Se o mundo fosse perfeito

A palavra perfeição nos dicionários significa “aquilo que tem qualidade máxima. Que não tem nenhum defeito. O mais bonito, o mais bem feito. Precisão, sem falhas, excelente, primoroso”, é claro que encontrar algo assim se tratando de seres humanos é impossível.

Mas e se o mundo fosse perfeito? Como ele seria? Depois dessa semana, de ver mais tragédias, mortes, situações que nos fazem questionar “por que o mundo está assim?”, cheguei a fantasiar esse lugar apenas com perfeição, talvez para fugir da triste realidade da qual faço parte. É sabido que os seres humanos buscam a fuga frente a qualquer dificuldade na vida, é mais fácil, nem por isso menos doloroso, mas é algo que todos fazem em diferentes momentos da vida.

Eu, como também sou gente, vendo por alto a atrocidade que um funcionário de uma creche fez com as crianças e professora em Minas, ateando fogo em seres tão indefesos, me fez querer fugir. Me neguei a ver os jornais, a ler as notícias na internet, tamanha a dor que senti por imaginá-las sofrendo, morrendo e a dor das suas famílias… Com certeza um sofrimento inenarrável. Triste demais. Não tenho palavras para descrever o que pode ter acontecido com este homem para tomar tal decisão.

Por isso quero hoje escrever sobre um mundo perfeito, irreal claro, mas nem que seja por esses minutos, quero me teletransportar para lá e se você quiser, leitor amigo, que venha comigo nessa viagem, que infelizmente depois teremos que regressar para o hoje…

No mundo perfeito ninguém iria ter que acordar cedo, a não ser que quisesse, poderia dormir sem temer o toque do despertador. Poderia se espreguiçar pela manhã, como um gato manhoso e só depois levantar para tomar um banho demorado e tomar um café da manhã daqueles que só temos em resorts.

No mundo perfeito todo mundo poderia usar a roupa que quisesse, sem ter que seguir regras sociais que classificam em social, esporte fino, esportiva, hippie, alternativa, blá blá blá… Se quisesse usar pijama o dia inteiro, ótimo! Pantufas seriam aceitas como sapatos de saltos!

No mundo perfeito o bonito seria o diferente, aquele que quisesse se diferenciar, mostrar algo único, nada relacionado apenas a estética. Cada pessoa buscando se conhecer ao ponto de se redescobrir e assumir sua vida, deixando para trás as imposições de alguns poucos que hoje pensam pela sociedade e a maioria segue sem ao menos questionar!

No mundo perfeito todas as pessoas teriam o que comer, o que vestir. Teriam moradia decente, água encanada, esgoto nas ruas e energia em suas casas. Teriam acesso a saúde de primeira qualidade. Ninguém morreria de fome. As cidades seriam limpas e seguras, as crianças poderiam andar tranquilamente de bicicleta nas ruas. Todos teriam onde estudar e realmente aprender. A distribuição de renda seria bem dividida.

No mundo perfeito as pessoas iriam gostar de ler, de aprender, de desenvolver a mente que, convenhamos, é o mais importante a se fazer. Os professores iriam ser respeitados, inclusive seria a profissão mais valorizada, visto que todos passam por pelo menos um em suas vidas. Eles teriam bons salários, não sofreriam ofensas e nem maus-tratos pelos alunos, nem teriam de educar os filhos dos outros, porque os pais seriam pais presentes.

No mundo ideal a natureza teria descanso. Poderia os animais viver felizes em seu ambiente sem temer a ação humana. Nenhuma roupa seria feita de pele de animais. Nenhum animal seria jogado nas ruas, todos teriam um lar, alimento e carinho de seus donos. Os lixos seriam reciclados e reaproveitados de diferentes formas. Os rios e mares seriam limpos. As árvores cresceriam por todos os lugares, as matas mantidas e preservadas. Uma convivência pacífica entre natureza e seres humanos.

Herança seria extinta. Ninguém teria necessidade de possuir nada, uma vez que todos teriam o que realmente necessitassem. Dinheiro poderia até existir, mas ele não indicaria ganancia, poder e soberba. Trocas seriam bem-vindas, se produzisse feijão poderia trocar por arroz ou café, por exemplo. Pão de queijo e chocolate poderia ser de graça, uma vez que faz bem para quem consome e gera um estado de felicidade instantâneo.

Todas as pessoas poderiam viajar, independente de qual meio de transporte. Todos conheceriam um pouco de tudo, desde a gastronomia às experiências culturais de todos os povos. A diversidade seria respeitada. As pessoas se sentiriam felizes pela história do povo da qual pertencessem. Não existiria países mais ou menos desenvolvidos. Na África aconteceria o encontro das Nações Unidas e todos os países seriam aceitos.

No mundo perfeito teriam representantes do povo, não sei se seria a democracia, mas ninguém receberia por isso. Cada pessoa teria sua profissão e sua renda e trabalharia para o povo por altruísmo. Seriam respeitados e admirados. A população teria orgulho de dizer que moravam em seus países e terem seus representantes. Não haveria corrupção. Todos pensariam no coletivo e esqueceriam de acumular dinheiro, por que o mesmo não teria o valor como conhecemos.

No mundo perfeito os países se respeitariam. Ninguém iria iniciar uma guerra contra outro povo, uma vez que todos fariam parte do mesmo grupo: dos humanos. Nenhum país iria jogar bombas contra outro, não iria expulsar pessoas de outras etnias, não iria ameaçar atear fogo ou xingar outro líder. As pessoas seriam civilizadas e educadas.

No mundo perfeito as pessoas poderiam confiar umas nas outras. Todos cumpririam a palavra dada, contratos não seriam necessários. Com certeza algumas profissões deixariam de existir, uma vez que entre as pessoas existiriam a união, o amor, o respeito, a paz e a dignidade. Talvez até eu tivesse de assumir outra função, psicólogos seriam necessários se as relações humanas ocorressem com amor? Acredito que não.

