Eu posso ser feliz em dias de chuva

Por aqui o dia amanheceu chuvoso, prometendo aquela velha preguicinha matinal. Mas algumas pessoas sentem mais que isso. Existem pessoas que não gostam de tempo fechado, nublado ou chuvoso. Temem uma tempestade, talvez pelos raios, trovões, alagamentos…

Fato é que muita gente se deprime em dias assim, sem a presença do sol. Um dia ensolarado é maravilhoso, as cores são realçadas, os verdes ficam mais verdes, existe uma sensação contagiante de alegria no ar.

Então seria natural sentir o oposto desses sentimentos num dia de chuva? Não. O sol leva embora a umidade do ar, a água da terra, o frescor dos ventos, o verde das gramas… É mais que necessário chover. É necessário que a terra seja molhada, aliviada do calor.

Além disso, depois de muita chuva, a terra embebedada, o ar úmido e as rasas nuvens do céu nos permitem apreciar um grande espetáculo: o arco-íris! Com todas as cores indicado uma esperança de futuros dias felizes.

A gente precisa sentir os dias cinzas para valorizar os dias coloridos. A gente precisa passar pelas tempestades da vida para valorizar os dias de calmaria. A gente precisa aprender a ter paciência e sabedoria para apreciar o que vem depois dos dias difíceis.

Eu sei, muita gente sofre, e sofre por motivos diversos. Têm dias que a chuva caindo lá fora nos deixa com vontade de ficar ali na cama, deitados, preguiçosos e ao mesmo tempo, sem forças para seguir em frente e enfrentar todas as adversidades da vida. Têm dias que dá vontade de desistir, parece que o fim do túnel não tem uma luz se quer…

Mas tem. Tem sim. Tem luz no fim do túnel, tem arco-íris depois da tempestade, tem soluções para nossos problemas.

A grande dificuldade é acreditar que não tem mais jeito, que já sofremos tanto e que daqui para frente é isso mesmo, que carregar um peso muito além das nossas capacidades é nosso destino, é nossa obrigação. A mesmice é o que nos tira a possibilidade de enfrentar o que nos parece intransponível.

Ficar onde estamos é cômodo, mas não traz crescimento, nem evolução. Seremos sempre os mesmos, com nossos defeitos e qualidades, sem acrescentar e nem retirar. Pessoas mornas, pessoas mais ou menos, pessoas medíocres.

Não, ninguém merece isso, nem agora e nem lá na frente. O que passou, passou, se deixamos de ser no passado, teremos que aceitar, mas hoje, amanhã, depois, merecemos mais. Merecemos ser quentes, ser o que somos, nos aceitarmos em nossas limitações, mas usarmos nossa criatividade, nossa essência, o nosso dom para chegar ao nosso objetivo.

Nosso destino é a felicidade. Nada menos que isso. É preciso se encontrar para reconhecer que ser feliz é um estado de ânimo, não está fora do nosso corpo, mas dentro da nossa alma. Que a felicidade não tem preço, não vem das pessoas que relacionamos, não vem do nosso trabalho e nem do dinheiro que ganhamos, mas de quem somos, principalmente diante de grandes adversidades.

A felicidade não existe somente em dias de alegria, dias de sol, dias de praia, dias que passamos rodeados de pessoas. A felicidade existe quando estamos sozinhos e sentimos bem com isso. A felicidade existe quando estamos doentes mas temos a certeza que enfrentaremos isso com muita fé. A felicidade existe quando nos falta dinheiro, mas temos força de correr atrás e nos reinventarmos para ganhar o sustento de nossa família. Felicidade é quando abrimos nosso guarda-roupa e reconhecemos que temos mais que o suficiente para nós e podemos até doar. Felicidade é conquistar um sonho e saber que fomos capazes de trabalhar duro para alcançarmos apesar do cansaço. Felicidade é não ter muitos bens materiais porque sabemos que só estamos nessa vida de passagem e que na hora da viagem final, não poderemos levar nada fora de nós, apenas o que temos dentro… Dentro da alma.

Por isso pode chover, porque faça chuva ou faça sol, dentro de cada um de nós existe o grande segredo, o que todos procuram, o que todos almejam e sonham: a felicidade. Pare de buscar fora o que está dentro. Se conheça. Encontre-a.

Por que é tão difícil ser feliz?

Esta talvez seja a pergunta mais realizada no interior de cada ser humano e também a mais difícil de ser respondida.

