Quando eu amei um animalzinho de estimação

É duro dizer isso, mas cresci sem ter muito contato com animais de estimação. Já tive sim, mas sempre foram distantes, sem contato físico, sem afeto, sem amor.

Era difícil admitir porque tinha medo de cachorros principalmente, não me sentia a vontade onde um, por mais inofensivo que fosse, estivesse. Como tudo na minha vida, sempre tenho uma meta de vencer aquilo que temo.

Aconteceu de eu ganhar de presente, em pleno carnaval uma linda cadelinha do meu marido. Ele, ao contrário de mim, sempre foi um apaixonado por animais e principalmente por cães. Imagina o receio dele em me presentear com um bichinho, logo eu que nunca tinha sido capaz de acariciar um animalzinho, embora sempre fui totalmente contrária aos maus tratos a animais, tenho pavor a violência.

Há muito tempo vinha lutando dentro de mim para aceitar o fato de ter um animal em casa. Quando ela chegou, pequenininha, 800 gramas, olhos piedosos, linguinha de fora, pelinhos macios, dois coraçõezinhos colados na testa, eu pensei “como darei conta?”

Sou muito determinada e responsável, essas características eram primordiais para dar conta de realmente ser uma boa cuidadora. A primeira noite sem dormir, atenta a choros, os xixizinhos espalhados pela casa, assim como os cocôs… A paciência em ensinar o local correto, de alimentar, os momentos para brincar…

Foi ai que a mágica toda aconteceu. Foi cuidando, tocando, sentindo, olhando, acariciando, brincando, sorrindo, limpando, dando banho, permitindo seus pequenos gestos de afeto que ela foi me conquistando. O amor foi surgindo, foi inundando esse meu coração velho de guerra.

Eu já tinha lido inúmeras vezes sobre os benefícios de ter um animal de estimação em casa. Já acreditava no bem que eles poderiam fazer, além disso em leitura da revista “Frontiers in Psychology” foi possível refletir sobre como os animais são capazes de despertar algo muito positivo em pessoas que estão doentes, sempre acreditei nesse benefício. Acabei assistindo o filme Nise – O coração da Loucura, e tudo isso me tocou profundamente.

Enquanto você não possui um animal de estimação, você não consegue despertar para esses sentimentos tão nobres e puros. Amar um animalzinho é saber que alguém te ama e te aceita como você é. Não precisa usar máscaras sociais, não precisa estar sempre bem, porque até nos dias tristes eles serão nossos alicerces de alegria sem limites.

Algo muito especial acontece com a gente quando somos presenteados ou adotamos um cãozinho, quando resgatamos um gatinho da rua, os olhos, sempre tão brilhantes, cheios de ternura, carecendo apenas de amor… É como se uma luz lá do fundo do túnel se acendesse, como se em algum lugar alguém respondesse pelo que sempre ansiamos e nunca soubemos dizer o que era.

Muita gente compara que amamos os animais e esquecemos de amar as pessoas, isso não tem nada a ver e nem mesmo deve servir de comparação. Existem diferentes tipos de amor. Os sentimentos que podemos sentir por um animal é uma coisa diferente, única, até inexplicável, ele consegue extrair o melhor de nós mesmos, isso é maravilhoso!

Por exemplo, enquanto escrevo este texto, sinto os dentinhos minúsculos da Melânia no meu dedão, mordiscando carinhosamente me dizendo “estou aqui mamãe”… Se olho para ela, me devolve um olhar nos olhos, me dá uma lambidinha e vira a barriguinha para que possa fazer cosquinha. São coisas simples, mas tão puras e especiais que nenhum coração peludo consegue ficar imune a esse amor.

Como psicóloga posso afirmar que fazer terapia faz muito bem, mas poucas coisas podem ser tão terapêuticas quanto chegar em casa desanimada, sem vontade de cantar uma linda canção, até triste, de repente, me ver refletida nos olhos da minha cadelinha. É como se ela me abraçasse, me beijasse e dissesse “vai dar tudo certo mamãe”.

Melânia é linda, mas foram seus pequenos olhos negros e sinceros que me ofereceram a perspectiva de suavizar meus problemas, minhas ansiedades e o meu estresse. Eu não sei descrever esse amor. É puro, é gostoso, é sereno, é doce. Me traz paz e equilíbrio para lidar com as adversidades da vida. Se você nunca se permitiu, faça o teste e descobrirá um amor sem limites.

Hoje é o dia daquelas que lutam pelo que acreditam

No dia 08 de março comemora-se o dia internacional da mulher, acredito que a maioria saiba de onde originou esta data, que somente foi marcada por trágico acontecimento.

Nos dias atuais as mulheres usam este dia para homenagear, parabenizar, lutar contra a violência doméstica, contra a desigualdade, contra o preconceito, contra os abusos… Os anos passaram, mas as lutas continuam. E parecem não ter fim…

Nenhum dia pode ser comemorado sem antes ter uma história que lhe origina, então vamos lá… No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi reprimido pela polícia. Podemos notar que nunca se consegue algo sem lutas, e as mulheres por anos, pioneiras já lutavam para que hoje pudéssemos desfrutar de suas conquistas!

No dia 25 de março de 1911, cerca de 145 trabalhadores (maioria mulheres, 130 no total) morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança de trabalho, gerando melhores condições de trabalho!

No entanto, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres. Mas, como nem tudo são flores, somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.

E desde lá, as lutas não tiveram fim. Por mais que hoje possamos comemorar muitas conquistas, ainda há muito a ser feito, no entanto, eu como psicóloga, e tantas outras colegas de profissão ou não, devem se unir para resgatar esta força que cada mulher tem de lutar pelo que acredita.