No mundo perfeito existiria a felicidade, o respeito, a generosidade, a doçura, a compreensão mútua. Nos jornais seriam noticiadas conquistas e grandes feitos. As crianças correriam felizes pelas ruas, não haveriam drogas e morticínios. A palavra racismo deixaria de existir nos dicionários. Ninguém morreria por ser da etnia x, pela orientação sexual ou por ser mulher, pobre ou qualquer outra “classificação” porque isso não teria importância alguma. Não existiriam casas para idosos, pois eles estariam com seus filhos e netos. Não existiriam orfanatos, presídios, nem seria necessário oferecer bolsas assistenciais ou cotas em universidades.

Haveria harmonia, equilíbrio, bonança, paz, amor e grande alegria na Terra. É duro ter que sair dessa fantasia e voltar para o agora, mas quem sabe, depois de experimentar vivenciar num lugar maravilhoso assim possamos fazer algo e mudar a realidade do agora? Boa sorte!

 

Quando só restar você

Muita gente desanima de continuar vivendo. Isso é mais comum do que se pode imaginar. Fatos acontecem, reviravoltas na vida, desilusões, relacionamentos doentios, doenças, perda de emprego e tantas outras coisas pequenas e grandes. A vida não mede a dosagem, não se preocupa com as consequências.

Quando isso acontece e acontece para todo mundo, cabe a cada um buscar uma força de superação dentro de nós mesmos. Isso é muito difícil. Animar, dar um sorriso, cantar uma linda canção… Parece tão simples não é? Mas não é quando o coração está triste, desanimado, desesperançoso.

De todos os fatos mais comuns, os relacionamentos são o que mais adoecem os seres humanos. Existe uma necessidade existencial de cada pessoa ser amada, quando isso não acontece, independente da idade, ocorre o adoecimento. Sentimentos como tristeza, melancolia, angústia, mágoa, raiva, cansaço e tantos outros se mantém como um vulcão prestes a entrar em erupção, unidos e revoltos por muito tempo podem levar a depressão.

Nesse último mês tantas pessoas falaram sobre o suicídio. Muita gente acha que é tão raro acontecer, mas acontece e acontece com frequência. Cada vez mais pessoas desistem da vida. O que é muito preocupante.

Se analisarmos friamente nossa sociedade e como vivemos nela já teremos muitas respostas. As relações estão superficiais, os pais não conseguem ou não querem ser pais. Os filhos carentes de atenção e afeto se tornam adultos frios e por sua vez deixam de dar atenção e carinho, isso vira um ciclo sem fim de relações frustradas e expectativas não supridas.

Raras exceções encontro famílias que conseguem dar aquilo que cada um precisa. O amor está morrendo. Os pais se preocupam mais em crescer profissionalmente para dar “o melhor” para seus filhos e seus filhos solitários em casa sonham com o melhor que seus pais poderiam lhe dar: presença, afeto e amor. Infelizmente os valores estão trocados, e as crianças, jovens e adultos se perdem no que realmente é importante.

Quando ouço jovens dizendo que não tem amor pelas suas vidas, que falta afeto e diálogo em suas casas, que quase não veem seus pais, que queriam mais união na sua família, fico pensando em como despertar esses pais para enxergar seus filhos. O tempo está correndo, a hora para resolver questões tão importantes é agora!

Dói demais ver alguém desistir da vida, mas eu consigo entender. Toda história que ouço, cada dor sentida, cada lágrima derramada e sentimentos destrutivos acumulados dentro de si tem um porquê tão grande que leva o fio da esperança embora. Como profissional na área da saúde mental preciso reconectar esse fio de esperança, de fé, de amor. Por maior que seja a tristeza, desistir de si mesmo é uma dor imensurável.

Cada pessoa que sente ou pensa nisso precisa ser ajudada. Não pense que seja apenas ameaças ou porque quer chamar atenção. Muitas vezes as pessoas chegam ao suicídio por conta da depressão. Infelizmente muita gente acha que depressão é falta disso ou daquilo, não se atentam ao sofrimento alheio, julgam sem compreender. Como falta empatia no mundo!

Se você conhece alguém que passa por isso, ajude, ouça, acolha, ame, dê suporte, mas não feche os olhos. Não se omita. Muita gente poderia ter sido ajudada no decorrer desses anos se a gente se importasse mais, se a gente se colocasse no lugar do outro pelo menos uma vez.

Para aquele que sofre, não desista. A vida por mais dura, por mais pesada e aparentemente cruel ainda assim vale a pena ser vivida. Procure ajuda, mas não silencie sua dor por noites a fio. Não engula suas lágrimas e não internalize tanta tristeza.

Porém, se um dia só restar você, se não puder contar com mais ninguém, saiba que dentro de cada um de nós há um poder de cura descomunal. Uma luz no meio de tanta neblina e não é preciso mais que o raio de luz para iluminar a escuridão da nossa existência.

Você é importante, é único, sua vida tem sentido e você deve acreditar nisso. Existe um dom que é só seu, descubra-o e ilumine o mundo com a sua luz!

A superação vem de dentro de nós

Não temos dias bons todos os dias, às vezes parece que os dias ruins são mais comuns do que pensamos. Se assistimos TV são notícias que nos deixam chateados, com medo, desesperançosos. Não importa se vem da televisão, das redes sociais, dos jornais ou de uma conversa informal, são problemas e dificuldades que não acabam mais.

Procurar uma luz no fim do túnel parece quase improvável. Fato é que as pessoas, muitas já, estão sem esperança e mudam-se de país, de casa, de escola, de trabalho, de relacionamento, procurando a paz e a tão sonhada felicidade. Quando podemos mudar simplesmente e isso resolve o problema, ótimo, mas e quando o problema está dentro de nós, mudar para onde se carregaremos para onde formos a nossa carga emocional?