A felicidade é um sentimento complexo, a maioria das pessoas já sentiram em algum momento da vida. Ser feliz é quando o que estamos experimentando em nosso interior é tão bom, capaz de nos preencher com todos os sentimentos prazerosos de alegria, amor, entusiasmo, realização, paz… Todos de uma só vez.

Então por que é tão raro senti-lo? Será que estamos fadados a sermos infelizes? Por que a vida parece tão difícil e cheia de contrariedades? Por que na maioria dos dias nos sentimos o oposto desse sentimento tão completo? Seria uma utopia? Será que a felicidade realmente existe? Eu mereço ser feliz? Alguém merece?

Responder perguntas tão intensas não é um trabalho fácil. A começar porque cada um sente, compreende, vive esse sentimento a sua maneira. Mas existe algo comum entre todas as pessoas, e por isso mesmo seja mais fácil tentar compreender o porquê de todos esses questionamentos.

Quando analisamos a forma que nós vivemos (no que se refere a pensamentos e comportamentos) é possível entender o que parece incompreensível.

A maioria de nós, seres humanos, vive sem questionar sua própria vida, não se conhece, não sabe porque se comporta de um jeito ou de outro, não reconhece erros, não se coloca no lugar do outro, não medita sobre suas atitudes, não sabe lidar com limitações, não controla suas ansiedades, vive no passado ou no futuro, não sabe controlar as emoções, não sabe se relacionar com as outras pessoas, não valoriza as pequenas coisas da vida, vive querendo ter o que não tem, não sabe quem é e nem porque está nesse planeta…

Precisamos entender antes de tudo que se perder é se achar. O caos é necessário para a evolução da vida, mas não podemos nos acostumar a ficar na bagunça psíquica para sempre! Enquanto não aprendermos a buscar sentido para nossa vida a felicidade parecerá um filme de ficção.

É possível ser feliz com o que somos e com o que temos hoje, mas para isso precisamos sair da inércia da mesmice, de achar que a vida é assim mesmo, quantas vezes dizemos “não está fácil pra ninguém”, e por isso ficamos onde estamos, sem entender pelo menos o que precisamos fazer e por que estamos aqui.

Questione-se mais, tenha dúvidas, mergulhe profundamente na sua existência, se conheça, reconheça suas limitações e suas qualidades, aprimore a sua força, enriqueça sua saúde emocional. É triste demais ser uma pessoa superficial, que parece bem adaptada a nossa sociedade que já se perdeu faz tempo. Aprenda a se rebelar, se todos estão seguindo um caminho, dê meia volta e siga o lado oposto, a chance é enorme de que a grande massa social esteja sendo manipulada. Porque se você não pensa, alguém pensará por você. Olha o perigo!

Seria muito bom dar dicas de faça isso ou aquilo, ter respostas prontas para que ainda hoje pudesse sentir a felicidade, mas eu não posso. O destino de cada um é a felicidade, mas depende de cada pessoa mergulhar cada vez mais profundamente dentro de si, fazendo perguntas e encontrando suas próprias respostas.

A felicidade existe sim, mas ela exige força e coragem para desbravar caminhos desconhecidos e intermináveis dentro de nós. Mergulhar em nossas profundezas é preciso, mas morrer afogado não!

Lista de desejos para o novo ano

Todo mundo pensa ou realmente faz uma listinha de desejos para o novo ano que se inicia. Hoje resolvi fazer uma lista que não vale apenas para mim, mas é um pouquinho de todos, talvez de alguns desejos esquecidos com o tempo ou alguns difíceis de serem realizados, mas que vale a pena pensar neles.

Para o novo ano desejo tolerância. Não sei se é a realidade da nossa sociedade, ou a falta de tempo, enfim, só sei que as pessoas estão intolerantes umas com as outras. Não tem mais paciência em ensinar ou aprender. Não dão preferência no trânsito, ou não cedem uma vaga ou um lugar. Não toleram os erros alheios e nem tudo aquilo que é diferente.

Desejo também abraços e beijos. Não estou falando dos amantes que demonstram tão facilmente seus gestos, estou falando entre pais e filhos, entre filhos e pais, entre irmãos, entre netos e avós, entre a família, entre amigos, entre desconhecidos, entre pessoas que são empáticas e oferecem o que tem de melhor, o afeto. Abraços fraternos e beijos carinhosos, o mundo carece disso!

