não é saudável. Esteja ciente das suas escolhas, mas não esqueça quem você é e o que te faz feliz.

O Show não pode parar

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Não sei se é a influência do curso de Oratória que estou fazendo no Teatro, mas estou me sentindo um tanto quanto teatral nesses últimos dias. Não falo de sair por ai sendo uma atriz, usando mil máscaras e fugindo da minha realidade, não, não. Falo de manter o grande entusiasmo na vida, mesmo depois de tudo que possa acontecer de errado, o show não pode parar!

Como já escrevi muitas vezes, a vida é feita de altos e baixos, cabe a cada um de nós continuar mesmo depois o arroz queima, a água seca, o leite entorna. Não dá para desistir no meio do caminho, a gente continua mesmo depois de descobrir que os defeitos pioram com a idade e as qualidades viram hábito no dia a dia para todos nós!

Não dá para gritar para a vida: “Pára o mundo que eu quero descer!”, a gente tem que continuar depois do luto de alguém querido, da partida da pessoa amada, da despedida do filho, das horas frias de solidão, do caminho incerto. A gente não pode deixar o show da vida parar porque o amor não deu certo, porque tivemos falhas recorrentes. Apesar de nós mesmos, do peso de viver, de nossas cicatrizes, dores, fissuras e desencantos, a gente tem que seguir em frente.

Com a maturidade aprendemos que ter que continuar é muito mais que traçar um caminho que justifique nossa esperança por dias melhores. Devemos aprender a deixar pra trás com sabedoria o que é passado, entendendo que a vida é constituída de muitas histórias, e que finalizar um capítulo não significa dar fim ao que somos.

O que mais nos intriga é a nossa finitude, a morte. Vivemos fugindo dela, de pensar nela. Mas como um paradoxo existencial o nosso mundo começa a morrer antes da gente, e aceitar nossa responsabilidade em deixar o mundo se modificar, se despedir ou se transformar requer coragem. O mundo da criança morre com a chegada da adolescência, o do adolescente com a maturidade, a maturidade com a velhice e tantos outros lutos diários de muitos papéis que desempenhamos enquanto sujeito.

Para enfrentar essas pequeninas mortes é preciso coragem de romper com modelos antigos do que fomos e assumir com maturidade novas versões de nós mesmos. A vida se resume em desatar os nós, as vezes o criamos por tentar fazer laços, mas muitas vezes tudo que estava pronto a dar certo, se enrosca, se emperra, não sai do lugar, é hora de tentar desatar o que anda enguiçado, é hora de dar lugar ao novo, renascer.

Porém, muitos de nós temos a quase insana necessidade da infelicidade, construímos muros a nos proteger da vida que chega trazendo ares de esperança e novidade. Preferimos a zona de conforto, como se ela pudesse nos proteger do que vai chegar de qualquer jeito!

Todos os dias temos de escrever uma nova história, mesmo que resistamos uma hora acontece. Chegará o dia da mãe se adaptar ao fim da licença maternidade e deixar de ficar todo o tempo com seu filho querido, a adolescente que verá seu primeiro amor acabar porque ele não será o único, a mulher que receberá o pedido de divórcio num café da manhã, a senhorinha que vai enviuvar perdendo seu amor de 50 anos de convivência, os pais que levarão sua filha ao aeroporto para fazer intercâmbio, a menina que verá o fim da infância num teste de gravidez, a decepção do jovem com o governo, o fim do casamento que parecia eterno, o ninho vazio de uma mãe que viu sua filha casar, as novas dores da maturidade, a traição de uma amiga, o recomeço em uma nova cidade, enfim…

Quando chegam esses momentos, podemos chorar, sofrer, enlutar, mas com o passar dos dias a vida tem que seguir. Temos de aprender a descobrir que novas portas estão sendo abertas, mesmo que haja a tendência de nos fixarmos em nosso mundo fechado a 7 chaves. Por mais que o mundo da gente começa a morrer antes da gente, o futuro também guarda boas, inéditas, surpreendentes, doces e inimagináveis surpresas.