Quando enxergamos que a dificuldade maior não está do lado de fora da gente nos deparamos com um impasse. Precisamos mudar algo dentro, e isso não dependerá de ninguém, nem do lugar que estivermos cercados. Faz parte da nossa humanidade vencer todos os obstáculos que a vida pode nos impor. E se estivermos vivendo um momento assim, de decisão é preciso saber de algumas coisas.

A primeira delas é que somos capazes de superar. Parece meio clichê, mas muita gente se vê pequena, fraca, incapaz de seguir em frente e se reerguer de qualquer dificuldade. Independente de quem somos, de onde vivemos e como vivemos, somos capazes de feitos grandiosos.

Um passo à frente está quem tem fé, quem crê, quem mantém a esperança viva, porque assim podemos ter uma atitude positiva frente às adversidades. Os fatos continuarão acontecendo, bons e ruins, mas como os veremos fará a diferença. E isso é algo que precisa ser transformado num hábito. Transformar o mal no bem requer mudança de percepção. O dia amanheceu chuvoso, é você que decide se será um dia bom ou ruim, por exemplo.

Outro ponto é reconhecer em nós a parte do divino, da criação, do universo. Sabemos que existimos e por isso só já deveríamos saber que a mesma força que foi capaz de criar tudo tem o poder de nos ajudar a vencer qualquer dificuldade e mais que isso, de possibilitar a realização dos nossos desejos.

Nossas emoções têm força e moldam nossos pensamentos e, tudo o que colocamos em evidência, através do que pensamos, mais cedo ou mais tarde chegará até nós. Infelizmente as pessoas pensam, envoltas de emoções das piores possíveis, em tudo, menos na superação, que será possível ter uma solução, mesmo que no momento possa parecer o contrário.

Carregamos emoções desnecessárias dentro de nós. Amores mal-acabados, raivas, mágoas, inimizades, palavras engasgadas, discussões inacabadas, revoltas, fracassos, falta de perdão e por ai vai… Com tanto lixo emocional fica difícil pensar em coisas boas. Sem nos darmos conta atraímos para nós todo tipo de azar, não porque é uma questão de sorte, nem de destino, mas do que oferecemos para o mundo.

Esvaziar-se é a chave para um reencontro com nós mesmos. Isso vale para tudo que está guardado por muito tempo se tornando um peso desnecessário nas nossas costas! Quem se esvazia pode se encher novamente e ai cabe avaliar com o que iremos nos nutrir, qual será o combustível para nossa vida? Não importa a idade que tivermos, sempre será possível recomeçar.

Fazer as pazes consigo mesmo é um bom caminho para encontrar a tal luz no fim do túnel. A superação de todos os problemas, acredite, está dentro de nós, mesmo que estejamos ainda desempregados, doentes ou solitários. Não importa os acontecimentos, se conseguirmos ver a força que temos e a fé que cultivamos, tudo é superado. Seremos capazes de enfrentar qualquer coisa com o olhar otimista, com a energia revigorada e com a esperança reavivada.

Morrer custa muito, que possamos morrer sim, mas para nossas miudezas, nossos preconceitos, nossos descasos, nossas mazelas. Mas morrer para a vida é como desistir de quem somos e no sentido que damos à ela. Qual é o meu dom? Por que eu estou aqui? Estou existindo ou sendo alguém nesse mundo? Questionar-se é sem dúvida a porta aberta para o autoconhecimento. Permita-se ser, se perder e se achar, encontrar-se consigo mesmo.

Nada que vem de fora tem o puder de curar-nos, mas o que está dentro sim. Você pode e deve, basta simplesmente tomar a decisão. Decida-se.

Somente cada um sabe a dor que sente

É muito fácil ouvir uma “receita pronta” quando relatamos algum problema que vivenciamos. Ouvimos tantas coisas, parece tão simples de ser solucionado, só que não é. “Esqueça isso. Vire a página. Não pense mais nisso. Confie em Deus. Siga em frente…” Mas as pessoas esquecem que não somos elas.

Cada um carrega em si a sua forma única de ver a vida e também os problemas que surgirão pelo caminho. Se uma pessoa vê como intransponível uma situação, provavelmente deve ser para aquela pessoa. Como ajudar então? Com certeza não é dar às pessoas a sua forma de ver o problema. O que é muitíssimo simples para mim não é para o outro.

Trabalhando com grupos terapêuticos percebo que é comum cada um falar das suas experiências e isso é muito enriquecedor, mas vale sempre ter o cuidado de não direcionarmos soluções que tivemos como se fossem o remédio para as dificuldades alheias. Nem mesmo desmerecermos o sofrimento dos outros porque, aos nossos olhos, nos parece mais fácil.

Somente cada pessoa sabe o peso que carrega e a dor que sente. Por mais empática que eu seja, ainda assim será difícil ver, sentir e vivenciar a experiência das outras pessoas. Mesmo assim, devemos sempre desenvolver a empatia, combater nosso egoísmo e todos os outros sentimentos que nos tornam menos humanos e, portanto, menos compreensivos com a realidade alheia.

Por que cada pessoa tem a sua dificuldade de lidar com os seus problemas? No decorrer da vida, quando cada situação nos traz uma adversidade é mais fácil seguir em frente sem realmente pensar e desmiuçar aquela dificuldade vivenciada. Por exemplo, diante de uma morte de um ente querido, uma pessoa pode se dopar para não sentir toda a tristeza daquela experiência ruim, com o passar dos dias o luto pode se tornar muito mais pesado, porque a realidade não foi sentida e vivenciada como deveria, mesmo que para isso sofresse demais, sem uso de medicamento.

Temos uma mania quase que comum a maioria das pessoas a nos acostumarmos com os pesos de problemas não resolvidos. Por não vivenciamos, vamos levando, seguindo em frente, muitas vezes motivados por conselhos das outras pessoas “Deixe isso pra traz”, mas o peso continua sendo carregado, a ferida continua aberta, a dificuldade te impede de avançar em outras situações na sua vida. Nos acostumando ao que nos faz mal, simples assim. A falta de reflexão na vida leva ao adoecimento. Vamos indo no automático até que muitas vezes a dificuldade a princípio psicológica se torna física.