Mas esta luta não deve ser para ser mais homem, para se igualar com nosso sexo oposto, isso é uma grande perda de tempo. Mulher tem que ser mulher e tem que gostar de ser assim. Não precisa se vestir de homem, não precisa agir como homem, não precisa desenvolver competências e jeitos masculinos, isso não nos fará mais fortes e nem mais respeitadas.

Não podemos nos iludir, existem mulheres que são mais racionais que sentimentais, algumas não desejam ser mães, nem todas são sensíveis e nem todas gostam de chorar, mesmo que a maioria seja, e se for, tudo bem, ninguém é menos porque usa saia, porque chora, porque usa salto ou maquiagem. Ninguém tem que ser julgada pela roupa que veste, pela forma que deseja ser, pelas escolhas que tomar. O que não podemos é nos distanciarmos da nossa essência. Daquilo que somos, do que viemos e para onde queremos ir.

Ninguém tem o direito de nos limitar. Somos muito mais do que julgamos. Temos uma força inimaginável, um amor imensurável, uma resistência digna de aplausos. Com ou sem “jeitinho” conseguimos o que queremos. Lutamos apenas pelo que acreditamos. Somos guerreiras, numa luta injusta e milenar, por isso mesmo somos sobreviventes.

A gente tem que ter orgulho de ser mulher. De ter tido esse privilégio. De ter esta oportunidade de evoluir num corpo em constante transformação. Aguentamos as dores de parto, TPM, cólicas, menstruação… Vivemos num eterno dilema de querer mais e as vezes nem saber o que desejamos. Não nos conformamos com nosso cabelo, corpo e quantidade de roupas e sapatos, sempre achamos que possuímos menos… Somos um paradoxo difícil de decifrar e por isso mesmo tão encantador.

Que nesse dia possamos receber flores, chocolates, mimos, mas mais que isso, que possamos receber respeito, e que este seja duradouro. Mulheres, não se menosprezem, não se sintam menos, porque somos tudo aquilo que julgarmos capazes de ser. Ser mulher é um dom! Aproveite!

A força transformadora do amor

Têm gente que acredita que a dor transforma e ensina. Que se não for movido pelo amor, a dor entra no jogo e altera o rumo das coisas.

A verdade é que a dor somente é a manifestação da falta do amor. Se uma pessoa não aprende a amar, a vida de alguma forma, insiste em pôr essa pessoa de frente com alguma dificuldade, em contato com a dor para que logo ela possa aprender e, portanto, a amar.

Como vemos o amor é o que move a vida. Por mais banalizado que esta simples palavra esteja em nossa sociedade, ela ainda tem o maior poder em nosso planeta. Pelo amor somos capazes de vencer medos e superar dificuldades. O amor é a razão para ainda haver sorrisos no mundo apesar de tanta tristeza.

O amor existe em toda parte. Nos casais enamorados, nos latidos e pulinhos de felicidade de um cão recebendo seu dono, nos olhos das crianças admirando seus pais, nos pais vendo seus filhos evoluírem, no semblante de quem conquista sonhos, no toque de uma mão que compreende o sofrimento alheio, no sorriso sereno de quem vence uma doença, nas lágrimas de quem sente saudade, nos gestos das pessoas se despedindo uma das outras, nos abraços que unem dois corações, nos beijos que levam as pessoas para outras dimensões…

Poderia descrever aqui inúmeras vezes este sentimento ainda sem definição, mas com uma força extraordinária, capaz de unir céu e terra, de mover montanhas, de curar, de fazer milagres diários surgirem diante de nossos olhos tão incrédulos!

Eu sei, têm dias que parece que estamos tão acinzentados, com uma nuvem preta sobre nossas cabeças que não conseguimos ver o amor no ar, nem corações voando por ai. Tudo de melhor passa despercebido e sem graça pela nossa mente.

Mas, hoje quero apenas confirmar que o amor existe, que mesmo se o dia amanheceu sem aparente alegria, se o interior está cheio de nuvens carregadas e incertezas do amanhã, é possível reconhecer pelo menos em alguma coisa a presença do amor e da sua força em sua vida nesse momento…

Veja bem, se apesar de triste você abriu os olhos e pode enxergar, o amor existe ai. Se você levantou e pode andar, mesmo que com ajuda de cadeiras de rodas, o amor existe. Se for possível alimentar sozinho ou se ainda alguém alimentar você, ainda existe amor. Se o sol nasce lá fora, ou se chove, se faz calor, se faz frio, se está no interior ou se está no litoral, existe amor. Se está com saúde, se está doente, mas alguém cuida de você, se está num hospital, se está em sua casa, se está na praça ou numa prisão, ainda existe amor ai. Se está temente a Deus ou se vaga solitário descrente, ainda assim existe amor.

Sabe por quê? Porque o amor vive e vence tudo todos os dias! Enquanto houver vida, ainda haverá esperança e tempo para ser feliz, independente da situação mais difícil que você estiver enfrentando.

Vamos lá, reaja, toma um banho, coloque aquela velha roupa confortável que você gosta tanto, toma aquele café quentinho que te anima, se não quiser arrumar o cabelo, tudo bem, faz um rabo de cavalo e saia de cara lavada. Olhe para o céu, respire fundo, olhe a sua volta, ouça os sons, perceba que o amor está em tudo, mas se mesmo assim você não ver, coloque a mão sobre seu peito e sinta seu coração bater, ai dentro existe o maior motivo para sua felicidade… Você existe, o amor existe, o amor é você.

O que aprendi depois dos 30 anos!