O show não pode parar, enquanto as cortinas estiverem abertas e as infinitas possibilidades estiverem à nossa frente, mesmo que alguns dias nos apresentem sombrios e frios. A gente tem que continuar. Que possamos reconhecer que apesar do passado, o presente é o grande segredo de moldar o futuro de uma forma muito mais positiva, plantando hoje, para colher amanhã…

Somos capazes de nos recriarmos em qualquer tempo. De nos adaptarmos a qualquer situação. Seja capaz de perceber e sentir com gratidão a força, a coragem e a fé que existe dentro de cada um. Até que as cortinas se fechem de vez, haverá tempo.

Carregamos pesos desnecessários

Backpacker Walking on Trail --- Image by © Anthony West/Corbis

Acho que acontece com todo mundo. O tempo vai passando, os acontecimentos vão surgindo e aceitamos carregar bagagens desnecessárias pelo decorrer da vida. Achamos que iremos conseguir carregar todas as tralhas por muito tempo…

Só tem um problema: Pesa demais. Infelizmente temos um péssimo hábito de nos acostumarmos com as coisas, e com isso também achamos que o pesinho de hoje dá para levar, amanhã mais um de 100 gramas, e lá na frente carregamos uma tonelada sem nos questionarmos. Feridas, mágoas, ressentimentos, brigas, orgulhos e mais e mais entulho…

Nos enganamos em achar que seguir em frente tem que ser de qualquer jeito. Claro que não. Seguir em frente requer desfazer de pesos desnecessários que sobrecarregam as malas e o nosso coração. As pessoas nos incentivam dizendo “siga em frente, vire a página, bola para frente, esqueça”. Mas elas não sabem o que carregamos na mochila, elas não sabem quanto pesa. Só nós sabemos. Mas ignoramos e seguimos em frente.

Até que um dia a gente cansa. Os ombros cedem, as pernas fraquejam, a dor se torna aguda e constante, o coração se altera, caímos e ali ficamos absortos sem saber como iremos nos levantar e seguir com tanto peso ainda por carregar, sem saber para onde ir, sem saber por quanto tempo ainda vamos caminhar… Angústia, só isso nos resta.

Nesse momento só temos duas opções, ou ficamos ali para sempre, estagnados pelo peso da dor (ou até levantamos e caminhamos vagarosamente sem objetivo de vida), ou nos desfazemos de algumas coisas guardadas dentro de nós. Tudo é uma questão de escolha, todos os ganhos têm suas perdas.

A dor que sentimos nos entristece, sensação de fracasso, de cansaço, de solidão. Dá até vontade de ignorar, pular essa parte, de literalmente viver outra realidade ou de pelo menos voltar para trás. Mas pular essa parte é impossível e voltar para trás significa retrocesso, significa apenas admitir que não damos conta do hoje e queremos voltar a ser criança por exemplo. Infelizmente não dá. Passa na cabeça, “vou fugir, vou desistir”, mas nenhum desses pensamentos nos levarão para o alcance de nossos objetivos, de nossos sonhos e pior, podem nos manter presos onde estamos hoje.

Como tudo tem dois lados, os momentos de dor são oportunidades de olhar para dentro de nós mesmos, de cuidar e tratar as feridas profundas de nossas almas. E para isso, é preciso desligar o automático, parar de seguir olhando para todos os lados à procura de uma salvação externa, e passar a olhar para onde verdadeiramente importa: dentro de nós!

É preciso de vez em quando abrir a bagagem e examinar todos aqueles pesos, de onde eles vêm, porque eles vêm e se eles são realmente necessários no restante do caminho. Eu sei, é doloroso demais porque muitas vezes teremos de deixar para trás alguns comportamentos, hábitos e até pessoas…

É necessário se reinventar. Trocar a casca. Se refazer. Temos de experimentar a solidão, só ela nos permite o crescimento. Um dia descobrimos (cedo ou tarde) que não adianta esperar alguém chegar e fazer isso por nós, retirar os nossos pesos das nossas costas, tratar as nossas feridas. Só nós mesmos podemos fazer isso.

Quando já não sentimos força de caminhar e o peso nos paralisa de vez, temos de saber que esvaziar a mochila leva um tempo, tem que ter paciência e exige de nós muita força. É a vida nos lapidando. A dor nunca é o caminho, por isso ela vai cessar, confie.