Outro desejo que não pode faltar é alegria. Eu sei que com todas as dificuldades que estamos passando, crises, guerras, violência, corrupção, fome e miséria no mundo, a vontade de manter um sorriso nos lábios quase não existe. Fora as doenças e outras complicações. Porém, sem a alegria na alma corremos o grande risco de adoecermos completamente, sendo coniventes com esta sociedade que está doente há anos e não parece ter data para se recuperar. O olhar positivo sobre a vida muda nossa forma de superar qualquer problema. É importante ver o reverso da medalha, tudo tem um lado bom, melhor focar nele.

Desejo equilíbrio entre o corpo e a mente. Não adianta nada termos uma mente saudável, nos alimentarmos de pensamentos felizes, se não cuidarmos do nosso corpo. Precisamos nos exercitar, o corpo é uma máquina que também precisa ser calibrada, lubrificada e movimentada, caso contrário enferruja e começa a apresentar defeitos incorrigíveis. Praticar atividade física em qualquer idade traz o benefício da harmonia e principalmente a saúde.

Para o novo ano desejo esperança. Os dias, cada segundo a mais parece incerto e talvez duvidoso. A insegurança paira no ar, é importante ter a esperança, a fé de dias melhores, a certeza que as coisas vão melhorar. E para isso temos uma grande parcela, temos de nos comprometer a melhorar a vida, a nossa e de nossos semelhantes. Não adiante esperar que o novo ano seja menos terrível se não nos comprometemos a agir, transformando o meio onde vivemos.

Desejo realizações, desde as pequeninas às grandiosas. O sonho é o combustível da alma. Não ter objetivo de vida é viver como se não vivesse. Sonhe, passe para um papel, transforme tudo em realidade, seja persistente, tenha foco, tenha fé, acredite em você, vença os obstáculos, você é ilimitado, pode fazer muitas coisas boas, só depende exclusivamente de você. Acredite.

Desejo união, compaixão, empatia. Que nosso olhar seja sempre voltado para o coletivo. O que é bom para mim tem que ser bom para os outros, se existir segregação, se apenas alguns forem agraciados, algo está errado. Tenha esse senso de justiça, ajude àqueles que precisam de alguma coisa. Se coloque no lugar do outro, compreenda sua dor, seu sofrimento, sua angústia. A gente só dá aquilo que tem no coração, o que andamos oferecendo por ai?

Desejo a paz. Palavra tão pequena e tão significativa e que julgo dizer que poucos a tem, infelizmente. A paz é promovida nos nossos lares, com a nossa família, nos nossos ambientes de trabalho, nas igrejas que frequentamos, nos círculos de amigos que temos. E por que é tão escassa? Porque vivemos de fofoquinhas, intrigas, mesquinharias, ambições, invejas, calúnias, somente quando mudamos nossa forma de agir promovemos a paz para os outros e principalmente para nós mesmos.

E por fim, e nem por isso menos importante, desejo o amor. O amor de verdade, o sentimento inexplicável mas verdadeiro, forte, capaz de mover montanhas, de curar feridas, de aproximar os povos. O sentimento tão falado, tão popular, e no entanto, me parece desconhecido. Os pais dizem que amam seus filhos, mas não o educam, não lhe dão limites… Os filhos dizem que amam seus pais, mas quando adoecem não tem tempo para cuidar, para visitar, os internam e lá deixam, alguns até choram sua morte, outros nem isso! Os esposos dizem que amam suas esposas, seus filhos, mas não conseguem ser companheiros, não conseguem dar atenção, priorizam o trabalho, os vícios, os entretenimentos… As pessoas dizem que amam os semelhantes, mas se errarem de alguma forma, ou se forem apenas diferentes, se tiverem pensamentos contrários, podem ser mortos, violentados, maltratados por estas mesmas pessoas. E por ai vai…

Eu poderia desejar todas essas infinitas coisas que todos desejam e pedem como dinheiro, prosperidade, sucesso, fama, prestígio…. Mas todas elas não têm significado algum perto de todas as outras que descrevi acima. O ano pode lhe trazer tudo que todos desejam, mas os itens que descrevi depende de você, cada um é responsável pela sua felicidade, você é o autor da sua vida, tenha cuidado com o que se deseja porque pode se tornar realidade… Espero que deseje o que realmente importa, só assim todas as outras coisas lhe serão acrescentadas.

Feliz 2017!

O essencial fica

Quantos de nós por vezes questionamos a vida, por que momentos tão maravilhosos acabam rápido demais? Sentimos que lugares, pessoas, sensações, instantes, que nos fizeram grande bem estar tem uma curta duração.