Existem pequenos aprendizados que adquiri depois que passei dos 30 anos, cada fase traz consigo uma grande oportunidade de evoluir, de amadurecer. São hábitos que podem tornar a vida mais agradável, muitas vezes pensamos pouco sobre isso, por isso resolvi escrever aqui e compartilhar com vocês o que já deu certo para mim e para algumas pessoas que conheço, não custa nada experimentar.

Se todos os dias acordarmos e pensarmos que o nosso dia será o melhor de todos os outros, provavelmente será. Muitas vezes acordamos já desanimados e pensando apenas nos problemas, ainda sem soluções. Enchemos de ansiedade, medo e angústia o que poderia ser um dia criativo, alegre e cheio de grandes surpresas!

Ter amigos, manter amigos, cultivar amigos. Amigos verdadeiros, pessoas que nos amam e aceitam sem expectativas de nada. Que oferecem abraços e ombros amigos em qualquer situação fazem um bem fora do comum para todos os seres humanos. Viver sem isso é quase não viver, porque quase tudo temos de estar ao lado de pessoas queridas para compartilhar nossa vida. Por isso faça amizade com diferentes grupos de pessoas, cada vez mais sentirá o benefício disso!

Muita gente pensa que a felicidade só existe quando estamos com outras pessoas, com certeza a grande parte desse sentimento existe quando isso acontece. Mas existem momentos só nossos, uma solidão de vez em quando faz bem também. Nos permite colocar a casa em ordem dentro de nós. Saborear a nossa própria companhia é algo que muitas pessoas precisam aprender.

Algo que só depois dos 30 comecei a pensar e fazer foi me alimentar melhor e praticar exercícios. Queria ter feito isso antes, mas não importa a idade, o importante é começar. Evite gorduras, produtos industrializados. Procure saborear verduras, legumes e frutas, arrisque nos temperos, reaprenda a comer e não se torture evitando a todo custo comer um docinho, abra algumas exceções, isso não faz mal a ninguém. Pratique exercício, qualquer um, mas faça, 3 meses você verá o benefício e saberá como isso é essencial para a nossa energia vital.

Todo dia faço uma auto avaliação de manhã. O que eu preciso melhorar? O que eu estou deixando de fazer? Que hábito ruim ou vício posso deixar de fazer? Aprenda a ser um agente de mudança para seu próprio bem. Somos peritos em criticar, questionar, analisar a vida alheia e esquecemos das nossas! Costumo sempre orientar as pessoas a avaliarem quando algo lhes incomodam nos outros, se isso acontecer se pergunte: Por que esse hábito, jeito, comportamento nessa pessoa me irrita tanto? Com certeza a resposta irá lhe surpreender. O que me incomoda nos outros diz respeito a mim.

Aprender e desenvolver a consciência crítica, mas duvide até do que você julgar como uma verdade absoluta. Não defenda apaixonadamente uma causa sem questioná-la antes, fato é que quase sempre há alguma perspectiva que você nunca considerou sobre o assunto, e nunca é demais ser mais flexível e compreensivo. Isso evitará muitos problemas de relacionamento, é desgastante demais deparar com uma pessoa que se julga sempre certo e dono da verdade, quando essa não existe.

É muito importante aprender algo novo, sair da rotina. É importante fazer algo útil para aperfeiçoar nossa profissão, mas não deixe de aprender outras coisas que não tem nada a ver com sua carreira profissional como cozinhar, pintar, tocar instrumentos, escrever, enfim, faça tudo aquilo que não for do seu cotidiano. Isso irá ampliar sua visão de mundo.

Ler, estudar, assistir bons filmes e documentários. Estar atenta a tudo que lhe cerca. Evite revistas e jornais sensacionalistas, procure ver e ouvir os dois lados da medalha. Em alguns momentos ser imparcial é fundamental, em outros é necessário discordar, discutir e compreender a situação.

Família é sempre família, então se algo der errado nos relacionamentos, tente mais uma vez, sempre que possível claro, porque muita gente desiste antes de tentar. A melhor coisa que existe é saber que uma família vive em paz mesmo tendo pequenas discordâncias entre os membros. Pratique o perdão mesmo que a outra pessoa não queira, faça isso por você. Eu já fiz e deu certo!

Praticar o desapego. Não estou falando da forma que muita gente fala por ai, como se as pessoas fossem descartáveis. Falo de forma geral, evite acumular roupas, sapatos, papéis, entulhos, coisas. Lembre-se como viemos a esse mundo e como voltaremos, sem praticamente nada material. Li uma frase ontem num estabelecimento que dizia “o importante é o que a gente espalha e não o que a gente junta”, perfeita!

É muito importante deixar a nossa vida organizada. Consertar o que está quebrado, limpar o que está sujo, reformar o que não está em boas condições. As pessoas acostumam com as coisas. Se um vidro estiver quebrado e você não trocar, passa alguém na rua e quebra o vidro do outro lado, se uma mesa de um lugar público estiver escrita, outra pessoa vai lá e continua o rabisco, se alguém jogar lixo num lugar errado, outra pessoa vai lá e joga mais. Por isso faça o que tem que ser feito da forma certa desde o início. Aprenda a se incomodar com o que não está correto. Assim que a gente luta contra corrupção… 

Um dos maiores aprendizados da minha vida: Aprender a dizer não. Tudo nos é oferecido, mas nem tudo nos convém. Aprenda a se respeitar, se isso for contra o que você acredita, contra os seus valores, se for lhe fazer mal, para quê fazer então? Para não magoar os outros? Antes dos outros cuide de si mesmo! Retire da sua vida as pessoas que lhe fazem mal, que não acrescentam, que lhe tiram a paz. E por favor, pare de reclamar, experimente fazer isso 5 dias, sua vida melhorará em muito! Sorria para as pessoas, sorria de você, sorria de suas lembranças. Aprenda a gargalhar! Ache graça!