Se cada um sofre, sente, vê e vive de forma única, como permear esse universo individual? A abertura está em cada pessoa. Por isso o processo terapêutico traz tanto resultado. É necessário que cada pessoa conhecendo a si mesma, através do autoconhecimento que pode ser adquirido com a terapia, por exemplo, é possível que possa relatar suas dificuldades ao ponto que a outra pessoa consiga lhe compreender por inteiro. Sem o consentimento e a fala é quase impossível conhecer e compreender o outro.

Como a pessoa sabe que precisa de ajuda? Uma hora vai acontecer. Uma hora a gente cansa de carregar o que não tem condições de suportar, uma hora a dor vem de forma intensa, quase desumana, uma hora até sentimos que vamos enlouquecer, surtar mesmo. O peito aperta, a garganta seca, o coração dispara, as pernas fraquejam, o corpo da sinal que não vai mais adiante, precisa de socorro.

Ao mesmo tempo que precisamos de ajuda, vivemos cada vez mais num mundo individualista onde não abrimos a oportunidade da compreensão do outro. Conversamos e nos importamos cada vez menos, de forma cada vez mais superficial, o que indica uma indiferença às dificuldades alheias. Perguntamos por exemplo a título da nossa curiosidade “E ai, já encomendou um filho?”, mas esquecemos de perguntar “Você está feliz com a vida que leva?” ou questionamos “E ai já foi promovido?” em vez de perguntar “Qual é o seu verdadeiro dom?”

Pelo que posso ver, analisando nossa realidade como um todo, cada dia mais nos importamos menos com o semelhante e priorizamos mais nossa vida no que diz respeito ao conforto que podemos ter. Ninguém sabe responder se a vida que leva é a que ele sempre sonhou, mas sabe dizer o que possui, como se as “coisas” fossem mais relevantes do que realmente somos. Quem eu sou? Que sentido tem a vida e qual o meu papel nela?

Para compreender melhor o outro é necessário que cada se compreenda, que fazendo perguntas obtenha respostas que dêem sentido a sua vida de uma forma mais ampla. Enquanto vivermos para alimentar apenas nosso ego não saberemos que podemos ser mais evoluídos, no que tange a nossa experiência do coletivo, ao sentimento de pertencimento da humanidade.

Enquanto isso não acontece, os consultórios de psicologia estarão sempre cheios de pessoas que, na falta de empatia dos outros, buscam alguém que possa lhes ver como realmente são, que lhes escuta com cuidado, respeitando suas dores e suavizando sua vida, tornando possível uma mudança que vem de dentro, que permita a busca da compreensão de si mesmos.

Acredite em você

Uma das maiores dificuldades do ser humano está na capacidade de acreditar em si mesmo. E não é por falta de conhecimento espalhado por ai em livros e pela internet a fora, não, não, temos uma quase necessidade de crer no que está fora de nós, talvez para justificar nossas escolhas, muitas vezes infelizes.

Cremos no que os outros falam, no que os jornais escrevem, no que a mídia mostra, mas somos muitas vezes incapazes de ouvir nosso coração, nossa intuição, perceber nossa força, nossa vontade, nossos sentimentos e pensamentos. Estamos a mercê de tudo que está fora de nós, isso é muito sério, isso nos distancia de nós mesmos.

Como psicóloga percebo que muitas pessoas sabem falar e falam das outras pessoas com naturalidade, optam sobre suas escolhas, seus relacionamentos, sobre suas roupas e atitudes, mas quando questionadas sobre elas mesmas não sabem dizer ou nunca pensaram sobre isso. Sobreviver desse jeito pode ser até mais fácil, porque viver de verdade requer responsabilidade sobre suas escolhas, e convenhamos ninguém quer ser responsável por nada. Pelo menos nossa sociedade nos mostra isso todos os dias!

Não importa quando descobrimos isso. Mais que quando é necessário descobrir que somos capazes de mudar nossa vida. Que dentro de cada um de nós existe a solução para nossos problemas, a determinação para superar os obstáculos, a cura de muitas doenças e principalmente, a certeza de quem somos e do que podemos fazer. Essa consciência pode acontecer hoje, com seus 6, 17, 25, 40, 70, 100 anos! Depende exclusivamente de você.

Acredite que você é capaz de superar medos, fobias, síndromes de Pânico e tantas outras doenças. Não desista de vencer a cada dia seus monstros internos. Ninguém, além de você, pode acabar com toda essa ansiedade que te ronda dia e noite, que leva seu sono, sua tranquilidade, a sua paz.

Acredite que você é capaz de superar toda perda, seja de entes queridos ou de relacionamentos. Você é maior que qualquer tristeza, qualquer depressão. Ninguém nunca vai sentir a dor que seu coração tanto sente, a não ser você mesmo. E por isso mesmo você é capaz de sofrer e se refazer das suas próprias cinzas.

Acredite, você é capaz de superar qualquer adversidade, seja financeira ou doença. A cada dificuldade vencida você se torna mais sábio e forte para superar as outras que ainda virão, porque faz parte da vida enfrentar todo tipo de problema e você está aqui e precisa seguir firme na sua jornada, independente se vai cair, quantas vezes terá de levantar, mas a certeza de seguir cada dia de cada vez no seu ritmo, no seu compasso.

Acredite que você é capaz de grandes feitos, de revolucionar a ciência, de escrever grandes livros, de trabalhar e ser reconhecido, de formar uma família, de ser um grande atleta, de vencer inúmeras batalhas e superar qualquer limitação. Porque você é capaz, porque cada ser humano é único. Se torna merecedor aquele que acredita em si, no seu talento, no seu dom, na sua perseverança.