Na verdade toda essa sensação é provocada por nós mesmos, pela nossa forma de viver a vida. Não sabemos viver. Priorizamos tudo aquilo que tem pouca ou nenhuma importância, esquecemos das que deveriam estar no item 1 de prioridade.

Esquecemos da nossa família, esquecemos dos nossos filhos, esquecemos dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos irmãos, dos nossos primos. Esquecemos dos amigos. Esquecemos dos animais e da natureza. Esquecemos simplesmente.

Lembramos de pagar as contas, de trabalhar, de juntar dinheiro, de comprar um carro, de comprar uma casa, de comprar um rancho, de comprar um apartamento, de comprar roupas, comprar… Adquirir… Juntar…Ter… Possuir…

“O essencial é invisível aos olhos” já dizia o Pequeno Príncipe. Tudo de mais importante na vida não dá para comprar num cartão de crédito. Não dá para juntar rios de dinheiro e pagar num futuro próximo. Não tem valor comercial, não tem fatura, não tem cifras.

O essencial é aquilo que sentimos, o que guardamos no coração, que provoca grandes sorrisos, que gera nostalgia, que nos preenche os dias. São as lembranças de momentos felizes. São as sensações de abraços reconfortantes e beijos carinhosos. São cheiros de comidinha feita pela mãe, de perfume do amor que estava longe. São sons de palavras doces, de músicas que remetem a pessoas queridas, a momentos alegres.

Eu sei que tudo isso que escrevi não gera nenhum frisson, estamos acostumados a viver no automático, de aparência, de esquecimento e frieza. O amor está fora de moda. As pessoas não se importam mais. Não valorizam uns aos outros. O que temos é mais importante do que somos. Tudo está virado do avesso. Falta empatia, falta doçura, falta respeito.

Os pais ensinam valores errados. A sociedade estimula a segregação. Os países querem guerra. As religiões distanciam as pessoas. A paz não parece existir. Nem as crianças que pareciam criar dentro das pessoas algum sentimento, não comovem mais. As pessoas querem ver matar e ver cair, e se puder ajudar melhor. É uma grande arena de todas as atrocidades, raras exceções alguns se chocam.

Eu pertenço a esse pequenino grupo. Me recuso a viver assim. Prefiro a exceção, prefiro as pessoas, prefiro o abraço, o aperto de mão, o olho no olho, os sorrisos, os laços, as amizades. Eu ainda prefiro o amor, a paz e a doçura. Eu prefiro ser uma sonhadora otimista que reconhecer que vivo num lugar onde não me encaixo. Nem em ideias, nem em valores.

Por isso é mais fácil ter mais momentos felizes do que esperar todas as sextas-feiras ou as tão sonhadas férias. Não espero o fim de semana para ser feliz, para fazer o que me dá prazer. Não espero conhecer outras pessoas, sou feliz com as que já tenho na minha vida. Prefiro criar laços duradouros, promover momentos únicos e garantir grandes e constantes alegrias durante todos os meus dias.

Só sei que o essencial fica. Vale a pena. Guardo comigo todas as experiências maravilhosas. No meu coração guardo lembranças valiosas, sem preço, raridades. E vou seguindo assim. Aproveitando o melhor que a vida me oferece, sem criar expectativas nas pessoas, mas tendo uma grande fé em Deus e na vida.

 

Campanha de Natal foi maravilhosa!

No dia 15/12/2016 tive momentos muito felizes com as crianças da Instituição Casa de Betania, que eu e meus amigos queridos ajudaram, a felicidade deles foi constatada não só pela euforia, senti um coraçãozinho de um menino que estava no meu colo, batia acelerado! Quantos sorrisos, quanta alegria, quantos sonhos, o futuro ali, criançinhas que hoje só sabem sorrir e brincar, espero em Deus que o futuro delas seja tão lindo como seus sonhos. Agradeço à todos que ajudaram mais uma vez, vocês não só fizeram aquelas crianças felizes, mas também fui muito feliz neste dia, nem sei descrever… Um forte abraço à todos!👏👶🙏👨🎈👧🎁😘🎀🎊🎆😇🙏👏

Dando tchau para quem não acrescenta nada na minha vida

Chegando o fim do ano e aquela vontade de renovar tudo só cresce dentro da gente não é? Fazemos listas com vários objetivos e sonhos para 2017, esperamos que seja melhor do que este, fato que eu acredito piamente que será, visto que este ano foi um daqueles que muita gente quer esquecer!