Por que não experimentar coisas novas, que lhe assustam, que lhe tiram o chão, que façam seu coração acelerar? Voe, ande de balão, pule de paraquedas, faça rapel, mergulhe, suba numa árvore, ande a cavalo, passe um batom vermelho, se apaixone… Vença seu medo, arrisque-se. Saia de cima do muro e viva!

Eu procuro sempre ver os dois lados da moeda. Tudo tem dois lados, até as coisas mais horríveis do mundo! Procure focar no lado bom, das coisas, dos acontecimentos, das pessoas. E quando ver isso, o que é bom, seja empático para compreender o lado obscuro, só assim conseguirá compreender tudo aquilo que hoje parece um grande mistério. Procure tirar o grande aprendizado de tudo.

Se estiver infeliz hoje, com qualquer coisa: trabalho, relacionamento, amizade, rotina, estudo… Mude. Não perca tempo com o que lhe faz infeliz. Têm gente desperdiçando a vida inteira, anos com o que não lhe agrada, com o que não lhe dá prazer, não que faz ter brilho nos olhos! Não, saia dessa zona de conforto e lute pelos seus sonhos!

Aprenda a se amar. Olhar para seu corpo e aceitá-lo, a gostar das curvinhas ou da falta delas, de ver beleza apesar dos padrões estabelecidos. Cuidar da pele, usar filtro solar. Arriscar-se numa maquiagem mais ousada ou sair com rosto lavado. Gostar de estar num lindo vestido de festa e ao mesmo tempo num pijamão da vovó. Gostar do cabelo, seja como for, desarrumado é melhor! Aceitar as nossas imperfeições (nariz, boca, barriga, perna, bunda, pé, orelha… até nosso coração!). Somos seres perfeitamente imperfeitos e por isso somos tão lindos!

Faça coisas que lhe tragam prazer e alegria. Se viajar é uma alegria, arrume as malas, se ficar em casa assistindo uma série é o que lhe dá alegria, opa, liga o Netflix ai. O importante é buscar essas pequenas doses de alegrias diárias, pode ser uma adoção de um animalzinho de estimação, plantar uma árvore, ler um bom livro, bater papo até tarde com amigos, assistir com o amor um bom filme, beber um bom vinho, devorar uma barra de chocolate, ouvir uma música preferida, cuidar do jardim, dançar pela casa… Tantas coisas, escolha, faça uma lista e aproveite!

E por fim, e nem por isso menos importante seja grato pela vida. Pela oportunidade de estar aqui nesse momento, com o que você tem, com as pessoas que lhe são especiais. Todo dia, pense sobre como seu almoço estava delicioso, como é bom saber que é amado, como sua cama é macia e quentinha, como seus amigos são legais, como seu gato é amoroso, como seu namorado é romântico ou como você se recuperou rápido de uma febre daquelas. Não importa. Apenas seja grato. Não se torne infeliz apenas para fazer os outros felizes. Não vale a pena. O que torna a vida especial são pequeninas coisas, aprenda a vê-las, a saboreá-las, a agradecer por tudo isso. Supere o que for ruim e aproveite o que for bom. Pense nisso!

Espírito Santo pede socorro!

Nesses últimos dias passei por algumas situações pessoais complicadas, mas hoje queria voltar a escrever sobre assuntos diversos, de interesse comum. Porém, eu não posso deixar de pedir ajuda ao meu estado que passa por uma situação tão caótica na segurança.

Eu, como a maioria das outras pessoas assistindo de longe a situação do estado do Espírito Santo poderia sentir compaixão, pena, ou qualquer outro sentimento de solidariedade com o próximo, mas como estive lá até dia 06/02/17, como presenciei as cenas de horror, senti a sensação de medo, que vai do arrepio a falta de ar, a vontade de fugir, de me proteger, de estar em algum lugar longe daquilo ou como quem quer acordar de um pesadelo terrível, pior que isso, é conseguir vir embora e deixar meus pais, familiares e amigos naquele inferno, dói demais o coração.

A violência é terrível gente, é uma das piores coisas que a gente passa nesse mundo. Já fui roubada, assaltada, refém em banco, mas o que as pessoas estão vivendo lá desde sexta passada é pior que isso. Quando a gente tem noção que aquilo que vivemos de terrível vai acabar e acaba, é ruim sim, mas deixa a gente menos em pane. Quando a gente vive rodeado de medo, quando não podemos comprar um pão, quando olhamos na rua e vemos os bandidos passando armados e rindo de nós acuados dentro de nossas casas, a situação é muito pior.

Ninguém pode viver assim. Não digo que o estado está em guerra, porque não existe (mesmo com a chegada do exército, no início da noite de 06/02/2017) alguém lutando contra outro. Ninguém está lutando, estão coagidos pela bandidagem, estão sequestrados da sua liberdade, não há luta, há terror sem fim. Um terrorismo sem causas justificáveis. Assaltam, matam, roubam, arrombam, destroem tudo sem que ninguém revide. A população não anda armada. Sem a Polícia Militar o povo não tem direito de ir e vir.

Não venho aqui defender as paralisações, os reajustes ou acusar a Polícia de estar tentando reaver aquilo que acham justo. E tenho certeza que é. Ninguém consegue viver com toda essa inflação sem reajuste há anos, em condições desumanas de trabalho, sem plano de saúde, arriscando sua vida quando a sociedade parece valorizar mais aqueles que praticam o mal.