Esta entrada foi publicada em setembro 7, 2016, em Cotidiano.

Sinto saudade, mas fique apenas nas recordações…

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Eu não sei você, mas muitas vezes sinto saudade quando lembro de algumas pessoas, mas não as quero de volta em minha vida. Esse sentimento é bastante comum quando tivemos relacionamentos disfuncionais ou mal resolvidos.

Quando passamos por relações desse tipo saímos magoadas, feridas, enfim, emocionalmente abaladas. Há pessoas que saem até fisicamente feridas. Fato é que quando isso nos ocorre interrompemos nossa evolução e temos de fazer um esforço sobre-humano para voltar a ficar bem novamente.

Não é um processo fácil perceber onde e como contribuímos para a ruína de um relacionamento, mas ninguém é só vítima e nem mesmo somente culpado. Nos falta clareza para ver como tudo aquilo que passamos irá interferir na nossa vida dali para frente. E muitas vezes interfere muito, principalmente nos relacionamentos futuros.

Acontece. Do nada algo nos faz lembrar daquela pessoa que tivemos uma relação mal resolvida, daí dá vontade de ligar para saber como vai a vida, se os sonhos foram em frente, bater papo, qualquer coisa, mas nos contemos, pois sabemos que nada de positivo essa pessoa pode acrescentar à nossa vida nesse momento. Desistimos. Sabemos lá no fundo que as coisas não serão como antes, nunca será, o tempo passou e com ele tudo que poderia dar certo.

Por mais que não queiramos admitir, sentimos o peso dessas relações desajustadas, uma hora ou outra sempre vem, sentimos essa necessidade de querer atenuar o desprazer que a ausência dessa pessoa que um dia nos foi estimada, mas que saiu de nossa vida ou porque nós decidimos priorizar nosso bem-estar, ou porque a situação já estava insustentável, ou simplesmente fomos separados por caminhos distintos.

Por isso é bastante saudável sentirmos essa tal saudade, o que muda é que não queremos que algo ou alguém esteja presente em nossa vida de novo, isso nos ajuda a definir o que nos faz bem, o que queremos daqui para frente e evitar cometer os mesmos erros do passado.

Toda relação tem dois lados, podemos aprender com tudo. Não é porque acabou que não tenha vivido momentos felizes e que não nos remetam a sentimentos positivos. Porém, a vida é feita de equilíbrio, mesmo tendo lembranças boas é necessário definir bem que tudo isso faz parte do passado e que também houveram situações negativas, que hoje não valem mais a pena resgatar.

Com a nossa constante evolução, nos tornarmos cada vez mais conscientes de que talvez essa pessoa com a qual vivemos durante um ciclo da nossa vida, hoje seria inadequada para nós, poderia nos trazer diversos problemas ainda maiores do que já tivemos de enfrentar.

É comum sentirmos um incomodo por ainda lembrar de alguém que tenha nos feito mal, mas devemos entender que todo aprendizado é válido e nos faz crescer, mesmo que a relação tenha criado algum trauma ou sentimentos ruins em nossas vidas.

O ser humano está em constante construção, e se todas as pessoas que nos relacionamos contribuem de alguma forma para o nosso crescimento, na nossa evolução, não são somente as pessoas “boas”, as que permanecem ao nosso lado e as pessoas de nosso convívio de hoje. Não, não. Todas as pessoas interferem, por isso essas que hoje guardamos apenas nas lembranças e nas recordações, sem sombra de dúvida contribuíram para que nos tornássemos o que somos. Por isso à elas também a nossa gratidão.

Qual o papel do tio na vida do seu sobrinho?

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Lembro bem há 4 anos quando soube que seria tia, foi uma emoção sem tamanho. Acompanhei minha irmã, vendo sua barriga crescer e com ela toda a expectativa que um bebê traz para nossas vidas.