E como acontece? Arrumamos a casa, faxinamos as gavetas e armários, no coração a ansiedade do novo que já está quase ali batendo na porta. O fim do ano é o período que mais aprecio, os enfeites de natal, as pessoas andando alegremente pelas ruas, nem que seja para sair comprando na última hora, há uma esperança no ar, uma energia que emana de toda criatura… As luzes iluminam as árvores, as mensagens que chegam e nos emocionam, a família reunida. Ah eu amo o fim do ano!

Só que muita gente esquece de faxinar um lugar difícil de mexer… Não porque seja impossível, mas pode doer e machucar quando movemos os móveis, limpamos a sujeira e recolhemos os entulhos. Não, não é de uma casa que estou falando, mas dos nossos corações!

Como andam sujos, maltrapilhos, estropiados, massacrados, remendados… E o mais interessante que limpamos objetos, desfazemos de coisas, mas não harmonizamos o que realmente importa. No nosso coração fica uma represa, algo que guardamos e raramente deixamos escapar algum resíduo, isso é um perigo!

Andamos com roupas novas, nas cores branca, amarela, rosa, azul, verde, vermelha, que simboliza isso ou aquilo na virada de ano, mas por dentro não passamos de miseráveis, a deriva da vida, alheios ao mundo, empoeirados e enraizados nas nossas mesquinharias de sofrimentos que nada acrescentam e só minam o restinho de esperança dentro de nós!

Limpamos a casa, recebemos visitas, sorrimos em companhia de amigos, familiares e colegas, mas por dentro sentimos uma solidão que dói e aperta, que nos faz chorar sozinhos no banheiro.

Postamos fotos, conhecemos o mundo, despertamos a inveja alheia, mas por dentro somos mais pobres emocionalmente que muitas pessoas que moram na rua ou que vivem na miséria absoluta!

Mantemos nosso corpo maravilhosamente definido por fora e por dentro não somos capazes de olhar nossos olhos no espelho… Temos medo do que podemos ver… Temos milhões de amigos, mas quando mais precisamos não tem um para nos estender a mão… Temos uma mesa farta, mas por dentro estamos esfomeados de afeto!

E eu pergunto para quê, para quem? Claro que devemos cuidar do corpo, claro que podemos estar nas redes sociais, claro que podemos manter muitas amizades… A dificuldade está nas nossas relações, as pessoas se tornaram descartáveis, informatizamos o contato, não priorizamos o essencial, consumimos objetos e infelizmente até pessoas.

A crise não é só econômica, a sociedade está em crise, as relações estão em crise, uma hora devemos despertar ou sabe-se lá! E é por isso que neste ano vou fazer diferente, vou faxinar meu coração…

Vou varrer da minha vida quem não acrescenta nada, vou encaixotar e sair distribuindo o que dá para aproveitar, certa de que outras pessoas podem gostar… Vou tirar do guarda roupa as decepções, as tristezas, as mágoas como quem joga fora o que não serve à ninguém.

Vou jogar fora tudo que me faz sentir cansada, pesos desnecessários. Vou sair distribuindo o perdão, vou abastecer a geladeira de coisas gostosas. Quero um coração cheio de doce, de chocolate, de mel. Quero por flores nos vasos e jogar fora os jornais velhos, as revistas de outros anos e contas que não serão pagas. Vou desfazer dos entulhos.

Vou lavar bem o chão, esfregar bastante para sair a mesquinharia e o preconceito, nem que para isso tenha que me ajoelhar. Vou levantar o tapete e jogar fora a hipocrisia…

Vou tirar a poeira das lembranças felizes, vou jogar bom ar pela casa, vou trocar os lençóis das camas, mudar um coisa de lugar, pintar as portas de branco, trocar as cortinas amareladas e abrir as janelas para que o vento entre saltitante pela casa… Vou olhar pausadamente e nostalgicamente as fotografias dos meus queridos, vou entrar no quarto, respirar fundo e despertar o amor.

Não vai ficar nada do jeito que está, vai dar trabalho, vou ter que por muito cloro no chão, vou ter de lustrar os móveis, aspirar a poeira, recolher muito entulho, mas depois vou me sentir verdadeiramente renovada para o novo ano, para minha nova vida, para meu novo coração. Já posso até ver… Da janela aberta vou dar tchau para quem não acrescenta nada na minha vida…

Termina logo 2016!