Então pare de buscar fora sua felicidade, grande ou pequena ela está ai dentro de você. Quando você começar a acreditar na sua imensurável capacidade de vencer, de superar, de conquistar, de surpreender, de inovar, de reinventar, de amar, de ser você mesmo, a vida muda, o mundo muda, porque antes de tudo a mudança aconteceu dentro de você.

Eu sei que é mais fácil ouvir conselhos, ouvir do outro o que fazer para resolver os problemas das nossas vidas, mas nada na vida é como receita pronta, o que serve pra mim dificilmente servirá para a outra pessoa, então cada um deve buscar na fonte inesgotável que existe dentro de si. Somos ilimitados e cheios de potencialidades ainda desconhecidas, enquanto ouvirmos os outros não iremos conhecer o que carregamos dentro de nós.

Como disse Carl Jung, “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”, é preciso despertar dessa forma que vivemos e olharmos mesmo para dentro de nós. É claro que muitas vezes é preciso uma ajuda e ai entra o meu trabalho como psicoterapeuta, mas, mesmo assim, eu apenas sou uma mera espectadora, o protagonista será cada pessoa que estiver disposta a abrir bem os olhos e enxergar além do conformismo e das lentes sujas que as outras pessoas nos emprestam e das quais usamos sem questionar.

Quem tiver coragem para tanto nunca mais irá retroceder, um olhar que seja é suficiente para ir cada vez mais fundo em busca do autoconhecimento. Quem se conhece sabe que mesmo caindo vai se levantar, porque reconhece a força que tem e a capacidade de vencer qualquer situação, por mais difícil que possa parecer. Uns a chamam de Deus, outros de felicidade, outros de força interior, alguns de subconsciente, uns de intuição, etc., não importa o nome, o importante é saber da sua existência e do que ela é capaz de fazer por você. Acredite!

Por que muitos casamentos estão acabando?

Seria mais fácil explicar a lei da gravidade que analisar todos os alicerces dos quais o amor se mantém. É notório que muitos casamentos têm acabado com grande facilidade e encontrar uma pessoa que queira algo mais sério tem diminuído a cada dia. Por que será?

Um dos graves problemas está antes de iniciar um relacionamento sério. Muitas pessoas ficam angustiadas por não conseguirem se casar até uma determinada idade, essa é uma questão que apressa as escolhas e infelizmente faz com que muita gente se case no desespero o que não vai trazer felicidade conjugal.

É comum para nossa sociedade considerar um parceiro como um grande prêmio para combater a solteirice, como se isso fosse garantia da tão sonhada felicidade, mais uma vez a cobrança externa nos faz errar nas escolhas íntimas da nossa vida. A pressão às vezes é tão grande que alguns preferem aceitar estar ao lado de qualquer pessoa sem conhecer realmente quem é.

As pessoas precisam entender que não se casar ou não ter filhos não indica fracasso pessoal. É algo que está acontecendo no momento, o que também não quer dizer que em outra situação na vida não encontre uma pessoa capaz de despertar essas vontades em seu coração.

Outras pessoas já se conformaram em ter um parceiro sem sentir amor, carinho ou nem mesmo respeito. É bastante improvável que uma pessoa ame várias vezes na vida, a paixão sim pode acontecer mais vezes e acaba na mesma intensidade que inicia. Por isso deve-se aproveitar as poucas oportunidades para realmente sentir o amor verdadeiro.

A maioria das pessoas que relacionamos não nos oferecem muito, cada vez mais magoadas e ressentidas ou até mesmo vazias, são incapazes de ter valores que seriam essenciais para durabilidade de uma relação. O olhar está no exterior, o interior passa despercebido e pouco atrai os solteiros de hoje em dia. Malha-se muito os músculos, mas são extremamente frágeis e encurtados os sentimentos. Cuida-se da pele, do cabelo, do abdômen, retira-se gorduras indesejáveis, mas o coração está cada dia mais amargurado, um depósito ambulante de mágoas e recordações traumáticas que impossibilitam o surgimento de um sentimento como o amor.

Ao mesmo tempo que se acumula todo o tipo de ressentimentos, não se preenche com o que realmente importa. O que você acredita? Que sentido tem a vida pra você? Que valores são os que regem sua vida? Perguntas assim não passam pelas vozes espalhadas por ai, isso me preocupa muito. Casa-se pelo corpo malhado. Casa-se para fugir do convívio familiar. Casa-se pela conta bancária. Casa-se pelos lugares que você poderá ir. Casa-se pela beleza exterior. Mas raramente vejo as pessoas se casarem pelos sonhos semelhantes, pelos objetivos em comum, pelo que realmente admiram um no outro.

Isso reduz significativamente as possibilidades de que uma pessoa ser feliz. Estar bem acompanhado é muito mais do que dizer que está com alguém. Muitas pessoas estão sempre com alguém, isso é muito fácil de conseguir, basta sair um dia e terminar a noite com uma moça/rapaz ao seu lado, mas poucas estão acompanhadas com pessoas que acrescentam algo, que venham a somar, que queiram partilhar sua vida, não apenas seu corpo.

Quando uma pessoa está disposta a encontrar alguém para compartilhar uma vida juntos precisa de uma boa autoestima. Depois de vários fracassos e tristezas com relacionamentos que não deram certo é imprescindível ter uma autoestima bem estruturada para compensar toda a falta de sorte das experiências anteriores que foi vivenciada, porque caso contrário nos fecharemos como ostras sem dar chance para novos relacionamentos.

É preciso tomar cuidado para não se tornar um depósito de lixo, muitas pessoas depositam suas carências ou defeitos nos seus parceiros. Encontrar a companhia que você deseja depende de como você está em relação a sua autoestima e de não diminuir suas expectativas, saber o que se quer e o valor que se tem não pode ser deixado em segundo plano.

Já escrevi muitas vezes que o amor romântico está em desuso, até ridicularizado, e isso gera problemas difíceis para aqueles que sonham em encontrar alguém para amar e ser amado. A descrença leva a falta de fé, na vida, nas pessoas, nos sentimentos. Quem não acredita em nada como pode desejar ser amado?