O que eu quero, o que todas as pessoas de bem, o que todos os capixabas querem é segurança. É poder sair na rua. É poder ir trabalhar. É poder comprar um pão. É poder abrir seu comércio. É poder ir na esquina comprar um jornal. É poder voltar às aulas. É poder ir à um posto de saúde. É poder abastecer o carro. É poder caminhar na praia. É poder sentar na praça. É poder abrir a janela. É poder comprar um remédio. É poder ir na casa de um amigo. É poder ir à consulta. É fazer sua compra do mês. É poder receber seu salário no banco. É poder viver em paz.

Será que é muito pedir isso? Isso é o mínimo que garante uma vida digna, inclusive defendida pela nossa própria Constituição. A maioria das pessoas são pessoas de bem, que lutam, trabalham honestamente para conseguir manter suas famílias. Não estou aqui citando e defendendo àquelas que aproveitaram e saquearam as lojas que foram arrombadas pelos “verdadeiros bandidos”!

A população já sofre com educação e saúde na zona mais baixa de atendimento. A situação já é desumana nessas áreas, há anos sofremos com descasos políticos, e na segurança não é diferente, mas quando a situação chega a não ter nenhum tipo de segurança se instala o caos total. Os sentimentos são os mais bizarros, mistura ansiedade, medo, terror, pânico, angústia, revolta, raiva, frustração…

É necessário mobilizar a mídia, as outras pessoas de diferentes estados e principalmente o governo. Não adianta culpar a Polícia Militar, o problema é muito maior. Não adianta enviar a Força Nacional porque ninguém tem para quem ligar quando alguém está saqueando, invadindo, roubando ou matando um cidadão de bem onde for. Não adianta fazer falsas promessas de reajustes. É preciso realmente fazer, valorizar esta classe, dar atenção a segurança de todos, do ES e de todos os outros estados!

Parece que o governo esquece que a violência generalizada uma hora chega até para quem anda com seguranças armados. Tudo que não é controlado toma uma proporção muito maior, muitas vezes incontrolável e irreversível. Espero que possam acordar antes dessa situação não se tornar modelo para todos os outros estados também.

Desperte a mulher em você

Você deve estar ai se perguntando? Como mulher, como posso despertar o que sou? Esta é uma boa pergunta e deve ser questionada inúmeras vezes até obter uma resposta satisfatória.

Nasci na década de 80. Não fui uma mulher que nasceu depois da guerra, não vivenciei o início dos movimentos feministas, não queimei sutiãs nas ruas ou desfilei de peito aberto nas avenidas. Não venho aqui falar sobre isso, não quero defender causas, mas as mulheres, falar, pensar sobre elas.

Lembro bem que sempre fui uma rebelde, nas roupas, atitudes e pensamentos. Desde a minha adolescência. Trago alguns resquícios dessa época como usar as roupas que quero sem seguir padrões, as combinações são minhas, as escolhas também, a aversão a uniformes, a vontade de estar sempre mudando, a decisão do que quero ser e fazer, me incomoda a rotina e os padrões estabelecidos para as mulheres.

Me incomoda uma mulher ser somente um corpo bonito, existe muita coisa por trás disso. Não é possível que as mulheres, uma vez na vida não pense nisso, não lhe cause estranhamento a forma que somos tratadas, que somos infantilizadas e diminuídas. Eu acredito que uma hora aconteça isso para todas.

Não posso e não aceito ser resumida a ser um sexo frágil, a ser um corpo que somente é visto para agradar os padrões de uma sociedade machista. Por esses dias tenho visto muita crítica aos movimentos feministas, li até que mulheres não sofrem preconceito nas empresas em questão de vagas e salários! O que é uma tremenda mentira! Não gosto de radicalismo, por isso sei que muita gente se aproveita de movimentos para diminuir e enfraquecer ainda mais alguma classe.

Como sempre, prefiro o caminho do meio. Sem exageros, sem mimimi´s, mas lúcida quanto a realidade que me cerca. E infelizmente existe sim, a desigualdade dos gêneros. Mas mais importante que reivindicar direitos é a mulher tomar consciência de si mesma.

A partir do autoconhecimento é possível que cada mulher não aceite o que não lhe convém e assuma de vez a sua vida como autora e não como coadjuvante.

É triste demais olhar para o que muitas mulheres se tornaram nos dias atuais. Uma decadência. Ser o que somos de verdade é resgatar a nossa força, a nossa intensidade, a nossa garra, a nossa determinação, o nosso eu. E eu tenho certeza que nós não somos apenas um corpo vestido com um pedaço de pano que mal cobre as partes íntimas, somos mais que um corpo malhado, somos mais que beber e cair para parecermos homens, somos mais que rebolados até o chão, não somos uma parte do nosso corpo, mais que falar sobre assuntos fúteis e que não aguçam nossa inteligência. Somos completas.

É preciso despertar. Acordar desse pesadelo de existência moral. Podemos ser rebeldes e lutarmos pelo que acreditamos, mas longe do que estamos vendo. Temos percepções aguçadas, espíritos divertidos, somos devotas, curiosas, dotadas de grande resistência e força. Somos profundamente intuitivas, temos grande preocupação pelos nossos filhos, familiares e amigos. Somos mutantes, corajosas e vorazes. No entanto, somos perseguidas e acossadas por esta sociedade e pior, nos permitimos ser o que ela determina como “correto” ou “politicamente aceitável”.

É possível ser forte e determinada usando blusa de bolinhas, vestido estampado de corações, laços no cabelo, batom nos lábios. Do mesmo jeito não é porque você usa calças jeans, jaquetas de couro, botas nos pés e não gosta de pintar o cabelo que não seja feminina. É possível ser mulher sendo quem você é. Cada mulher deve buscar sua forma de vestir, de ser, de pensar. Não existe certo, não existe padrão, não existe politicamente correto.