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Quantos não pensaram isso desde que este ano chegou ao topo de acontecimentos tristes, trágicos e estarrecedores? Se não todos a maioria não é? Esse sentimento só cresce, talvez porque estejamos cansados e cheios de experiências traumáticas ainda não resolvidas.

Como quem se agarra ao que pode, o fim do ano possibilita, em nível quase inconsciente, que tudo se renove dentro e fora de nós, como se um novo ano, a partir de 01/01/2017 pudesse trazer bons ventos e experiências mais felizes, e por que não duradouras?!

Eu espero, como a maioria das pessoas, que assim seja. Estamos cansados, é tanta notícia ruim, são mesquinharias, arrogâncias, desrespeitos, guerras, corrupção, menosprezos, tragédias, violência, crises econômicas… Assusta todo tipo de gente ligar uma TV e assistir o noticiário, seja aqui no Brasil ou em qualquer lugar no mundo!

Vejo cada dia mais gente sofrendo, e a pior de todas as dores é a falta de esperança. Acabei de ler uma frase num grupo escrito por uma mulher “O que fazer quando sentimos que viver não vale a pena?” É difícil demais responder esta pergunta. É preciso saber ouvir atentamente o que ela quis dizer quando escreveu isso, pedindo aos leitores ajuda, cada pessoa escreveu alguma coisa com o intuito de ajudar, alguns pareciam coerentes, outros nem tanto, alguns ainda julgavam mais do que ajudavam.

Verdade é que somente cada um sabe a dor que carrega em seu peito, seja por estar sofrendo por si mesmo, ou porque sofre pela dor de outra pessoa. E o sofrimento por si só já é uma carga pesada demais, que acumula sentimentos secundários que nada acrescem de bom. Mas é claro que tudo tem dois lados, até em grande sofrimento podemos aprender coisas que nos ajudarão lá frente, mesmo que hoje não seja possível ver um palmo a frente do nosso nariz.

Quando sofremos a fé ajuda com certeza, crer em algo maior sempre nos impulsiona a ter esperança, e consequentemente sentimos mais fortes para enfrentar as dificuldades da vida. Mas é necessário também ter apoio da família, de amigos e de profissionais. Quando as pessoas nos dizem seu sofrimento, a maioria não gosta de ouvir ou acaba julgando a pessoa como fraca, com pouca autoestima e fé, mas o problema é sempre muito maior do que vemos. Existe um abismo entre o que achamos e o que realmente está acontecendo dentro da pessoa que sofre.

Independente de ser uma depressão, uma tristeza, uma angústia, uma fobia ou uma ansiedade, antes de tudo a pessoa precisa ter com quem contar, ninguém deve ficar isolada, esperando sozinha encontrar uma solução dos seus problemas, é preciso dividir, falar, dialogar, para que alguém, leigo ou profissional, possa ajudar de alguma forma.

Acredito muito na força que cada ser humano tem em se reerguer, em superar suas tristezas e resolver seus problemas, muitas vezes o que falta é a pessoa perceber isso, por isso que muitos profissionais atuam de forma que seja possível ajudar na descoberta do desconhecido dentro dele mesmo tudo aquilo que precisa para ter uma vida mais equilibrada e feliz.

É preciso antes de tudo, entender que a vida tem sim seus altos e baixos, nem sempre fará um lindo dia de sol na praia, haverá dias de tórridas tempestades que podem virar os barcos e fazer ondas gigantes invadirem ruas, casas e tudo mais. A felicidade não existe todos os dias. Por mais que muitas pessoas pareçam ser sempre felizes e estar saindo de um conto de fadas! Nem sempre o que parece ser é a realidade.

Com esta compreensão da vida, teremos certeza de que nada dura para sempre, nem a alegria, nem a tristeza, e por isso mesmo, será possível perceber que apesar de hoje não dar pra ver uma luz no fim do túnel, talvez amanhã seja possível sim, e se não for possível sozinha, que alguém esteja ao lado, seguindo lado a lado e sempre em frente, porque uma hora o objetivo é alcançado.

Este ano pode terminar, com ele vai toda esta enxurrada de tristezas, não foram poucos os pesares, nem as dores, nem as lágrimas. Que seja possível pelo menos retirar de cada um o peso morto, porque seguir com um peso desnecessário nas costas de coisas que não podem ser mudadas como ressentimentos, mágoas e ódio nada irá contribuir para o nosso crescimento, cada vez mais leves, este é o segredo.