Há várias pessoas que não sabem diferenciar um amor verdadeiro de um amor tóxico, que não são capazes de amar ou que simplesmente generalizam suas frustrações e a projetam nos demais, mas isso não transforma todas as experiências em um trauma. Cada pessoa é única e a chance sempre é grande a cada recomeço de ser feliz.

Por isso antes de iniciar qualquer relacionamento mais sério tome cuidado com suas escolhas, avalie aquilo que é importante para você, não se iluda com mudanças após o casamento, realmente muda-se muito, mas de outra forma. Muitos defeitinhos serão revelados, mas transformação de caráter, por exemplo, não vai acontecer.

Quem está num casamento e agora sente insatisfação deve avaliar bem seus sentimentos e os do parceiro também. Muitas vezes enfrentar dificuldades conjugais é muito natural e comum. É preciso maturidade para contornar e superar as adversidades. A verdade é que muita gente não tem paciência de tentar, de querer resolver, no primeiro obstáculo já desiste e deixa a fila andar, sem saber que no outro relacionamento o mesmo acontecerá, até que aprenda a resolver seus problemas internos que afetam qualquer relação que tiver.

Ninguém nunca dirá que um casamento será fácil, mas será mais feliz o casal que encontrar no outro um pouco de si mesmo. Uma relação é compartilhamento de alegrias e tristezas, de vitórias e derrotas, de saúde e doença, de harmonia e desentendimentos. Estar ao lado só quando tudo está indo a mil maravilhas é tremendamente fácil, mas enfrentar todas as adversidades da vida ao lado de uma outra pessoa requer paciência, tolerância, compreensão e muito amor.

Acredito que até para os mais céticos, ninguém inicia um casamento pensando em se separar, por isso lutar pela sua manutenção seja um grande desafio diário. Mas tudo tem que ser recíproco, os dois lados devem ceder. O amor tóxico mata tudo a sua volta e esse sentimento não mantém casamento algum, aprenda a diferenciar.

Todos sonham em ter alguém ao seu lado para compartilhar uma vida feliz, mas quem ainda está na busca saiba atentar-se a olhar o que é invisível aos olhos. Saiba o que é importante para você e sempre esteja atenta para ver no outro parte dos seus sonhos, quem chega pra somar fica, mas quem chega pra tirar, não deve nem entrar.

É preciso se reinventar todos os dias

Acredito que de todas as maiores dificuldades que o ser humano tem é estar motivado todos os dias. Acordar e ver tudo azul, azul da cor do mar não é nada fácil, nem para quem mora de frente para a praia.

A vida tem seus altos e baixos, e por vezes parece que anda mais em baixo que em cima, manter o otimismo, o entusiasmo, acreditar que tudo ficará bem no final demanda uma força extraordinária.

Existem pessoas capazes de lidar com as adversidades de forma bem diferente das demais. O que nós, seres mortais fazemos? Reclamamos, depois lamentamos, depois resolvemos os problemas, quando dá para resolver e se não der empurramos com a barriga, lá na frente nos tornamos ressequidos, magoados e frios como uma boa ferradura velha.

Qual o segredo então? O que essas pessoas motivadas fazem que eu não faço? Eu sei que essas perguntinhas batem ai na sua cabeça de vez em quando, gerando um desconforto quase como uma enxaqueca chata depois de ingerir muito álcool.

As poucas pessoas motivadas também se desmotivam sabia? Não existe um ser humano nesse mundo que não se abale com as dificuldades que enfrenta, a diferença está em como elas veem os problemas.

Não existe problema insolúvel, mas quando ele acontece, dependendo de como estamos (estado mental e físico) encaramos de uma forma positiva ou terrivelmente negativa. Os problemas sempre existirão, para ricos e pobres, do ocidente e do oriente, não importa onde e quem somos. Eles virão.

É importante termos dentro de nós algumas competências que nos auxiliarão muito como a fé, a esperança, a gratidão, a resiliência, a paciência, o dinamismo, a paz e o amor. São esses sentimentos que nos tornarão capazes de ver os problemas sobre outro prisma.

Cada vez que surge alguma adversidade somos testados em nossas habilidades, é necessário sair da zona de conforto e tentar mais uma vez alguma coisa que nos é desconhecida, e isso nos torna mais fortes e maduros frente a vida.

Quando surgir alguma dificuldade como problemas financeiros, doenças, dificuldades emocionais, desafios no trabalho, problemas de relacionamentos, perdas significativas entre outros, acredite, dentro de você há uma grande capacidade de superação, e você não precisa ser otimista para crer nisso, apenas confiar em você.

Todos precisam se reinventar de alguma forma em algum momento da vida. Pode acontecer tantas coisas…  E acontecem. E se não podemos mudar o que é imutável, então devemos aprender com ela como devemos ser.

A vida não é ruim, não é maquiavélica, não é injusta e nem seletiva. Pelo contrário, ela está aqui para cada um de nós, oferecendo o mesmo para todos, todos os dias. Cabe a cada um buscar sua forma de vê-la, as dificuldades existirão, se não aprendermos pelo amor, seremos submetidos a dor, mas não pela vida, mas por nós mesmos, por nossas escolhas e nosso conformismo.

Um pássaro, por exemplo, quando está repousando em uma árvore nunca teme que o galho se quebre, mesmo que isso possa acontecer, pode ter apodrecido, pode vir um vento forte, ou outra coisa pior, mas sua confiança não está no galho, nem mesmo na árvore, mas na sua capacidade de voar, está nas suas asas.

Mesmo que a maioria das pessoas lhe digam o contrário, mesmo quando não ver uma luz que seja no fim do seu túnel, mesmo que as possibilidades estejam se findando, ou até quando os outros lhe tirarem o fio da esperança, confie em você, existe uma força enorme dentro de cada um de nós, é preciso despertar e ver. Acredite em você e se reinvente quantas vezes for necessário, você é capaz!