É difícil desconstruir uma fantasia, uma ilusão, uma mentira maquiada de verdade por anos. Desperte, pode ser hoje com 7 anos, com 10, 15, 20, 30, 40, 50, …, 90, mas desperte. Não deixe de reconhecer tudo o que somos, a essência da nossa existência, o valor que temos para nós, para os que amamos e principalmente para mundo.

Eu posso ser feliz em dias de chuva

Por aqui o dia amanheceu chuvoso, prometendo aquela velha preguicinha matinal. Mas algumas pessoas sentem mais que isso. Existem pessoas que não gostam de tempo fechado, nublado ou chuvoso. Temem uma tempestade, talvez pelos raios, trovões, alagamentos…

Fato é que muita gente se deprime em dias assim, sem a presença do sol. Um dia ensolarado é maravilhoso, as cores são realçadas, os verdes ficam mais verdes, existe uma sensação contagiante de alegria no ar.

Então seria natural sentir o oposto desses sentimentos num dia de chuva? Não. O sol leva embora a umidade do ar, a água da terra, o frescor dos ventos, o verde das gramas… É mais que necessário chover. É necessário que a terra seja molhada, aliviada do calor.

Além disso, depois de muita chuva, a terra embebedada, o ar úmido e as rasas nuvens do céu nos permitem apreciar um grande espetáculo: o arco-íris! Com todas as cores indicado uma esperança de futuros dias felizes.

A gente precisa sentir os dias cinzas para valorizar os dias coloridos. A gente precisa passar pelas tempestades da vida para valorizar os dias de calmaria. A gente precisa aprender a ter paciência e sabedoria para apreciar o que vem depois dos dias difíceis.

Eu sei, muita gente sofre, e sofre por motivos diversos. Têm dias que a chuva caindo lá fora nos deixa com vontade de ficar ali na cama, deitados, preguiçosos e ao mesmo tempo, sem forças para seguir em frente e enfrentar todas as adversidades da vida. Têm dias que dá vontade de desistir, parece que o fim do túnel não tem uma luz se quer…

Mas tem. Tem sim. Tem luz no fim do túnel, tem arco-íris depois da tempestade, tem soluções para nossos problemas.

A grande dificuldade é acreditar que não tem mais jeito, que já sofremos tanto e que daqui para frente é isso mesmo, que carregar um peso muito além das nossas capacidades é nosso destino, é nossa obrigação. A mesmice é o que nos tira a possibilidade de enfrentar o que nos parece intransponível.

Ficar onde estamos é cômodo, mas não traz crescimento, nem evolução. Seremos sempre os mesmos, com nossos defeitos e qualidades, sem acrescentar e nem retirar. Pessoas mornas, pessoas mais ou menos, pessoas medíocres.

Não, ninguém merece isso, nem agora e nem lá na frente. O que passou, passou, se deixamos de ser no passado, teremos que aceitar, mas hoje, amanhã, depois, merecemos mais. Merecemos ser quentes, ser o que somos, nos aceitarmos em nossas limitações, mas usarmos nossa criatividade, nossa essência, o nosso dom para chegar ao nosso objetivo.

Nosso destino é a felicidade. Nada menos que isso. É preciso se encontrar para reconhecer que ser feliz é um estado de ânimo, não está fora do nosso corpo, mas dentro da nossa alma. Que a felicidade não tem preço, não vem das pessoas que relacionamos, não vem do nosso trabalho e nem do dinheiro que ganhamos, mas de quem somos, principalmente diante de grandes adversidades.

A felicidade não existe somente em dias de alegria, dias de sol, dias de praia, dias que passamos rodeados de pessoas. A felicidade existe quando estamos sozinhos e sentimos bem com isso. A felicidade existe quando estamos doentes mas temos a certeza que enfrentaremos isso com muita fé. A felicidade existe quando nos falta dinheiro, mas temos força de correr atrás e nos reinventarmos para ganhar o sustento de nossa família. Felicidade é quando abrimos nosso guarda-roupa e reconhecemos que temos mais que o suficiente para nós e podemos até doar. Felicidade é conquistar um sonho e saber que fomos capazes de trabalhar duro para alcançarmos apesar do cansaço. Felicidade é não ter muitos bens materiais porque sabemos que só estamos nessa vida de passagem e que na hora da viagem final, não poderemos levar nada fora de nós, apenas o que temos dentro… Dentro da alma.

Por isso pode chover, porque faça chuva ou faça sol, dentro de cada um de nós existe o grande segredo, o que todos procuram, o que todos almejam e sonham: a felicidade. Pare de buscar fora o que está dentro. Se conheça. Encontre-a.

Por que é tão difícil ser feliz?

Esta talvez seja a pergunta mais realizada no interior de cada ser humano e também a mais difícil de ser respondida.

A felicidade é um sentimento complexo, a maioria das pessoas já sentiram em algum momento da vida. Ser feliz é quando o que estamos experimentando em nosso interior é tão bom, capaz de nos preencher com todos os sentimentos prazerosos de alegria, amor, entusiasmo, realização, paz… Todos de uma só vez.

Então por que é tão raro senti-lo? Será que estamos fadados a sermos infelizes? Por que a vida parece tão difícil e cheia de contrariedades? Por que na maioria dos dias nos sentimos o oposto desse sentimento tão completo? Seria uma utopia? Será que a felicidade realmente existe? Eu mereço ser feliz? Alguém merece?

Responder perguntas tão intensas não é um trabalho fácil. A começar porque cada um sente, compreende, vive esse sentimento a sua maneira. Mas existe algo comum entre todas as pessoas, e por isso mesmo seja mais fácil tentar compreender o porquê de todos esses questionamentos.