Talvez não possamos sair mudando o mundo, porque se fosse possível faríamos muitas coisas, pouparíamos muitas vidas, cuidaríamos de muitas crianças, saciaríamos a fome de muita gente, curaríamos as pessoas de muitas doenças, apenas podemos mudar a nós mesmos, injetando sentimentos bons que podem mudar o ambiente que vivemos, quando mudamos o que está em volta de nós muda também, e quem sabe assim, poderemos ter um 2017 melhor do que foi esse ano de 2016?

Entrega dos presentes na Casa de Betânia

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Boa tarde!

 

Ontem entreguei os presentes que foram doados na Casa de Betânia, agradeço imensamente a todos pelo gesto de carinho.

Dia 15/12/2016 às 14:00hs será a entrega, e todos estão convidados, é um momento maravilhoso!

O endereço de lá é: Rua André Rebouças, 1434 – Ipiranga, Ribeirão Preto – SP, 14055-650.

Mais uma vez meu muito obrigada, sem vocês o Natal seria muito diferente para estas crianças!

Abraços!

 

Patrícia Prado

O que uma tragédia pode nos ensinar

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Hoje acordei com meu marido falando sobre a queda de uma aeronave, tentei resistir e continuar dormindo, comecei a ouvi-lo atentamente, acordei e comecei a ler as notícias. A cada nova informação sentia uma nova angustia. Fato é que é quase impossível saber de algo assim e não se comover.

Eu sei que a morte é algo previsível, todos sabem que um dia chegará para todos que vivem nesse planeta, mas, contrária ao fato de que esta certeza é imutável, lá no fundo, no nosso inconsciente não aceitamos isso. Ela sempre será dolorosa, se for ainda um feto ou uma pessoa com 100 anos.

Quando a morte ocorre com pessoas mais jovens, isso se torna mais doloroso ainda, como se aceitássemos mais quando ocorre com uma pessoa de mais idade ou doente, sofrendo por exemplo, mas desse jeito que aconteceu, num momento feliz para um time e com muitos jogadores jovens, delegação, jornalistas e tripulação de outro país, choca demais a gente! É uma perda abrupta, violenta e irreparável.

Entristece a gente as vidas interrompidas, os sonhos que se acabaram, a dor de quem fica, a luta dos que estão gravemente feridos, a saudade da família. Hoje doeu mais em mim a esperança que muitos familiares tem de acontecer milagres e ver seus filhos, maridos, netos, sobrinhos, pais estarem vivos. Com certeza eu também teria, se fosse permitido ter como me apegar a um fio de fé que fosse.

E por mais que eu tenha pela profissão visto a morte de perto como quem trabalha nos hospitais, fica aquela sensação geral que a vida é muito frágil, e que cada dia deve ser vivido de forma intensa, porque não sabemos mesmo o que vem logo ali na frente… Como a gente perde tempo com bobagem, com questões pequenas, brigando, odiando, maltratando quando deveríamos amar mais, respeitar mais, cultivar diariamente afeto, ter sentimentos mais positivos!

E mais que isso, que o tempo suavizará tudo isso, tornando-nos resilientes e flexíveis para sobreviver apesar de todas as tristezas, tragédias e dores que passamos. Isso acontecerá para mim, para você e para todos que passam hoje por esta situação estarrecedora.

O sentimento é de perda, de luto, é preciso ter empatia, ter consideração, oferecer apoio e conforto, ajudar de todas as formas possíveis, será inevitável chorar, não se comover e muito menos se lamentar, até porque poderia ser qualquer um de nós, de nossos entes queridos, enfim.

Dá para ver num dia desses que dá para ter fé na humanidade, que existem sim mais pessoas de bem espalhadas por ai, em qualquer canto da Terra. Dá para sentir a solidariedade, a união dos povos, a empatia de se colocar no lugar do outro e sentir de verdade uma perda, porque antes de tudo, somos gente, e gente de verdade sofre por si e pelo sofrimento do seu semelhante.

Este texto não tem o objetivo de deixar ninguém mais triste, nem mais alegre, porque é difícil sorrir hoje, mas tem a finalidade de possibilitar uma breve reflexão sobre a vida. Como ela é um sopro leve que pode vir e ir embora quando quiser, sem data certa, sem despedidas… Que todos nós precisamos uma hora ou outra das outras pessoas (vejam eles, debaixo de chuva, frio de 5 graus, noite, feridos e alheios numa mata esperando socorro de pessoas estranhas!).