Por que é tão difícil esquecer alguém que já desistiu de nós?

Responder esta pergunta não é nada fácil. A maioria das pessoas já passaram por uma situação assim. Ter um relacionamento, sentir amor ou paixão e um dia tudo acabar, na maioria das vezes pelo outro e nós ficamos ali parados, com os corações despedaçados.

É uma dor tão grande que chega a ser física. Não tem remédio, não tem conversa, não tem nada mesmo naquele momento que possa dar jeito. Então todos nos dizem “dê tempo ao tempo” e apesar de ser uma verdade, porque somente o tempo irá suavizar e curar esta dor, a gente não quer ouvir isso, pelo contrário, desejamos alguém capaz de trazer a pessoa amada em três dias! E isso não é um exagero!

E ai vem a pergunta “por que é tão difícil esquecer alguém que já desistiu de nós?”. A dificuldade começa com o sentimento, falamos que amamos, mas a maioria das pessoas tem dependência emocional, falta do amor próprio, medo de ficar sozinha, enfim, o sentimento mesmo passa longe e por esse motivo torna-se mais difícil esquecer.

O amor, embora até hoje não tenha definição correta é um sentimento, o mais poderoso já sentido. Ele proporciona outros sentimentos, como se fosse um complexo de muitos outros. Além disso, existem vários tipos de amor. Amor entre pais e filhos, entre casais, entre amigos, por animais, pela natureza… O amor é sublime, paciente, tolerante, gentil, compreensivo, e por ai vai.

Outra dificuldade é a falta de amor próprio. É claro que por mais que todos saibam disso, muita gente não sabe se amar. Quando nos amamos, nos aceitamos, nos reconhecemos, gostamos da nossa companhia, do nosso jeito, das nossas imperfeições. Olhando para nós somos capazes de olhar o outro de forma mais assertiva. Caso isso não aconteça valorizamos demais o outro e esquecemos de nós. Muita gente agrada tanto a outra pessoa que se perde, não se reconhece mais, se torna cada dia uma pessoa diferente do seu eu. Um estranho dentro de si.

O medo de ficar só é outro problema, muita gente teme que sozinha não conseguirá chegar a felicidade. Temem o futuro, a velhice, a morte. Querem alguém para estar ao lado, para isso justifica ser muitas vezes maltratada, ignorada, menosprezada e até violentada. Todos precisamos de gente ao lado, somos seres que necessitam de socialização, mas isso não quer dizer que tenha de ser um relacionamento amoroso romântico.

Um dos maiores erros que todos já devemos ter cometido: insistir na pessoa que já desistiu de nós. Quem nunca? Pois é, mas é importantíssimo desistirmos, porque perdemos precioso tempo indo atrás, planejando mundos e fundos para reaproximar de alguém que já tomou uma decisão. Idas e vindas num relacionamento só torna o fim mais trágico, pra que se ferir mais, sofrer mais?

Quando compreendemos isso, o fim de um relacionamento se torna menos doloroso, porque temos o discernimento de perceber que aquela pessoa já não nos fazia feliz. É importante saber que a felicidade chega somente onde a felicidade já está, então não podemos insistir naquilo que está claramente fadado ao fracasso, principalmente no lado emocional.

Se um relacionamento está sendo bom para ambos, com amor, respeito, reciprocidade, companheirismo, atração, gentileza, carinho, vale a pena, caso contrário cada um deve seguir seu caminho sozinho, até que surja ou não uma outra pessoa que tenha as mesmas afinidades.

Eu já vi muitos casais felizes por ai, mas também já vi muita gente sozinha que também é muito feliz. Se por acaso seu relacionamento acabou e está difícil esquecer, reflita sobre os itens acima, com certeza em algum momento perceberá que manter o foco nessa pessoa está te deixando infeliz, sua energia está indo para o local errado. É importante enxergar isso.

E esperar… O tempo ainda é o melhor remédio, mas a gente pode dar uma forcinha, principalmente quando mantemos nosso pensamento naquilo que realmente importa. Ninguém que esteja fora de você detém a felicidade, ela existe sim, mas está no seu interior, está no amor que você tem por si mesma.

Quando eu amei um animalzinho de estimação

É duro dizer isso, mas cresci sem ter muito contato com animais de estimação. Já tive sim, mas sempre foram distantes, sem contato físico, sem afeto, sem amor.

Era difícil admitir porque tinha medo de cachorros principalmente, não me sentia a vontade onde um, por mais inofensivo que fosse, estivesse. Como tudo na minha vida, sempre tenho uma meta de vencer aquilo que temo.

Aconteceu de eu ganhar de presente, em pleno carnaval uma linda cadelinha do meu marido. Ele, ao contrário de mim, sempre foi um apaixonado por animais e principalmente por cães. Imagina o receio dele em me presentear com um bichinho, logo eu que nunca tinha sido capaz de acariciar um animalzinho, embora sempre fui totalmente contrária aos maus tratos a animais, tenho pavor a violência.

Há muito tempo vinha lutando dentro de mim para aceitar o fato de ter um animal em casa. Quando ela chegou, pequenininha, 800 gramas, olhos piedosos, linguinha de fora, pelinhos macios, dois coraçõezinhos colados na testa, eu pensei “como darei conta?”

Sou muito determinada e responsável, essas características eram primordiais para dar conta de realmente ser uma boa cuidadora. A primeira noite sem dormir, atenta a choros, os xixizinhos espalhados pela casa, assim como os cocôs… A paciência em ensinar o local correto, de alimentar, os momentos para brincar…

Foi ai que a mágica toda aconteceu. Foi cuidando, tocando, sentindo, olhando, acariciando, brincando, sorrindo, limpando, dando banho, permitindo seus pequenos gestos de afeto que ela foi me conquistando. O amor foi surgindo, foi inundando esse meu coração velho de guerra.