Quando analisamos a forma que nós vivemos (no que se refere a pensamentos e comportamentos) é possível entender o que parece incompreensível.

A maioria de nós, seres humanos, vive sem questionar sua própria vida, não se conhece, não sabe porque se comporta de um jeito ou de outro, não reconhece erros, não se coloca no lugar do outro, não medita sobre suas atitudes, não sabe lidar com limitações, não controla suas ansiedades, vive no passado ou no futuro, não sabe controlar as emoções, não sabe se relacionar com as outras pessoas, não valoriza as pequenas coisas da vida, vive querendo ter o que não tem, não sabe quem é e nem porque está nesse planeta…

Precisamos entender antes de tudo que se perder é se achar. O caos é necessário para a evolução da vida, mas não podemos nos acostumar a ficar na bagunça psíquica para sempre! Enquanto não aprendermos a buscar sentido para nossa vida a felicidade parecerá um filme de ficção.

É possível ser feliz com o que somos e com o que temos hoje, mas para isso precisamos sair da inércia da mesmice, de achar que a vida é assim mesmo, quantas vezes dizemos “não está fácil pra ninguém”, e por isso ficamos onde estamos, sem entender pelo menos o que precisamos fazer e por que estamos aqui.

Questione-se mais, tenha dúvidas, mergulhe profundamente na sua existência, se conheça, reconheça suas limitações e suas qualidades, aprimore a sua força, enriqueça sua saúde emocional. É triste demais ser uma pessoa superficial, que parece bem adaptada a nossa sociedade que já se perdeu faz tempo. Aprenda a se rebelar, se todos estão seguindo um caminho, dê meia volta e siga o lado oposto, a chance é enorme de que a grande massa social esteja sendo manipulada. Porque se você não pensa, alguém pensará por você. Olha o perigo!

Seria muito bom dar dicas de faça isso ou aquilo, ter respostas prontas para que ainda hoje pudesse sentir a felicidade, mas eu não posso. O destino de cada um é a felicidade, mas depende de cada pessoa mergulhar cada vez mais profundamente dentro de si, fazendo perguntas e encontrando suas próprias respostas.

A felicidade existe sim, mas ela exige força e coragem para desbravar caminhos desconhecidos e intermináveis dentro de nós. Mergulhar em nossas profundezas é preciso, mas morrer afogado não!

Lista de desejos para o novo ano

Todo mundo pensa ou realmente faz uma listinha de desejos para o novo ano que se inicia. Hoje resolvi fazer uma lista que não vale apenas para mim, mas é um pouquinho de todos, talvez de alguns desejos esquecidos com o tempo ou alguns difíceis de serem realizados, mas que vale a pena pensar neles.

Para o novo ano desejo tolerância. Não sei se é a realidade da nossa sociedade, ou a falta de tempo, enfim, só sei que as pessoas estão intolerantes umas com as outras. Não tem mais paciência em ensinar ou aprender. Não dão preferência no trânsito, ou não cedem uma vaga ou um lugar. Não toleram os erros alheios e nem tudo aquilo que é diferente.

Desejo também abraços e beijos. Não estou falando dos amantes que demonstram tão facilmente seus gestos, estou falando entre pais e filhos, entre filhos e pais, entre irmãos, entre netos e avós, entre a família, entre amigos, entre desconhecidos, entre pessoas que são empáticas e oferecem o que tem de melhor, o afeto. Abraços fraternos e beijos carinhosos, o mundo carece disso!

Outro desejo que não pode faltar é alegria. Eu sei que com todas as dificuldades que estamos passando, crises, guerras, violência, corrupção, fome e miséria no mundo, a vontade de manter um sorriso nos lábios quase não existe. Fora as doenças e outras complicações. Porém, sem a alegria na alma corremos o grande risco de adoecermos completamente, sendo coniventes com esta sociedade que está doente há anos e não parece ter data para se recuperar. O olhar positivo sobre a vida muda nossa forma de superar qualquer problema. É importante ver o reverso da medalha, tudo tem um lado bom, melhor focar nele.

Desejo equilíbrio entre o corpo e a mente. Não adianta nada termos uma mente saudável, nos alimentarmos de pensamentos felizes, se não cuidarmos do nosso corpo. Precisamos nos exercitar, o corpo é uma máquina que também precisa ser calibrada, lubrificada e movimentada, caso contrário enferruja e começa a apresentar defeitos incorrigíveis. Praticar atividade física em qualquer idade traz o benefício da harmonia e principalmente a saúde.

Para o novo ano desejo esperança. Os dias, cada segundo a mais parece incerto e talvez duvidoso. A insegurança paira no ar, é importante ter a esperança, a fé de dias melhores, a certeza que as coisas vão melhorar. E para isso temos uma grande parcela, temos de nos comprometer a melhorar a vida, a nossa e de nossos semelhantes. Não adiante esperar que o novo ano seja menos terrível se não nos comprometemos a agir, transformando o meio onde vivemos.

Desejo realizações, desde as pequeninas às grandiosas. O sonho é o combustível da alma. Não ter objetivo de vida é viver como se não vivesse. Sonhe, passe para um papel, transforme tudo em realidade, seja persistente, tenha foco, tenha fé, acredite em você, vença os obstáculos, você é ilimitado, pode fazer muitas coisas boas, só depende exclusivamente de você. Acredite.

Desejo união, compaixão, empatia. Que nosso olhar seja sempre voltado para o coletivo. O que é bom para mim tem que ser bom para os outros, se existir segregação, se apenas alguns forem agraciados, algo está errado. Tenha esse senso de justiça, ajude àqueles que precisam de alguma coisa. Se coloque no lugar do outro, compreenda sua dor, seu sofrimento, sua angústia. A gente só dá aquilo que tem no coração, o que andamos oferecendo por ai?