Que possamos valorizar a vida, mesmo quando ela chega a seu fim. Para muitos o renascimento, não só dos feridos, mas de todos os familiares e amigos, de toda uma nação, de um mundo que hoje chora, mas com grande esperança de dias melhores, e eles virão. Ainda bem que uma tempestade não dura para sempre!

Não aceite migalhas

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Todo relacionamento para ser sadio deve ser inteiro, completo, recíproco, tudo que for diferente disso não vale a pena, só lhe fará sofrer.

Não é difícil ouvir uma história de algum relacionamento que não dá certo, ou que faz com que um dos dois estejam cansados ou desaminados em continuar com a relação. Isso é muito comum, parece até que a maioria das pessoas sofrem por isso.

O motivo para tanta “sofrência” assim vem da dificuldade que as pessoas tem em amar. O amor é simples, mas as pessoas, todas, tem uma necessidade de complicar as coisas. Fazem joguinhos, falam uma coisa, demonstram outra, mistificam a diferença entre o amor de um homem e o de uma mulher, levam para novos relacionamentos traumas anteriores, não perdoam, remoem mágoas e por ai vai.

E ao mesmo tempo em que faz outras pessoas sofrerem também sofre pela carência de afeto que nunca recebeu. Claro que a origem muitas vezes vem lá de tras, famílias que tiveram dificuldade em demonstrar amor para seus filhos acabam por desenvolver algumas dificuldades de relacionamento que só serão percebidas mais tarde. É um ciclo que nunca se finda até que a pessoa perceba e lute para sair dele.

Todos os seres humanos precisam de amor. Ninguém sobrevive sem, mesmo que seja uma fantasia de ser amado, o amor sempre vai envolver o imaginário das pessoas e por mais que hoje nossa sociedade demonstre o contrário do tipo “não estou nem ai”, está sim, lá dentro algo grita por afeto, por carinho, por atenção, por amor, nem que seja o amor próprio!

Outra forma de sair desse ciclo de infelicidade é não aceitar qualquer coisa. Sentimento tem que ser sadio, tem que acrescentar alguma coisa. Infelizmente muita gente aceita ser tratada de qualquer jeito, como quem aceita migalhas de amor. Atenção, se for regrado, se for medido, se for sobra, se for doentio, não é amor!

O amor é uma completude, o amor é imensidão, o amor não cabe no peito, não falta nada, é êxtase, é tudo aquilo que a gente sente e não consegue explicar direito. Por isso não aceite qualquer coisa. Esse amor que acabo de descrever, apesar de muitos acharem que não exista, ainda existe sim, mas muita gente anda por ai perdendo seu precioso tempo dando o que não tem para quem não quer receber e muito menos retribuir.

Por isso muitas vezes é melhor ficar só e começar a se conhecer e desta forma se amar. O amor próprio é o primeiro e único sentimento que deve durar por toda a vida. Infelizmente todos os outros amores vão e vem, muitas vezes permanecem como o de familiares, de alguns amigos, de um amor por outra pessoa… Mas com certeza enquanto tiver sopro de vida em você o amor próprio deve existir, porque muitas vezes na vida só vai sobrar ele mesmo.

Ninguém pode trazer aquilo que nos falta. As pessoas nos completam, nos acrescentam, mas não tem o poder de fazer algo que nunca existiu aparecer dentro do nós. Muita gente é carente de outra pessoa, mas não ama. O amor não precisa disso. Não precisa pedir, não precisa chorar, não precisa sofrer. Tudo que trouxer sentimentos ruins não é amor e por isso mesmo não vale seu precioso tempo nesse investimento emocional.

Muita gente tem medo de perder. Mas ninguém é de ninguém e é justamente por isso que não perdemos pessoas. Quando um relacionamento acaba devemos sofrer sim, sentir a tristeza, chorar, deixar o tempo passar, mas nenhum medo pode nos paralisar, nem o medo da solidão. Não sinta pena de você.

Todas, todas as pessoas nesse mundo são especiais, únicas e insubstituíveis, por isso nesse mundão de gente sempre terá aquele que mereça o seu coração e que vai te amar por razões únicas e melhor, sem precisar cobrar por isso. O ditado é muito velho, mas antes só do que mal acompanhado, prefiro mudar para antes só do que mal amado. Não aceite migalhas, você merece tudo e com sobremesa!