Eu já tinha lido inúmeras vezes sobre os benefícios de ter um animal de estimação em casa. Já acreditava no bem que eles poderiam fazer, além disso em leitura da revista “Frontiers in Psychology” foi possível refletir sobre como os animais são capazes de despertar algo muito positivo em pessoas que estão doentes, sempre acreditei nesse benefício. Acabei assistindo o filme Nise – O coração da Loucura, e tudo isso me tocou profundamente.

Enquanto você não possui um animal de estimação, você não consegue despertar para esses sentimentos tão nobres e puros. Amar um animalzinho é saber que alguém te ama e te aceita como você é. Não precisa usar máscaras sociais, não precisa estar sempre bem, porque até nos dias tristes eles serão nossos alicerces de alegria sem limites.

Algo muito especial acontece com a gente quando somos presenteados ou adotamos um cãozinho, quando resgatamos um gatinho da rua, os olhos, sempre tão brilhantes, cheios de ternura, carecendo apenas de amor… É como se uma luz lá do fundo do túnel se acendesse, como se em algum lugar alguém respondesse pelo que sempre ansiamos e nunca soubemos dizer o que era.

Muita gente compara que amamos os animais e esquecemos de amar as pessoas, isso não tem nada a ver e nem mesmo deve servir de comparação. Existem diferentes tipos de amor. Os sentimentos que podemos sentir por um animal é uma coisa diferente, única, até inexplicável, ele consegue extrair o melhor de nós mesmos, isso é maravilhoso!

Por exemplo, enquanto escrevo este texto, sinto os dentinhos minúsculos da Melânia no meu dedão, mordiscando carinhosamente me dizendo “estou aqui mamãe”… Se olho para ela, me devolve um olhar nos olhos, me dá uma lambidinha e vira a barriguinha para que possa fazer cosquinha. São coisas simples, mas tão puras e especiais que nenhum coração peludo consegue ficar imune a esse amor.

Como psicóloga posso afirmar que fazer terapia faz muito bem, mas poucas coisas podem ser tão terapêuticas quanto chegar em casa desanimada, sem vontade de cantar uma linda canção, até triste, de repente, me ver refletida nos olhos da minha cadelinha. É como se ela me abraçasse, me beijasse e dissesse “vai dar tudo certo mamãe”.

Melânia é linda, mas foram seus pequenos olhos negros e sinceros que me ofereceram a perspectiva de suavizar meus problemas, minhas ansiedades e o meu estresse. Eu não sei descrever esse amor. É puro, é gostoso, é sereno, é doce. Me traz paz e equilíbrio para lidar com as adversidades da vida. Se você nunca se permitiu, faça o teste e descobrirá um amor sem limites.

Hoje é o dia daquelas que lutam pelo que acreditam

No dia 08 de março comemora-se o dia internacional da mulher, acredito que a maioria saiba de onde originou esta data, que somente foi marcada por trágico acontecimento.

Nos dias atuais as mulheres usam este dia para homenagear, parabenizar, lutar contra a violência doméstica, contra a desigualdade, contra o preconceito, contra os abusos… Os anos passaram, mas as lutas continuam. E parecem não ter fim…

Nenhum dia pode ser comemorado sem antes ter uma história que lhe origina, então vamos lá… No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi reprimido pela polícia. Podemos notar que nunca se consegue algo sem lutas, e as mulheres por anos, pioneiras já lutavam para que hoje pudéssemos desfrutar de suas conquistas!

No dia 25 de março de 1911, cerca de 145 trabalhadores (maioria mulheres, 130 no total) morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança de trabalho, gerando melhores condições de trabalho!

No entanto, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres. Mas, como nem tudo são flores, somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.

E desde lá, as lutas não tiveram fim. Por mais que hoje possamos comemorar muitas conquistas, ainda há muito a ser feito, no entanto, eu como psicóloga, e tantas outras colegas de profissão ou não, devem se unir para resgatar esta força que cada mulher tem de lutar pelo que acredita.

Mas esta luta não deve ser para ser mais homem, para se igualar com nosso sexo oposto, isso é uma grande perda de tempo. Mulher tem que ser mulher e tem que gostar de ser assim. Não precisa se vestir de homem, não precisa agir como homem, não precisa desenvolver competências e jeitos masculinos, isso não nos fará mais fortes e nem mais respeitadas.

Não podemos nos iludir, existem mulheres que são mais racionais que sentimentais, algumas não desejam ser mães, nem todas são sensíveis e nem todas gostam de chorar, mesmo que a maioria seja, e se for, tudo bem, ninguém é menos porque usa saia, porque chora, porque usa salto ou maquiagem. Ninguém tem que ser julgada pela roupa que veste, pela forma que deseja ser, pelas escolhas que tomar. O que não podemos é nos distanciarmos da nossa essência. Daquilo que somos, do que viemos e para onde queremos ir.

Ninguém tem o direito de nos limitar. Somos muito mais do que julgamos. Temos uma força inimaginável, um amor imensurável, uma resistência digna de aplausos. Com ou sem “jeitinho” conseguimos o que queremos. Lutamos apenas pelo que acreditamos. Somos guerreiras, numa luta injusta e milenar, por isso mesmo somos sobreviventes.

A gente tem que ter orgulho de ser mulher. De ter tido esse privilégio. De ter esta oportunidade de evoluir num corpo em constante transformação. Aguentamos as dores de parto, TPM, cólicas, menstruação… Vivemos num eterno dilema de querer mais e as vezes nem saber o que desejamos. Não nos conformamos com nosso cabelo, corpo e quantidade de roupas e sapatos, sempre achamos que possuímos menos… Somos um paradoxo difícil de decifrar e por isso mesmo tão encantador.

Que nesse dia possamos receber flores, chocolates, mimos, mas mais que isso, que possamos receber respeito, e que este seja duradouro. Mulheres, não se menosprezem, não se sintam menos, porque somos tudo aquilo que julgarmos capazes de ser. Ser mulher é um dom! Aproveite!