Desejo a paz. Palavra tão pequena e tão significativa e que julgo dizer que poucos a tem, infelizmente. A paz é promovida nos nossos lares, com a nossa família, nos nossos ambientes de trabalho, nas igrejas que frequentamos, nos círculos de amigos que temos. E por que é tão escassa? Porque vivemos de fofoquinhas, intrigas, mesquinharias, ambições, invejas, calúnias, somente quando mudamos nossa forma de agir promovemos a paz para os outros e principalmente para nós mesmos.

E por fim, e nem por isso menos importante, desejo o amor. O amor de verdade, o sentimento inexplicável mas verdadeiro, forte, capaz de mover montanhas, de curar feridas, de aproximar os povos. O sentimento tão falado, tão popular, e no entanto, me parece desconhecido. Os pais dizem que amam seus filhos, mas não o educam, não lhe dão limites… Os filhos dizem que amam seus pais, mas quando adoecem não tem tempo para cuidar, para visitar, os internam e lá deixam, alguns até choram sua morte, outros nem isso! Os esposos dizem que amam suas esposas, seus filhos, mas não conseguem ser companheiros, não conseguem dar atenção, priorizam o trabalho, os vícios, os entretenimentos… As pessoas dizem que amam os semelhantes, mas se errarem de alguma forma, ou se forem apenas diferentes, se tiverem pensamentos contrários, podem ser mortos, violentados, maltratados por estas mesmas pessoas. E por ai vai…

Eu poderia desejar todas essas infinitas coisas que todos desejam e pedem como dinheiro, prosperidade, sucesso, fama, prestígio…. Mas todas elas não têm significado algum perto de todas as outras que descrevi acima. O ano pode lhe trazer tudo que todos desejam, mas os itens que descrevi depende de você, cada um é responsável pela sua felicidade, você é o autor da sua vida, tenha cuidado com o que se deseja porque pode se tornar realidade… Espero que deseje o que realmente importa, só assim todas as outras coisas lhe serão acrescentadas.

Feliz 2017!

O essencial fica

Quantos de nós por vezes questionamos a vida, por que momentos tão maravilhosos acabam rápido demais? Sentimos que lugares, pessoas, sensações, instantes, que nos fizeram grande bem estar tem uma curta duração.

Na verdade toda essa sensação é provocada por nós mesmos, pela nossa forma de viver a vida. Não sabemos viver. Priorizamos tudo aquilo que tem pouca ou nenhuma importância, esquecemos das que deveriam estar no item 1 de prioridade.

Esquecemos da nossa família, esquecemos dos nossos filhos, esquecemos dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos irmãos, dos nossos primos. Esquecemos dos amigos. Esquecemos dos animais e da natureza. Esquecemos simplesmente.

Lembramos de pagar as contas, de trabalhar, de juntar dinheiro, de comprar um carro, de comprar uma casa, de comprar um rancho, de comprar um apartamento, de comprar roupas, comprar… Adquirir… Juntar…Ter… Possuir…

“O essencial é invisível aos olhos” já dizia o Pequeno Príncipe. Tudo de mais importante na vida não dá para comprar num cartão de crédito. Não dá para juntar rios de dinheiro e pagar num futuro próximo. Não tem valor comercial, não tem fatura, não tem cifras.

O essencial é aquilo que sentimos, o que guardamos no coração, que provoca grandes sorrisos, que gera nostalgia, que nos preenche os dias. São as lembranças de momentos felizes. São as sensações de abraços reconfortantes e beijos carinhosos. São cheiros de comidinha feita pela mãe, de perfume do amor que estava longe. São sons de palavras doces, de músicas que remetem a pessoas queridas, a momentos alegres.

Eu sei que tudo isso que escrevi não gera nenhum frisson, estamos acostumados a viver no automático, de aparência, de esquecimento e frieza. O amor está fora de moda. As pessoas não se importam mais. Não valorizam uns aos outros. O que temos é mais importante do que somos. Tudo está virado do avesso. Falta empatia, falta doçura, falta respeito.

Os pais ensinam valores errados. A sociedade estimula a segregação. Os países querem guerra. As religiões distanciam as pessoas. A paz não parece existir. Nem as crianças que pareciam criar dentro das pessoas algum sentimento, não comovem mais. As pessoas querem ver matar e ver cair, e se puder ajudar melhor. É uma grande arena de todas as atrocidades, raras exceções alguns se chocam.

Eu pertenço a esse pequenino grupo. Me recuso a viver assim. Prefiro a exceção, prefiro as pessoas, prefiro o abraço, o aperto de mão, o olho no olho, os sorrisos, os laços, as amizades. Eu ainda prefiro o amor, a paz e a doçura. Eu prefiro ser uma sonhadora otimista que reconhecer que vivo num lugar onde não me encaixo. Nem em ideias, nem em valores.

Por isso é mais fácil ter mais momentos felizes do que esperar todas as sextas-feiras ou as tão sonhadas férias. Não espero o fim de semana para ser feliz, para fazer o que me dá prazer. Não espero conhecer outras pessoas, sou feliz com as que já tenho na minha vida. Prefiro criar laços duradouros, promover momentos únicos e garantir grandes e constantes alegrias durante todos os meus dias.

Só sei que o essencial fica. Vale a pena. Guardo comigo todas as experiências maravilhosas. No meu coração guardo lembranças valiosas, sem preço, raridades. E vou seguindo assim. Aproveitando o melhor que a vida me oferece, sem criar expectativas nas pessoas, mas tendo uma grande fé em Deus e na vida.