Ninguém imagina como uma criança pode mudar tudo, desde rotinas a sentimentos. Quando o dia do seu nascimento chegou foi interessante. Todos queriam estar com o bebê, mas ninguém sabia ao certo como segurá-lo no colo, olhamos seu rostinho inchado e pensamos rápido que parecia não parecer com ninguém. Claro, os dias passaram, o inchaço também e ele começou a mostrar seus traços. Cada um queria ter sua parte representada no pequeno bebê. “A boca é da mãe, os olhos são do pai, a mãozinha da vovó, o queixo do vovô…”

E os tios onde entram nessa história? Bem, é claro que ter alguma semelhança retratada no seu sobrinho é motivo de muito orgulho, mas eu queria mais, queria fazer parte da vida dele, ser importante, referência e para isso era necessário muita dedicação.

Quando uma criança nasce aumentam as responsabilidades. Um bebê é muito frágil, demanda cuidados, atenção, noites sem dormir, só que essas responsabilidades são dos pais, os tios têm uma vantagem, podem ficar com a melhor parte, que é descontrair o ambiente, brincar com a criança, oferecer guloseimas e horas de historinhas das mais diversas possíveis.

Os pais precisam desempenhar os papéis mais duros, precisam amar, mas precisam educar e para isso devem impor limites. Isso gera uma tensão grande no ambiente familiar, e é ai que os tios entram. Eles proporcionam descontração e alegria naquele ambiente, além de se tornarem fiéis escudeiros e amigos de seus sobrinhos.

É importante para criança saber que pode contar com seu tio se precisar. Existem coisas que a criança só conta para alguns amigos e para seus tios, porque os julgam amigos “grandes” e que eles sabem guardar segredos. Por isso é muito importante conquistar a confiança de um sobrinho. Essa relação de amizade deve ser construída diariamente e fortalecida. A criança precisa se sentir à vontade com os tios, devem tê-los como pessoas confiáveis que o aceitarão como é, independente das travessuras que fizer.

Como os tios ficam com a melhor parte, que inclui brincar, passear, contar histórias, rir bastante, a relação acaba por ficar cada dia mais sólida. Que criança não quer ter perto alguém que seja divertido e que lhe dê atenção? Nenhum sobrinho esquecerá as boas lembranças que esses momentos lhe proporcionaram na sua infância.

Porém, os tios também erram, e eu falo isso porque liberamos doces que os pais não liberam, permitimos que se sujam quando os pais não permitem, compramos presentinhos quando a criança nem deveria ganhar nada, mas pensamos que a vida é dura e vai ser mais a cada dia, a cada ano vivido, melhor aliviar hoje o peso para ver um sorriso no rosto de quem amamos.

Mas não basta sermos só tios, temos de participar. Precisamos ajudar a educar, ser referência de bons modos e de limites. As crianças são espertas e gostam de imitar tudo que os adultos fazem, por isso os tios devem ser exemplos, e podem sim educar e chamar a atenção com carinho.

O tempo vai passando e a cada momento vivido ao lado do meu sobrinho vejo que aprendo muito com ele. É uma pena mesmo morarmos tão distantes, mas aproveitamos cada minutinho quando estamos juntos, dormindo, brincando, contando histórias e batendo altos papos…

A sua percepção realista do mundo, a forma simples e ingênua de demonstrar afeto, a capacidade de aprender e discordar de algo que não quer ou que não julga certo fazer, as palavras tão diretas e a verdade em suas ações me ensinam a ser sempre melhor, a buscar ver a vida de um outro ângulo, por uma ótica muito mais positiva e verdadeira.

E se hoje alguém me perguntar se prefere antes ou agora que ele está com seus 4 aninhos eu responderei: “Como assim antes, nem me lembro como tão cinza era minha vida?! Com certeza hoje tudo é mais colorido, mais divertido e muito mais repleto de alegria, de amor e de sonhos! Ele deu luz à minha vida.”

É por esses e outros infinitos motivos que vale a pena ser tia/o. Só quem é sabe a alegria que este papel nos dá. Podemos ser tudo, amigos, companheiros, brincalhões, divertidos, engraçados, padrinhos, confidentes, mas o mais importante, aprendizes, porque aprendemos muito mais do que ensinamos a cada minuto ao lado de nossos sobrinhos, é um ganho de amor sem fim.

Esta entrada foi publicada em setembro 1, 2016, em Família.